<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026</id><updated>2012-02-09T00:05:06.364-02:00</updated><category term='Música'/><category term='Filmes'/><category term='Livro'/><title type='text'>PALCO GERAL</title><subtitle type='html'>INFINITIVAMENTE PESSOAL</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>211</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-1252195519345774941</id><published>2012-02-08T10:24:00.001-02:00</published><updated>2012-02-08T10:24:18.097-02:00</updated><title type='text'>Preconceitos</title><content type='html'>O 'politicamente correto' impede o raciocínio;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-WcjfrWx7VX8/TzJpTlHXPlI/AAAAAAAADNM/_KYN6AsW9QU/s1600/Preconceito01.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="128" src="http://3.bp.blogspot.com/-WcjfrWx7VX8/TzJpTlHXPlI/AAAAAAAADNM/_KYN6AsW9QU/s200/Preconceito01.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;o novo senso comum diz que todos os preconceitos são errados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra inglesa (também do latim) prejudice é mais precisa do que a nossa, pois sugere julgamento antecipado e prejuízo, dano. Já preconceito fala de um conceito pré-formado. Ora, você que está vendo essas manchas de tinta no jornal só entende o que quero dizer porque tem um conceito pré-formado (na escola e na vida) de como elas soam e o que significam. Ou seja, passamos a vida usando conceitos pré-formados que lhe dão sentido e que a salvam (quando você só atravessa no sinal verde, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima do "politicamente correto" em que nos mergulharam impede o raciocínio. Este novo senso comum diz que todos os preconceitos são errados. Ao que um amigo observou: "Então vocês têm preconceito contra os preconceitos". Ele demonstrava que é impossível não ter preconceitos, que vivemos com eles, e que grande quantidade deles nos é útil. Estatisticamente úteis. Você entraria sozinho num elevador que só portasse um tipo muito mal-encarado? Está vendo? Eu não disse "pitboy marombado, cheio de piercings e tatuagens, com cabelo moicano". Bastou dizer "tipo mal-encarado" que você pensou "Melhor não...". E se ele for uma flor de pessoa? Mas a estatística diz que não, melhor não ("forma é conteúdo", dizem os filósofos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É noite, a rua é mal iluminada, e na sua direção, na mesma calçada vem um senhor negro de terno carregando uma pasta de trabalho. Por acaso seu coração dispara e você muda de calçada? Não, porque usou seus preconceitos, ainda que ele possa ser o assassino do parque ("Pouco provável", dirá você, usando a estatística a seu favor).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal, quais preconceitos são pré-julgamentos danosos? São aqueles que carregam um juízo de valor depreciativo e hostil. Lembre-se do seu tempo de colégio. Quem era alvo dos bullies? Os diferentes. Pense nos apelidos: girafa; pintor de rodapé; rolha de poço; Pelé, tição; quatro-olho; nerd, CDF; "mulerzinha". Um amigo sardento era chamado de "arroto de Fanta"! As crianças parecem repetir a história da humanidade: nascem trogloditas, violentas, cruéis com quem não é da tribo, e vão se civilizando aos poucos. Alguns, nem tanto. Serão os que vão conservar esses rótulos pétreos, imutáveis, muitas vezes carregados de ódio contra os "diferentes", e difíceis (se não impossíveis) de mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que existem preconceitos a favor. As pessoas belas são talvez o maior exemplo. Mas esses costumam mudar com relativa facilidade. Não demora muito para você descobrir que aquele Apolo tem um caráter questionável, e o preconceito já vai mudando. O problema são os preconceitos contra que resistem a tudo, impedindo que você veja a pessoa, o indivíduo, que deixa assim de ser "essa gente". O preconceito danoso sempre considera tribos, ou grupos, "os diferentes são todos iguais", sempre referidos como "eles".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São esses preconceitos que devem ser punidos como crime, quando causam dano a alguém. Outra coisa bem diversa é um preconceito que percebemos em nós, mas cuidamos de questioná-lo e não deixar que ele transborde como prática.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-1252195519345774941?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/1252195519345774941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/02/preconceitos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/1252195519345774941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/1252195519345774941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/02/preconceitos.html' title='Preconceitos'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-WcjfrWx7VX8/TzJpTlHXPlI/AAAAAAAADNM/_KYN6AsW9QU/s72-c/Preconceito01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-3043680301490078729</id><published>2012-02-04T12:48:00.001-02:00</published><updated>2012-02-04T12:48:26.750-02:00</updated><title type='text'>Temaki, liberdade e fraternidade</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-g2rZk5o4YrY/Ty1FKCrDoLI/AAAAAAAADMM/PHLDH7l4vrs/s1600/aeroporto-santos-dumont-05042010-hg.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://4.bp.blogspot.com/-g2rZk5o4YrY/Ty1FKCrDoLI/AAAAAAAADMM/PHLDH7l4vrs/s200/aeroporto-santos-dumont-05042010-hg.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Nossas elites não estavam todas lendo James Joyce&lt;br /&gt;quando foram atropeladas pelas hordas emergentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia uma amiga tuitou: "Temaki de goiabada com cream cheese: pode?". Conhecendo bem minha amiga, logo entendi que não se tratava de uma censura gastronômica, mas de uma irônica indagação sociológica, como se este rolo de alga, doce e queijo cremoso nos lançasse, das encruzilhadas do país, seu desafio de esfinge: "Decifra-me ou devoro-te".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes um temaki é apenas um temaki -às vezes, não. Esta versão Romeu &amp;amp; Julieta é reflexo da ascensão econômica de milhões de brasileiros: uma canoinha tricolor trepidando no centro da pororoca social; uma insolente dentada do gosto popular nas pudibundas nádegas da sofisticação. Que marcas deixará essa mordida? Não sei muito bem, mas desconfio que se olharmos através deste temaki como quem espia por uma luneta -pupila no orifício menor do cone, o maior apontado para o mundo, cuidado para não lambuzar os cílios- talvez consigamos enxergar algo do Brasil que se aproxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os arautos do apocalipse, aqueles que veem neste sincretismo culinário (como, aliás, em todo sincretismo) um sinal do fim dos tempos, a classe C está invadindo o país com seu mau gosto e falta de educação, deixando por onde passa um rastro de Fandangos e acordes de Michel Teló. Aterrorizados ao verem o real e a melanina escorrendo para cima através das classes sociais, soltam resmungos como "esse aeroporto tá parecendo uma rodoviária!" e sonham com os dias tão próximos e distantes em que a "gente diferenciada" queria emprego de doméstica, não estação de metrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, quem pensa que o gosto da classe C ameaça uma suposta sofisticação estética não entendeu patavina do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, nossas elites não estavam todas escutando Mahler e lendo James Joyce até outro dia, quando foram atropeladas pelas hordas emergentes, de isopor no ombro e pré-pago na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo, grande parte do que produzimos de culturalmente mais valioso, de Pixinguinha a Tom Jobim, de Aleijadinho à Tarsila do Amaral, do vatapá aos pratos do Alex Atala, é fruto do encontro do popular com o erudito, não de puristas isolados em torres de marfim. Foi isso o que os modernistas bradaram aos quatro ventos -já faz quase cem anos-, isso que os tropicalistas repetiram e remodelaram -lá se vão mais de quatro décadas-, mas que uma parte recalcitrante dos brasileiros se recusa a aceitar, ainda com delírios de um imorredouro projeto branqueador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou sendo ufanista. Estou sendo classista: classimedista. Lembremos de outro país onde a mistura de raças e heranças culturais, mais a criação de uma sólida classe média com o New Deal, a partir dos anos 1930, legou ao mundo o rock, o blues, o jazz, um bom quinhão do melhor cinema e da melhor literatura produzidos no século 20, além desse saudável desrespeito à tradição, pré-requisito para uma sociedade que se pretende igualitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desrespeito que a gente vê num solo do Charlie Parker ou, por exemplo, num temaki de goiabada com cream cheese. Pode não ser a minha comida favorita, mas por que é que o meu gosto deveria se impor aos demais? Democracia é isso aí, pessoal. Que bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANTONIO PRATA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-3043680301490078729?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/3043680301490078729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/02/temaki-liberdade-e-fraternidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3043680301490078729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3043680301490078729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/02/temaki-liberdade-e-fraternidade.html' title='Temaki, liberdade e fraternidade'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-g2rZk5o4YrY/Ty1FKCrDoLI/AAAAAAAADMM/PHLDH7l4vrs/s72-c/aeroporto-santos-dumont-05042010-hg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8311833982022540410</id><published>2012-01-28T14:21:00.001-02:00</published><updated>2012-01-28T14:21:38.275-02:00</updated><title type='text'>Ainda o jeito PSDB de ser...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-R6WOnkeGPpc/TyQghQzj_pI/AAAAAAAADJM/zwPrFY43FCE/s1600/golpe-militar.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="139" src="http://1.bp.blogspot.com/-R6WOnkeGPpc/TyQghQzj_pI/AAAAAAAADJM/zwPrFY43FCE/s200/golpe-militar.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="title"&gt;Governo de SP trata golpe militar de 'Revolução'&lt;/div&gt;&lt;div class="title"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Secretaria retirou texto do ar e disse que conteúdo não reflete pensamento da administração&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="origin"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOLHA DE SAO PAULO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Secretaria da Segurança Pública do governo de São Paulo tratou o golpe militar de 1964 como "Revolução de Março" e afirmou que ela foi "desencadeada para combater a política sindicalista de João Goulart".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A informação estava na página da secretaria na internet até as 19h de ontem, quando foi suprimida. A &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; havia questionado a secretaria pouco antes de o texto sair do ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por meio da assessoria da pasta, o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que "o texto relacionado ao ano de 1964 não reflete o pensamento da Secretaria da Segurança Pública e foi retirado do site". O órgão não informou desde quando o conteúdo estava no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto aparecia na seção "Institucional - Histórico" e afirmava que "em 25 de agosto de 1961, o presidente Jânio da Silva Quadros renunciou a seu mandato. Em 31 de março de 1964 iniciou-se a revolução, desencadeada para combater a política sindicalista de João Goulart. Força Pública e Guarda Civil puseram-se solidárias às autoridades e ao povo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O termo "revolução" é usado por militares que negam que tenha havido uma ditadura no país de 1964 a 1985.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem ao lado do texto era uma ilustração de pessoas carregando uma faixa com os dizeres: "Marcha da família com Deus pela liberdade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marcha foi uma manifestação contra o então presidente João Goulart, que aconteceu na cidade de São Paulo 12 dias antes do golpe que o tirou do poder.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POLÍCIA MILITAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O site da Polícia Militar de São Paulo trata o golpe de maneira semelhante. A seção sobre o brasão de armas da corporação diz que a 18ª estrela do escudo se refere a "1964, Revolução de Março".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dias, a corporação foi alvo de protestos que a acusam de ter cometido abusos na operação realizada na chamada cracolândia, na capital, e na reintegração de posse do Pinheirinho, em São José dos Campos. O governo diz que possíveis exageros serão punidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8311833982022540410?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8311833982022540410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/ainda-o-jeito-psdb-de-ser.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8311833982022540410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8311833982022540410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/ainda-o-jeito-psdb-de-ser.html' title='Ainda o jeito PSDB de ser...'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-R6WOnkeGPpc/TyQghQzj_pI/AAAAAAAADJM/zwPrFY43FCE/s72-c/golpe-militar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-471647533858899675</id><published>2012-01-28T14:18:00.002-02:00</published><updated>2012-01-28T14:18:49.388-02:00</updated><title type='text'>Jeito PSDB de ser...</title><content type='html'>Estatal de SP culpa 'morador de favela' por defeito em casas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-9F6LUxWCyA0/TyQfsIV3atI/AAAAAAAADJE/RoNiyeTXrig/s1600/119649-370x270-1.jpeg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="145" src="http://1.bp.blogspot.com/-9F6LUxWCyA0/TyQfsIV3atI/AAAAAAAADJE/RoNiyeTXrig/s200/119649-370x270-1.jpeg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&lt;i style="font-weight: normal;"&gt;Imóveis entregues por Alckmin em dezembro continuam com problemas, apesar de construtora ter prometido solução&lt;/i&gt;&lt;b&gt;&lt;i style="font-weight: normal;"&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-weight: normal;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Segundo diretor da CDHU, houve possível mau uso por moradores, que deveriam passar por orientação social&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;span class="credit"&gt;GABRIELA YAMADA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="origin"&gt;COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SÃO PAULO, DE RIBEIRÃO PRETO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ao constatar que casas entregues pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em Ribeirão Preto (SP) continuam com problemas, um dirigente da CDHU (órgão estadual de habitação) responsabilizou ontem os moradores pelos defeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 4, após a &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; revelar diversas falhas no conjunto habitacional Paulo Gomes Romeu, a Croma -construtora responsável pela obra- disse que resolveria os problemas em 20 dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte das casas foi entregue por Alckmin no final de dezembro e dias depois já apresentava as falhas.&lt;br /&gt;A reportagem voltou ao local ontem e anteontem e constatou que 12 de 16 casas continuam com problemas, como vazamentos nas pias, fissuras nas paredes e portas e janelas que não fecham.&lt;br /&gt;Em visita ao conjunto na manhã de ontem, Milton Vieira de Souza Leite, diretor regional da CDHU, disse que os problemas são possíveis reflexos de mau uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A gente conhece o nível de educação [dos moradores]... O pessoal veio da favela. Não está acostumado a viver em casa", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, questionado por telefone sobre a frase, ele disse que a adequação desses moradores no conjunto é uma questão complexa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não consegue mudar a educação delas [famílias] somente mudando de local." Segundo ele, seria preciso um trabalho social a longo prazo para resolver isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leite foi ao conjunto habitacional ontem após a &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; ter entrado em contato com a CDHU na quarta-feira para questionar sobre a continuidade dos problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o caso de um morador que afirmou à reportagem, no início do mês, que a pia da cozinha havia caído depois de ele ter colocado uma cesta básica sobre ela, Leite ironizou o episódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que ele foi comer era outra coisa", disse, insinuando que a pia caiu durante uma relação sexual.&lt;br /&gt;A frase foi dita em entrevista gravada na frente de oito pessoas, entre elas funcionários da CDHU e da Croma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a visita, em duas casas havia moradores dormindo, fato também questionado por Leite. "Você viu? Não sei se eles estavam dormindo porque trabalharam à noite ou porque continuam sem fazer nada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leite afirmou que todos os problemas apontados serão reparados pela construtora e que "o benefício está sendo muito maior que o sacrifício".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na casa de Lucimara Aparecida de Oliveira, 29, foi constatado o pior caso, de fissuras no entorno de portas e janelas. Elas estão abrindo "buracos" no entorno das portas dos quartos e da janela da sala.&lt;br /&gt;Sobre isso, Leite disse que o problema pode ter sido causado por batidas repetidas das portas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu acho um absurdo. Aqui ninguém ganhou casa, está todo mundo pagando", disse Lucimara.&lt;br /&gt;Os beneficiários do programa pagam mensalidades que vão de R$ 50 a R$ 150.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dona de casa Alessandra dos Santos Fernandes, 32, sofre com problemas de vazamentos nas pias do banheiro e da cozinha desde quando se mudou, em dezembro. "Já vieram arrumar, mas piorou. A casa fica sempre suja."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"A gente conhece o nível de educação [dos moradores]. O pessoal veio da favela. Não está acostumado a viver em casa&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Você não consegue mudar a educação delas somente mudando de local"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="text_footer"&gt;&lt;b&gt;MILTON VIEIRA DE SOUZA LEITE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;diretor regional da CDHU&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;"ABSURDO"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moradores do Paulo Gomes Romeo se dizem revoltados e ofendidos com as declarações do ex-dirigente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu sou faxineira. Cuido da minha casa da mesma forma que cuido da casa do meu patrão. Mas lá as paredes não lascam e não têm problema", afirmou, chorando, Luciana Regina Maranhão, 36.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visivelmente abalada com as declarações, a dona de casa Lucimara Aparecida de Oliveira, 29, disse que se sentiu vítima de preconceito pela CDHU. "Não é porque viemos das favelas que não temos educação", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-471647533858899675?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/471647533858899675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/jeito-psdb-de-ser.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/471647533858899675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/471647533858899675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/jeito-psdb-de-ser.html' title='Jeito PSDB de ser...'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-9F6LUxWCyA0/TyQfsIV3atI/AAAAAAAADJE/RoNiyeTXrig/s72-c/119649-370x270-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-843192846579588196</id><published>2012-01-28T14:13:00.001-02:00</published><updated>2012-01-28T14:13:57.525-02:00</updated><title type='text'>Operação Pinheirinho 3</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Io24X_4azno/TyQeJTFKAXI/AAAAAAAADI8/kSJ3QnuXYJE/s1600/424063_311727032198164_100000826080684_800577_1493858985_n.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="123" src="http://4.bp.blogspot.com/-Io24X_4azno/TyQeJTFKAXI/AAAAAAAADI8/kSJ3QnuXYJE/s200/424063_311727032198164_100000826080684_800577_1493858985_n.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="title"&gt;Operação desastrosa&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A julgar pelos resultados, a operação policial no Pinheirinho foi desastrosa: algumas pessoas saíram machucadas, famílias ficaram sem ter onde morar e o "imbróglio" judicial em torno da massa falida da Selecta não ficou mais perto do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa parte das consequências era previsível antes de o juiz assinar a reintegração de posse e a polícia executá-la. A pergunta é: por que tanta gente participou de uma ação da qual claramente resultaria mais mal do que bem? Respondê-la é tarefa para os novos cientistas do mal, pesquisadores como Roy Baumeister, que se dedicam a estudar como a violência brota e se espalha pela sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre várias descobertas e "insights" valiosos, Baumeister mostra que um modo eficaz de arrebanhar perpetradores para ações cruéis é dividir a responsabilidade, de preferência entre muitos atores, incluindo figuras de autoridade. A psicologia de grupo ensina que, nessas situações, poucos ousarão levantar a voz para denunciar a imoralidade e, como ninguém se sentirá pessoalmente responsável, não deverá opor muita resistência em tomar parte no processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma receita quase infalível é a preconizada pelo sistema: um juiz defere a reintegração e não tem mais nada a ver com isso; o governador manda a polícia cumprir a determinação judicial e sai de cena; o comandante ordena à tropa que aja, e os soldados, que têm juízo, obedecem. Ninguém é responsável sozinho e, por isso, fica fácil espancar uns pobres diabos e pôr famílias no olho da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, essa divisão do trabalho e das responsabilidades funciona para o bem, mas nem sempre. Se a ideia é fazer justiça e não só cumprir leis, juízes talvez devessem visitar as áreas a ser reintegradas e conversar com os moradores antes de assinar despachos. Os americanos chamam isso de "igual consideração de interesses", um princípio moral que alguns filósofos consideram tão ou mais importante que a própria noção de direitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HELIO SCHWARTSMAN &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-843192846579588196?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/843192846579588196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/operacao-pinheirinho-3.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/843192846579588196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/843192846579588196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/operacao-pinheirinho-3.html' title='Operação Pinheirinho 3'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Io24X_4azno/TyQeJTFKAXI/AAAAAAAADI8/kSJ3QnuXYJE/s72-c/424063_311727032198164_100000826080684_800577_1493858985_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-91848596006572595</id><published>2012-01-28T14:12:00.002-02:00</published><updated>2012-01-28T14:12:21.667-02:00</updated><title type='text'>Operação Pinheirinho 2</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Io24X_4azno/TyQeJTFKAXI/AAAAAAAADI8/kSJ3QnuXYJE/s1600/424063_311727032198164_100000826080684_800577_1493858985_n.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="123" src="http://4.bp.blogspot.com/-Io24X_4azno/TyQeJTFKAXI/AAAAAAAADI8/kSJ3QnuXYJE/s200/424063_311727032198164_100000826080684_800577_1493858985_n.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Miséria tucana e urbana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;A violência da polícia e a ausência de preparação para dar abrigo às famílias expulsas na desocupação do Pinheirinho indicam que o PSDB paulista interpretou de forma literal o artigo em que FHC dizia que o partido não iria longe se insistisse em disputar influência sobre o "povão" e os movimentos sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o episódio não veio só confirmar o reacionarismo crescente de líderes tucanos e lançar gasolina na fogueira do PSTU -que, no vácuo de um PT acomodado, liderava o movimento pela posse da área. Ele joga luz sobre um problema de todas as cidades do país, em maior ou menor grau.&lt;br /&gt;Trata-se da incapacidade política de implementar o Estatuto da Cidade -aprovado, aliás, no governo FHC. A lei dá instrumentos a prefeituras e Câmaras para conter a especulação imobiliária e prover moradia para os mais pobres em bairros com infraestrutura, evitando a formação de favelas e guetos periféricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte da massa falida de uma empresa que devia milhões em IPTU, o terreno do Pinheirinho era um caso óbvio de uso do estatuto. Se declarado zona especial de interesse social, seu preço cairia, facilitando a desapropriação e a regularização dos lotes ocupados há oito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, até pouco antes da controvertida reintegração de posse ditada pela Justiça, a Prefeitura de São José dos Campos dizia que o impasse era entre invasores e proprietários. Revelava um desprezo pela função social da terra urbana que também explica, em última instância, por que tanta gente ainda mora e morre em áreas de risco na serra do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ironia é que, do ponto de vista do mercado de consumo, parte dos ocupantes poderia ser enquadrada nas "novas classes médias" que FHC apontou como alvo preferencial do PSDB. Gente com mobília e eletrodomésticos novos, como se observa nas fotos, mas sem acesso à habitação legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLAUDIA ANTUNES &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-91848596006572595?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/91848596006572595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/operacao-pinheirinho-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/91848596006572595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/91848596006572595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/operacao-pinheirinho-2.html' title='Operação Pinheirinho 2'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Io24X_4azno/TyQeJTFKAXI/AAAAAAAADI8/kSJ3QnuXYJE/s72-c/424063_311727032198164_100000826080684_800577_1493858985_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-5545513820968889694</id><published>2012-01-28T14:11:00.001-02:00</published><updated>2012-01-28T14:11:48.289-02:00</updated><title type='text'>Operação Pinheirinho 1</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Io24X_4azno/TyQeJTFKAXI/AAAAAAAADI8/kSJ3QnuXYJE/s1600/424063_311727032198164_100000826080684_800577_1493858985_n.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="123" src="http://4.bp.blogspot.com/-Io24X_4azno/TyQeJTFKAXI/AAAAAAAADI8/kSJ3QnuXYJE/s200/424063_311727032198164_100000826080684_800577_1493858985_n.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O que houve em Pinheirinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A ação realizada pelo governo paulista por intermédio de sua Polícia Militar em Pinheirinho, São José dos Campos, usou o nome técnico de "reintegração de posse". Algum juiz chamaria, com base no direito que aprendeu, de reintegração de posse o que houve em Pinheirinho? Ou haveria como fazê-lo com base nos artigos e princípios reunidos pela Constituição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o nome técnico de reintegração de posse é insuficiente para designar a ação realizada em Pinheirinho, o que houve lá, com a utilização abusiva de um mandado judicial, ato tecnicamente legítimo de um magistrado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ataque foi às seis da manhã. Para surpreender, como se deu, os ocupantes da ex-propriedade de Naji Nahas ainda dormindo ou nos seus primeiros afazeres pessoais.&lt;br /&gt;O governo Alckmin e o prefeito de São José dos Campos, ainda que há muito sabedores de que a reclamada reintegração exigiria a instalação das 2.000 famílias desalojadas, não incomodaram nesse sentido o seu humanitarismo de peessedebistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sair para onde? -Eis o impulso da resistência dos mais inconformados ou menos subjugados pelos séculos de história social que lhes cabe representar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso dizer o que acho que devessem fazer já à primeira brutalidade covarde da polícia. Seja, porém, o que for que tenham feito, o direito de defesa está na Constituição como integrante legítimo da cidadania. E se foi utilizado, duas razões o explicam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma, a ação policial de maneiras e formas não autorizadas pelo mandado de reintegração de posse, por inconciliáveis com os limites legais da ação policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda razão, a absoluta inexistência das alternativas de moradia que o governo Alckmin e o prefeito Eduardo Cury tinham a obrigação funcional e legal de entregar aos removidos, para não expulsar, dos seus forjados tetos para o danem-se, crianças, idosos, doentes, as famílias inteiras que viviam em Pinheirinho há oito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atendidas essas duas condições, só os que perdessem o juízo prefeririam ficar na área ocupada, e alguns até resistirem à saída. Logo, ficam ali caracterizadas as responsabilidades de quem faltou com seus deveres e, por ter faltado, recorreu à arbitrariedade plena: tiros e vítimas de ferimentos, surras com cassetetes e partes de armamentos (mesmo em pessoas de mãos elevadas, indefesas e passivas, como documentado); destruição não só das moradas, mas dos bens -perdão, bem nenhum- das posses mínimas que podem ter as pessoas ainda carentes de invasões para pensar que moram em algum lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que houve em Pinheirinho, São José dos Campos, SP, não foi reintegração de posse.&lt;br /&gt;Essa expressão do direito não se destina a acobertar nem disfarçar crimes. Entre eles, o de abuso de poder contra governados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANIO DE FREITAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-5545513820968889694?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/5545513820968889694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/operacao-pinheirinho-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5545513820968889694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5545513820968889694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/operacao-pinheirinho-1.html' title='Operação Pinheirinho 1'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Io24X_4azno/TyQeJTFKAXI/AAAAAAAADI8/kSJ3QnuXYJE/s72-c/424063_311727032198164_100000826080684_800577_1493858985_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-4174592060036504970</id><published>2012-01-21T13:52:00.002-02:00</published><updated>2012-01-21T13:52:51.328-02:00</updated><title type='text'>A covardia do comandante Schettino nos envergonha de nós mesmos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-WqT0ut4iawM/TxrfMDCyQzI/AAAAAAAADH0/ZVPUAlv1Udc/s1600/naufragio-italia-g-20120115.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://2.bp.blogspot.com/-WqT0ut4iawM/TxrfMDCyQzI/AAAAAAAADH0/ZVPUAlv1Udc/s200/naufragio-italia-g-20120115.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;TEMOS UMA PREDISPOSIÇÃO CULTURAL À COVARDIA,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;POIS NÃO HÁ NADA CUJA SOBREVIVÊNCIA&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;NOS IMPORTE MAIS DO QUE A NOSSA&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O covarde morre mil vezes, o corajoso, uma vez só" é a frase com a qual Julio César se despede da mulher, Calpúrnia, quando ela tenta convencê-lo a não ir para o Capitólio no dia em que ele será assassinado. Isso, segundo Shakespeare.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase significa que o covarde teme por sua vida. Isso é o que o define: ele enxergará mil vezes a possibilidade de sua morte, antes de esbarrar nela de fato. O corajoso só se preocupará quando for mesmo a hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase de Hamlet, segundo a qual a consciência nos torna covardes, não se afasta muito da de César: ser corajoso seria agir por alguma razão mais importante do que a própria fantasia do que nos espera depois da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas observações: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro: é provável que o corajoso receie perder a vida tanto quanto o covarde, mas aja apesar desse medo -porque, para ele, algo é mais importante do que sobreviver. Citação por citação, Catherine, em "Adeus às Armas", de Hemingway, propõe uma resposta à frase de Júlio César: "O corajoso, se for inteligente, talvez morra 2.000 vezes. Só que ele não vai mencionar nenhuma delas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo: aparentemente, saber o que é um covarde se torna, na modernidade, questão crucial. Por que será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, modernos, passamos a prezar singularmente nossa sobrevivência. Mesmo quando acreditamos no além, achamos que o término de nossa vida terrena é o fim de tudo o que importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto faz que nossas ideias triunfem, nada compensa o fim de nossa existência -salvo, em parte, nossas crianças, que amamos selvagemente por serem nossa única esperança de certa continuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, inelutavelmente, por prezarmos tanto nossa vida individual, temos uma predisposição cultural à covardia, pois não há nada, em tese, cuja sobrevivência nos importe mais do que a nossa. A vantagem dessa covardia cultural é que ela nos dá o tempo necessário para pensar e pesar as causas pelas quais poderíamos nos arriscar a perder a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado é positivo, à primeira vista: covarde, para nós, hoje, é quem foge de um perigo que a maioria consideraria justo correr. Ou seja, nossa covardia cultural faz com que nos engajemos de maneira seletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, os pacifistas que se recusavam a servir no Exército dos EUA durante a Guerra do Vietnã não pareciam ser covardes; numa guerra justa, como a Segunda Guerra Mundial, eles teriam servido com gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, essa não era a opinião de muitos psiquiatras do Exército e da Marinha dos EUA, os quais achavam que o pacifismo de grande parte desses recrutas, quando não era mentira, era formação reativa -um jeito de racionalizar com belas palavras seu medo de arriscar a vida pelo seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade está sempre no meio: devia haver, no lote, pacifistas e bundas moles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos ao capitão Schettino, do Costa Concordia. Ele é objeto de execração porque seu comportamento retrata um traço cultural que todos compartilhamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Schettino colocou sua própria vida acima da vida de sua tripulação e de seus passageiros, assim como acima do código de honra da marinha -nisso, ele encarnou o espírito dos nossos tempos e, literalmente, ele nos envergonha de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase do comandante De Falco, da capitania do porto de Livorno, "Vá a bordo, caralho", parece expressar a vontade de termos todos um De Falco que nos fale e nos lembre de que talvez haja, às vezes, algo mais importante do que a nossa pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspeito que Schettino seja especialmente detestado porque ele desperdiçou uma excelente e fácil ocasião para sair de herói na foto, sem grande custo (e para compensar assim sua incompetência, responsável pelo naufrágio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Schettino não corria risco de vida. No pior dos casos, seria o último a cair no mar. E daí? Por frio que seja o Tirreno no inverno, um nadador medíocre chegaria tranquilamente à costa da ilha de Giglio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, na conversa telefônica com De Falco, Schettino responde à ordem de voltar a bordo (de onde nunca deveria ter saído), com esta explicação: "Mas aqui está tudo escuro". De Falco rebate debochando daquele medo infantil: "O que é, Schettino, está tudo escuro, e você está a fim de voltar para casa?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na conversa, essa é a parte "pior". Tudo bem, Schettino não colocou nada acima de sua própria vida, não "cresceu" na circunstância, mas, além disso, ele encolheu -ficou esperando que um adulto o pegasse pela mão e o tirasse do escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino o sentimento dos italianos: numa época em que precisamos tanto de liderança, será que nossos "capitães" são todos Schettinos? Ninguém consegue ser o adulto com quem podemos contar no escuro e no perigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Hegel, a origem da liderança está na coragem de colocar a vida em risco. Quem se expõe à possibilidade de morrer se torna mestre. E os outros, os que preferem preservar sua vida, escravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os escravos, como Hegel previa, tomaram conta da terra, e é ótimo que assim seja. Mas resta a sensação bizarra de que não haja mais ninguém como o mestre antigo, ninguém disposto a encarar a morte -para nos defender, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTARDO CALLIGARIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-4174592060036504970?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/4174592060036504970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/covardia-do-comandante-schettino-nos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/4174592060036504970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/4174592060036504970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/covardia-do-comandante-schettino-nos.html' title='A covardia do comandante Schettino nos envergonha de nós mesmos'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-WqT0ut4iawM/TxrfMDCyQzI/AAAAAAAADH0/ZVPUAlv1Udc/s72-c/naufragio-italia-g-20120115.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-64811006739427361</id><published>2012-01-14T15:28:00.000-02:00</published><updated>2012-01-14T15:28:01.150-02:00</updated><title type='text'>A véspera do tudo e do nada</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-amagXdGbfew/TxG6bNGOhAI/AAAAAAAADHE/SwkQ_cyJUXc/s1600/thumb_eternidade.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="152" src="http://4.bp.blogspot.com/-amagXdGbfew/TxG6bNGOhAI/AAAAAAAADHE/SwkQ_cyJUXc/s200/thumb_eternidade.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A pergunta é: o que se deve pensar na véspera de nossa morte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela foi feita a monsieur Verdoux, um dos personagens da fase madura e final de Charles Chaplin (1889-1977).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No filme homônimo, de 1947, o personagem está preso e condenado à guilhotina. Bancário durante 30 anos, ao perder o emprego decidiu casar ou namorar mulheres ricas, matava-as com frieza e sabedoria, e só por acaso foi descoberto pela polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praticamente, ele já estava cansado do ofício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chaplin se inspirara num caso real, vivenciado por Landru, assassino em série que aterrorizou Paris entre 1914 e 1919. Orson Welles ameaçou processar Chaplin, alegando que tivera a mesma ideia antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um acordo: para não brigar com o amigo, Chaplin deu-lhe crédito no filme e pagou US$ 5.000 ao autor de "Cidadão Kane", graciosamente, pois a ideia central da produção pertencia aos arquivos da polícia e da Justiça da França. Na realidade, não precisava pagar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil (e ocioso) imaginar como seria o monsieur Verdoux de Orson Welles. Certamente, seria mais solene e cinematográfico, tenderia a um personagem mais cínico e menos filosófico. Um exemplo: a pergunta que inicia esta crônica não seria feita ao criminoso que caminha para a guilhotina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, quem faz a pergunta é uma prostituta que abandonou o ofício e casou-se com um milionário, um fabricante de armas para o Exército francês. Nos tempos de rua e fome, ela fora ajudada por Verdoux.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta recebe a resposta "não" de Verdoux, o personagem, mas a de Charles Spencer Chaplin é uma das muitas tiradas que ele usou até excessivamente após se render ao cinema falado: "O que deve pensar uma criança na véspera de seu nascimento?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que seria mais assustador: o nada da eternidade ou o tudo da condição humana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CARLOS HEITOR CONY&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-64811006739427361?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/64811006739427361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/vespera-do-tudo-e-do-nada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/64811006739427361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/64811006739427361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/vespera-do-tudo-e-do-nada.html' title='A véspera do tudo e do nada'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-amagXdGbfew/TxG6bNGOhAI/AAAAAAAADHE/SwkQ_cyJUXc/s72-c/thumb_eternidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-3941917615340744380</id><published>2012-01-08T17:29:00.003-02:00</published><updated>2012-01-08T17:29:15.658-02:00</updated><title type='text'>Viver sempre também cansa</title><content type='html'>&lt;div class="" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-1Qn_fbIkoKY/TwnuFwTqJaI/AAAAAAAADCE/CbTw9XpxenE/s1600/20121024x768.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://3.bp.blogspot.com/-1Qn_fbIkoKY/TwnuFwTqJaI/AAAAAAAADCE/CbTw9XpxenE/s200/20121024x768.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-1Qn_fbIkoKY/TwnuFwTqJaI/AAAAAAAADCE/CbTw9XpxenE/s1600/20121024x768.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;O milenarismo pós-moderno é semelhante ao milenarismo antigo. Vaidade, tudo é vaidade&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E PRONTO: aqui estamos nós em 2012, o ano em que o mundo vai acabar. Existem cenários para todos os gostos. O mais conhecido foi fornecido pelos maias, uma encantadora civilização bárbara que marcou encontro com o fim para dia 21 de dezembro próximo. Se o leitor gosta de comprar os seus presentes de Natal com alguma antecedência, o melhor é segurar as rédeas. O gasto pode ser inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque há muito por onde escolher: se o mundo não acabar a 21 de dezembro, pode acabar antes. Sem aviso prévio. Um cometa. Uma explosão solar. Um terremoto. Um maremoto. Uma guerra mundial (e nuclear). O primeiro pensamento inteligente de Hugo Chávez -tudo pode acontecer. Mas a humanidade não chega a 2013.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deprimido, leitor? Não esteja. Ninguém está: lemos páginas e páginas dessas apocalípticas visões, espalhadas pela internet ou pela imprensa da virada do ano, e o tom é expectante, febril. Quase festivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então concluímos como o milenarismo pós-moderno é bastante semelhante ao milenarismo antigo. Vaidade, tudo é vaidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norman Cohn, um gigante do pensamento político contemporâneo (hoje esquecido), escreveu há mais de meio século uma obra fundamental sobre o assunto. Intitula-se "Na Senda do Milénio: Milenaristas Revolucionários e Anarquistas Místicos da Idade Média" (Editorial Presença, 1981, 334 págs.) e a ambição de Cohn foi, precisamente, mostrar o que havia de soberbo nas seitas revolucionárias e milenaristas da Europa medieval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os textos bíblicos anunciam a segunda vinda de Cristo e a instituição de um reino milenar antes do Julgamento Final? Amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as seitas milenaristas, recrutadas no lúmpen da sociedade medieval por autointitulados profetas, não estavam dispostas a esperar que a história humana cumprisse o seu curso inexorável.&lt;br /&gt;Tal como os bolcheviques na Rússia de 1917, era preciso "apressar" essa vinda redentora, o que implicava "remover" os obstáculos "impuros" (leia-se: judeus, membros do clero, grupos abastados etc.) que impediam a consumação da escatologia cristã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os massacres que se cometeram na Europa do Norte entre os séculos 11 e 16, e que Cohn recria magistralmente no livro, acabariam por ter a sua réplica, com o mesmo espírito utópico, mas uma redobrada violência e apuro técnico, pelos movimentos totalitários do século 20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o homem pós-moderno já não está interessado em precipitar "o paraíso na Terra", talvez por ainda ter presente os resultados pavorosos da última tentativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, verdade seja dita, também não espera que, no termo da sua caminhada mundana, haverá a salvação dos justos e a perdição dos injustos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas persiste ainda, na sua alma rigorosamente descrente, essa fagulha de vaidade milenarista: a vaidade típica de quem se considera um sujeito único na história; e, por isso mesmo, merecedor de assistir ao maior espetáculo do mundo sentado na primeira fila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fantasiar o fim do mundo é uma forma de nos fantasiarmos a nós como testemunhas desse fim do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, além disso, é também uma forma conveniente de sacudirmos um pouco o tédio existencial da nossa condição pós-moderna, da mesma forma que os nossos antepassados medievais procuravam libertar-se da miséria material que os rodeava pela violência utópica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vaidade e tédio, eis a combinação dos nossos namoros apocalíticos. Que, às vezes, divertem.&lt;br /&gt;A esse respeito, lembro-me bem do Réveillon de 1999, quando soaram as doze badaladas. A ansiedade estava ao alto: foram meses e meses com notícias tenebrosas de que um "bug" informático iria paralisar o mundo na chegada do ano 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, quando 2000 chegou, nada de nada. Ou, melhor dizendo, tudo de tudo: a mesma vida para viver; o mesmo trabalho para fazer; as mesmas contas para pagar; a mesma mulher, ou o mesmo homem, para suportar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na festinha onde me encontrava, lembro-me até da pergunta de um colega pasmo: "Era isso o bug?" Pergunta de desânimo, não de alívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Razão tinha o poeta. Viver sempre também cansa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-3941917615340744380?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/3941917615340744380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/viver-sempre-tambem-cansa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3941917615340744380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3941917615340744380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2012/01/viver-sempre-tambem-cansa.html' title='Viver sempre também cansa'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-1Qn_fbIkoKY/TwnuFwTqJaI/AAAAAAAADCE/CbTw9XpxenE/s72-c/20121024x768.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-5647591862039784559</id><published>2011-12-28T07:57:00.003-02:00</published><updated>2011-12-28T07:57:24.257-02:00</updated><title type='text'>Amor, paixão e amizade</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-VryOfz7mT7E/Tvrn4cKG5sI/AAAAAAAAC9s/1EOZIQrkyZo/s1600/97282305.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-VryOfz7mT7E/Tvrn4cKG5sI/AAAAAAAAC9s/1EOZIQrkyZo/s320/97282305.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;O maior problema do casamento é a morte do desejo sexual, já que este se alimenta da falta, da incerteza&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus pesquisados apontam três ingredientes presentes no casamento: amor, paixão e amizade. O amor aparece como um sentimento amplo e difícil de ser definido. É diferente da paixão, inicial e provisória, que se transforma em amor ou acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo os entrevistados, é impossível manter um estado permanente de paixão, por dois motivos: ela não resiste ao cotidiano e sua irracionalidade é insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não acaba como fogo de palha, a paixão se transforma em algo mais tranquilo: o amor. Já esse, para durar, deve conter resíduos da paixão inicial ou corre o risco de se transformar em outro sentimento: a amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casamento deve combinar os três sentimentos: uma grande dose de amor com pitadas de paixão e amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter cuidado para não desequilibrar essas porções, já que uma grande dose de amizade poderia destruir o desejo sexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor se encontra entre a paixão e a amizade. É menos explosivo do que a primeira, mas menos morno do que a segunda. É mais tranquilo do que a paixão, mas menos seguro do que a amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a paixão é insuportável por sua imprevisibilidade e sua loucura, o perigo da amizade está na racionalidade e na rotina. Um equilíbrio complicado é necessário para que uma e outra estejam presentes no casamento, mas que não sejam mais fortes do que o sentimento de amor.&lt;br /&gt;A paixão é associada ao excesso de sexo. A amizade é relacionada à falta dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sexo deve ser frequente e agradável, mas mais controlado do que na paixão. O casal deve estar atento para não deixá-lo cair na rotina e na burocracia, fantasma que ameaça os relacionamentos.&lt;br /&gt;A ideia de que é possível administrar esses três sentimentos apareceu entre os pesquisados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão, mais irracional, deve ser domada, mas não pode ser excluída do casamento. Uma dose controlada de insegurança e de incerteza sobre a posse do outro é considerada necessária para alimentar o desejo sexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa matemática complicada torna os casais reféns de lógicas contraditórias. Os pesquisados apontam como perigos para o casamento a rotina, a burocratização, a mesmice. Mas falam também da necessidade de fidelidade, segurança, tranquilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior problema do casamento, dizem eles, é a morte do desejo sexual, já que este se alimenta da falta, da insegurança, da incerteza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como conciliar, então, amor e desejo sexual no casamento? Eis a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="text_footer"&gt;&lt;b&gt;MIRIAN GOLDENBERG&lt;/b&gt; é antropóloga, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-5647591862039784559?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/5647591862039784559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/12/amor-paixao-e-amizade.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5647591862039784559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5647591862039784559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/12/amor-paixao-e-amizade.html' title='Amor, paixão e amizade'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-VryOfz7mT7E/Tvrn4cKG5sI/AAAAAAAAC9s/1EOZIQrkyZo/s72-c/97282305.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-2102957468276981897</id><published>2011-12-17T10:50:00.000-02:00</published><updated>2011-12-17T10:53:41.542-02:00</updated><title type='text'>Farelo de nada</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-AkGuDCdRwOg/TuyQawsJ8JI/AAAAAAAAC9U/uABqrsGgNSE/s1600/logo-meu-espaco.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;Cada um de nós precisa de um espaço para sermos nós mesmos,&lt;br /&gt;para evitar os choques, as trombadas&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-AkGuDCdRwOg/TuyQawsJ8JI/AAAAAAAAC9U/uABqrsGgNSE/s1600/logo-meu-espaco.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="196" src="http://2.bp.blogspot.com/-AkGuDCdRwOg/TuyQawsJ8JI/AAAAAAAAC9U/uABqrsGgNSE/s320/logo-meu-espaco.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;Li não sei onde que as autoridades responsáveis pelo tráfego aéreo decidiram diminuir o espaço entre os aviões em voos de carreira. Antes, a distância entre dois aparelhos devia ser de 15 milhas. Agora será de dez milhas, para facilitar a arrumação lá em cima e ganhar tempo na fila das chegadas. Não sei se estou certo ou se entendi errado. O fato é que o espaço lá em cima precisa de rigor, para efeito de navegação aérea. O céu não é o limite: há faixas congestionadas e atrasos cada vez mais frequentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado a apelar para o avião em várias circunstâncias, sempre me preocupei com esse tipo de problema. Cheguei mesmo a escrever um romance com um título que muita gente até hoje estranha: "Tijolo de Segurança". O próprio Ênio Silveira, da Civilização Brasileira, que era a minha editora de então, não sabia o que era nem para que servia um tijolo de segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha lido numa revista técnica, publicada nos Estados Unidos, que os aviões em voo de carreira eram obrigados a manter uma distância de tantas milhas à esquerda e à direita, e outras tantas milhas em cima e embaixo, formando um quadrilátero espacial que garantiria a autonomia do aparelho. Era o "tijolo de segurança".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transformei esse tijolo em metáfora. Cada um de nós ocupa um espaço irrelevante no universo físico, mas fundamental no espaço interior de nossas frustrações, pânicos, sonhos e esperanças. Podemos nos espremer numa fila, num estádio, dentro de um ônibus ou avião, mas cada um de nós precisa de um espaço para sermos nós mesmos, espaço pelo qual procuramos zelar para evitar tanto quanto possível os choques, as trombadas que podem nos ferir ou derrubar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria o terceiro romance de minha participação no mercado editorial brasileiro; ganhou um prêmio, que era o maior daquele tempo, e teve várias reedições. Acontece que nunca dei muita bola para ele, pois estava obrigado a fazer um romance por ano, não tinha tempo nem vontade de acompanhar o que hoje se chama "fortuna crítica". Evidente que provocou resenhas ferozes e elogios afetuosos, mas eu já estava em outra, preparando o "Informação ao Crucificado", que me deu muito trabalho porque tinha um caráter de autobiografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que, na semana passada, minha secretária descobre numa velha estante do meu gabinete o original desse romance, que eu julgava perdido nas mudanças que fiz pela vida afora.&lt;br /&gt;Na última página, tem uma data: 4 de setembro de 1957. Como estou em tratamento que me obriga a ficar muito tempo deitado, espetado por algumas agulhas, um dia desses levei o original e comecei a ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horror e mais horror! Tirante a história em si, que me pareceu boa (sou ruim de histórias, nunca dei bola para os enredos), o texto é lamentável. A começar pela forma de diário, tudo na primeira pessoa. Já publicara dois romances assim e, ao mandar o original para a editora, apelei para a terceira pessoa, o que em parte salvou alguma coisa, mas não o todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz divagações imbecis; a maioria delas eu consegui eliminar na versão que foi publicada e que ganhou, como já disse, um prêmio importante na época. Mesmo assim, o primeiro jato saiu abominável. Há uma cena em que, perseguindo uma mulher casada que entrara na cobiça do personagem principal, ele foi parar numa sessão espírita. Fingindo-se possuído por uma entidade sacana, avançou em cima da mulher que estava acompanhada pelo marido. Deu merda total. A colisão não foi no espaço aéreo ou espiritual. Ficou registrada na 13ª Delegacia Policial, em forma de BO, boletim de ocorrência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra cena, essa inspirada num episódio real, o personagem estava bêbado e deu carona para um certo Tom, que era o próprio Jobim, que também estava acima do bem e do mal. Ali perto da praça Paris, bateram com o carro, um MG daqueles anos, pequenino, sem capota e quase sem freios. Deu merda também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a grande merda foi o original em si, todo ele. Se tivesse publicado aquela primeira versão, não haveria tijolo de segurança que me salvasse. Tenho uma geringonça que pica papel, reduzindo-o a uma pasta. Infelizmente, ainda não tenho nenhum equipamento que possa reduzir o autor a um farelo de nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-2102957468276981897?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/2102957468276981897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/12/farelo-de-nada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2102957468276981897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2102957468276981897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/12/farelo-de-nada.html' title='Farelo de nada'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-AkGuDCdRwOg/TuyQawsJ8JI/AAAAAAAAC9U/uABqrsGgNSE/s72-c/logo-meu-espaco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8616281429969466690</id><published>2011-12-12T17:58:00.001-02:00</published><updated>2011-12-12T18:00:06.830-02:00</updated><title type='text'>Pentimentos</title><content type='html'>&lt;div class="eye"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-OpBTejh7HV0/TuZcYUiw0cI/AAAAAAAAC7g/dgQTBK9aSJA/s1600/joserobertoaguilar_sp2010_f_021.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="104" src="http://2.bp.blogspot.com/-OpBTejh7HV0/TuZcYUiw0cI/AAAAAAAAC7g/dgQTBK9aSJA/s200/joserobertoaguilar_sp2010_f_021.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Sonhamos com escolhas passadas alternativas,&lt;br /&gt;que teriam nos levado a um presente diferente&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="eye"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="eye"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;"Pentimento" é a palavra italiana para arrependimento, mas designa (em muitas línguas) uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro.&lt;br /&gt;Às vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras vezes, os raios-x dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei nisso assistindo a "Um Dia", de Lone Scherfig, que estreou na sexta passada. O filme é a adaptação do romance homônimo de David Nicholls (Intrínseca), que foi uma das leituras que mais me tocaram neste ano e que já comentei brevemente na coluna de 21 de julho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro e o filme (cujo roteiro é do próprio Nicholls) contam a história de Emma e Dexter, que são unidos pelo pentimento: cada um deles é o grande pentimento do outro -ou seja, ao longo dos anos, cada um é, para o outro, a lembrança de que um outro destino teria sido possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reflexões, saindo do cinema:&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Nossas vidas são abarrotadas de caminhos que deixamos de pegar; são todos pentimentos, mais ou menos encobertos: histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou a coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.&lt;br /&gt;Emma e Dexter, por exemplo, ficam cada um como pentimento do outro porque nenhum dos dois consegue renunciar à sua insegurança (que é, aliás, o que os torna tão tocantes e parecidos com a gente): ela morrendo de medo de ser rejeitada, e ele, sedento de aprovação, fama e sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Emma e Dexter, por exemplo, são condenados a fracassos amorosos pela própria importância de seu pentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Nem sempre os pentimentos são bons conselheiros -até porque, às vezes, eles são falsos (esse, obviamente, não é o caso de Emma e Dexter). Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Graças às redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado.&lt;br /&gt;No reencontro, um namorico da adolescência, insignificante e esquecido, transforma-se em (falso) pentimento, ou seja, numa aventura que poderia ter aberto para nós as portas do paraíso (onde ainda estaríamos agora, se tivéssemos ousado trilhar esse caminho).&lt;br /&gt;Quando examino as fotos de minhas turmas do colégio, sempre fico com a impressão de que deixei amizades e amores inacabados ou nem começados, mas que teriam revolucionado meu futuro. É como se me perguntasse "Quem era minha Emma? Para quem eu era o Dexter?", fantasiando pentimentos de relações que nunca existiram.&lt;br /&gt;Somos perigosamente nostálgicos de escolhas passadas alternativas, que teriam nos levado a um presente diferente. Se essas escolhas não existiram, somos capazes de inventá-las -e de vivê-las como pentimentos.&lt;br /&gt;Avisos: os pentimentos não são necessariamente recíprocos, e os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Estreia amanhã "As Canções", de Eduardo Coutinho. Homens e mulheres cantam a música que foi crucial na sua vida (e explicam por que ela foi crucial). Em alguns casos, especialmente tocantes, as músicas são trilhas sonoras de pentimentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8616281429969466690?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8616281429969466690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/12/pentimentos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8616281429969466690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8616281429969466690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/12/pentimentos.html' title='Pentimentos'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-OpBTejh7HV0/TuZcYUiw0cI/AAAAAAAAC7g/dgQTBK9aSJA/s72-c/joserobertoaguilar_sp2010_f_021.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-123281429069143891</id><published>2011-12-01T14:04:00.001-02:00</published><updated>2011-12-01T14:06:09.995-02:00</updated><title type='text'>Humm, me engana que eu gosto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-zpuidEUIjPA/Ttel3-9bctI/AAAAAAAACzs/FrTOH_ugD-g/s1600/Livre%2Barb%25C3%25ADtrio1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-zpuidEUIjPA/Ttel3-9bctI/AAAAAAAACzs/FrTOH_ugD-g/s200/Livre%2Barb%25C3%25ADtrio1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5681191836163207890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Uma de nossas ilusões é o tamanho do livre arbítrio,&lt;br /&gt;ele inaugurou-se na mordida da maçã, à força&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; "Eu prefiro sonhar a ser triste", disse o portuga da novela para  Griselda, seu amor impossível. É, eu vejo novela de vez em quando, já  que é a principal fonte de reflexão sobre assuntos nunca pensados pela  maioria dos brasileiros.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Raramente vi uma síntese tão bonita do "me engana que eu gosto" quanto esta.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Nossa espécie não gosta muito da verdade, apesar de ser capaz de concebê-la e assimilá-la, às vezes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; É só pensar quantos creem na continuação da vida após a morte, mesmo  sabendo que nenhum Windows roda depois que o disco rígido queima, que  não há software sem hardware para fazê-lo funcionar, que não há alma que  sobreviva a um cérebro morto.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Você já tomou anestesia geral? Uma situação em que o cérebro fica  inoperante? Então já experimentou o sentimento do "nada". Não há  sensações, nem memórias, não há nada. Você já experimentou a morte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Quem somos nós? Um programa "Eu" que roda entre as conexões de nossos  neurônios e nos dá a ilusão de existirmos. Entre outras ilusões: a de  controle (tal coisa não existe, nem para atravessar uma rua: espere o  sinal, olhe para os dois lados e você estará aumentando suas chances de  chegar vivo ao outro lado); de sermos quem manda em nossas vontades, sem  levar em consideração a natureza (pense nas vezes que você transou sem  camisinha).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Uma de nossas ilusões é o tamanho do livre arbítrio (ou, escolha nossa,  livre de condicionamentos culturais ou genéticos). Meus professores  jesuítas diziam que Adão exerceu o livre arbítrio ao comer o fruto da  arvore do conhecimento e por isto foi expulso do paraíso. "Mas, padre,  se o Criador lhe deu curiosidade, foi seu modelo ideal, pôs a seu  alcance o instrumento de torná-lo semelhante a seu Pai, ainda com o  poder de divergir da opinião Dele, o que restava a Adão, senão querer  aquele fruto?" A ilusão do livre arbítrio inaugurou-se na mordida da  maçã, à força.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Esta lenda é um marco histórico da eterna conversa entre a consciência e  a autoilusão, que é o que nos permite ir, às vezes mais para um lado  (Copérnico, a dizer que não era a Terra o centro do Universo), às vezes  para o outro (as várias maneiras de negar a morte, iniciadas há mais de  100 mil anos, com os rituais fúnebres, o que estabelece o começo de  nossa espécie: sabemos que vamos morrer, mas "continuaremos vivos").&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Você tem visto as propagandas eleitorais na TV. Preciso dizer mais em  relação ao "me engana que eu gosto"? Está bem, nos últimos anos  mergulhamos num clima de cinismo sem comparação, ministros corruptos são  demitidos com lágrimas e elogios, mas mesmo assim...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; A saúde mental combina uma confortável associação de busca da verdade e  desprezo por verdades muito incômodas. Portanto, a crença na vida eterna  não é nenhuma doença, e vivermos sem pensar na morte, pois estamos  vivos, é um equilíbrio. Mas a obsessão pela morte a ponto de se explodir  em nome de uma causa, para chegar ao paraíso, certamente é uma doença.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Um ditado dá num bom acordo: "A morte é um momento, e não me roubará da vida nada mais do que ela é, seu momento". &lt;/p&gt;   &lt;span class="text_footer"&gt;&lt;p&gt; &lt;b&gt;FRANCISCO DAUDT&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-123281429069143891?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/123281429069143891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/12/humm-me-engana-que-eu-gosto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/123281429069143891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/123281429069143891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/12/humm-me-engana-que-eu-gosto.html' title='Humm, me engana que eu gosto'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-zpuidEUIjPA/Ttel3-9bctI/AAAAAAAACzs/FrTOH_ugD-g/s72-c/Livre%2Barb%25C3%25ADtrio1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-4426199376859852780</id><published>2011-11-25T08:00:00.001-02:00</published><updated>2011-11-25T08:02:36.943-02:00</updated><title type='text'>O processo de identificação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-4mcQRDoIqe4/Ts9nqAGDH6I/AAAAAAAACyw/KX8gj58G4bg/s1600/INTERR1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-4mcQRDoIqe4/Ts9nqAGDH6I/AAAAAAAACyw/KX8gj58G4bg/s200/INTERR1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5678871626415021986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Se a sua educação obrigou você a entubar conceitos odiados, forjaram na sua mente um superego cruel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; LÁ ESTAVA eu, em 1973, um jovem de 25 anos querendo saber qual seria o  melhor serviço de gastroenterologia para fazer minha formação (antes de  ser psicanalista fui gastroenterologista). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Um médico respeitado me disse para procurar o professor Alvariz no  Hospital de Bonsucesso, RJ. Não havia nada melhor no país. Com a  recomendação do médico, pedi ao professor para fazer um estágio de um  ano com ele. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Ele foi me avisando: não podia dar certificado, pois o INSS poderia ser  processado por vínculo empregatício. Não me interessava ser empregado, e  sim aprender com ele. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Aquele foi o ano da minha libertação da escolaridade: nunca mais teria  que estudar coisas indesejáveis. Só estudaria aquilo de que gostava. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Passei a estudar como nunca: por gosto! Primeiro, gastroenterologia e  doenças do fígado, parte mais difícil da especialidade e xodó do  professor, que era formado pelo doutor Popper, nos EUA, "nec plus ultra"  (nada acima). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; O que isso tem a ver com o processo de identificação? É que esse  processo é capaz de formar nosso "ego" (eu, em latim) e nosso "superego"  (acima de mim). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Se, pela sua educação, você foi obrigado a entubar conceitos odiados,  posturas autoritárias, críticas ácidas, humor sarcástico, discriminações  de superior e inferior com soberba, autocríticas demolidoras, ideias  catastróficas, pensamentos paranoicos, olhar amargo sobre a humanidade e  amarguras em geral, bem, formaram em você um superego cruel (o  superego, na origem, é um programa que nos protege do perigo, nos  defende e nos dá vontade de sermos melhores). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Completamente diferente é a formação do ego, um software que roda no  nosso cérebro nos dando a sensação de que existimos e que sabemos que  existimos, talvez a prerrogativa de nossa espécie - o homem que sabe que  sabe ("homo sapiens sapiens"). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; O ego (eu) é formado por encaixe de nosso desejo com coisas que ele  aprecia. Desejo não é igual a vontade, é trama mais complexa. Começa com  nossos instintos animais e vai se enriquecendo com aquilo que o atrai. A  admiração é uma dessas coisas. Mas tudo começa com a imitação. Como no  aprendizado da língua. Imitamos o português que ouvimos: sotaque;  sofisticação ou falta dela; riqueza ou pobreza vocabular. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Depois da imitação vem a elaboração. Também um conjunto de imitações que  vão compondo uma construção sofisticada, como uma trama de tecido sem  costuras, já não se sabe de onde se tirou cada pedaço, de tal maneira  que o produto final, o eu, torna-se autor. Não é mais cópia. É algo que  tem existência própria. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Freud considerava o ego a base da construção do sujeito (lembra da  gramática: sujeito, verbo e predicado? eu= sujeito; escrevi=verbo; este  artigo=predicado), do "eu", pois não mais orbita em sua origem, ainda  que a reverencie como exemplo, o que faço com o professor Alvariz. &lt;/p&gt;   &lt;span class="text_footer"&gt;&lt;p&gt; &lt;b&gt;FRANCISCO DAUDT&lt;/b&gt;, psicanalista, médico &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-4426199376859852780?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/4426199376859852780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/11/o-processo-de-identificacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/4426199376859852780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/4426199376859852780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/11/o-processo-de-identificacao.html' title='O processo de identificação'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4mcQRDoIqe4/Ts9nqAGDH6I/AAAAAAAACyw/KX8gj58G4bg/s72-c/INTERR1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-1468433001613371447</id><published>2011-11-20T09:17:00.004-02:00</published><updated>2011-11-20T09:25:56.848-02:00</updated><title type='text'>A fórmula da felicidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-EEyq8Rjtmjk/TsjjrY8_8XI/AAAAAAAACwU/p0GVQPbdQW4/s1600/Formula%2Bda%2BFelicidade.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-EEyq8Rjtmjk/TsjjrY8_8XI/AAAAAAAACwU/p0GVQPbdQW4/s200/Formula%2Bda%2BFelicidade.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5677037664872690034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt; 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&lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;Nela, esse pensador discute dilemas muito presentes no universo de homens e mulheres que tenho pesquisado nos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bauman afirma que há dois valores absolutamente indispensáveis para uma vida feliz. Um é a segurança, o outro é a liberdade. Para ele, não é possível ser feliz e ter uma vida digna e satisfatória na ausência de qualquer um dos dois. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, ninguém, até hoje, encontrou a fórmula de ouro, a mistura perfeita entre segurança e liberdade. Cada vez que conseguimos mais segurança, entregamos um pouco da nossa liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando temos mais liberdade, entregamos parte da nossa segurança.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;Bauman cita "O Mal-Estar da Civilização", de Freud, para lembrar que a civilização é uma troca: sempre ganhamos e perdemos algo. Para Freud, os indivíduos entregaram liberdade demais em prol de segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, poderíamos ver o contrário: entregamos demais a nossa segurança em prol da liberdade.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;Nunca iremos encontrar a solução perfeita, o equilíbrio do pêndulo que vai ou em direção à liberdade ou em direção à segurança, conclui Bauman. E esse é o nosso grande dilema: nunca iremos parar de procurar essa mina de ouro, pois queremos ter liberdade e segurança ao mesmo tempo.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos filósofos contemporâneos consideram a vida de Sócrates como a mais perfeita que se possa imaginar. Bauman pergunta: o que isso significa? Significa que todos nós devemos imitar Sócrates e tentar ser iguais a ele? Não, ele responde. Ele não acredita em uma única maneira de ser feliz. Justamente porque Sócrates considerava que o segredo da sua felicidade estava no fato de ele próprio, por sua própria vontade, ter criado a forma de vida que ele viveu.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas que imitam a forma de vida e o modelo de felicidade de outra pessoa não são como Sócrates. Pelo contrário, elas traem a receita de felicidade dele. Precisamente porque o segredo de Sócrates pode ser traduzido de uma maneira simples: para cada ser humano há um mundo perfeito a ser construído especialmente para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mundo perfeito para cada indivíduo a ser inventado por cada um de nós.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:&amp;quot;;"&gt;Então, o que é mais importante para a sua felicidade? Liberdade ou segurança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"  &gt;MIRIAN GOLDENBERG &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=" line-height:115%;font-family:&amp;quot;;font-size:10.0pt;"  &gt;é antropóloga, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-1468433001613371447?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/1468433001613371447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/11/formula-da-felicidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/1468433001613371447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/1468433001613371447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/11/formula-da-felicidade.html' title='A fórmula da felicidade'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-EEyq8Rjtmjk/TsjjrY8_8XI/AAAAAAAACwU/p0GVQPbdQW4/s72-c/Formula%2Bda%2BFelicidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-2494628954206453151</id><published>2011-11-14T10:46:00.000-02:00</published><updated>2011-11-14T10:49:31.233-02:00</updated><title type='text'>Meus pais são bipolares</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-fkbya-Fc4sM/TsEOOJgmNxI/AAAAAAAACuo/5rDthBnUMVI/s1600/Como-saber-se-sou-bipolar.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-fkbya-Fc4sM/TsEOOJgmNxI/AAAAAAAACuo/5rDthBnUMVI/s200/Como-saber-se-sou-bipolar.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5674832641697134354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Hoje, a bipolaridade não é só&lt;br /&gt;um transtorno para alguns&lt;br /&gt;mas um traço da  personalidade de todos nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;O termo "bipolar" se tornou corriqueiro na boca dos adolescentes. Não é que eles  citem diagnósticos psiquiátricos, no estilo "sabe, minha mãe toma remédio porque  os médicos dizem que ela é bipolar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso; para eles, o termo é a  descrição genérica de um estado de espírito dominado por altos e baixos  radicais. Além disso, muitos adolescentes acham que, hoje, ser bipolar é a  regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acho ruim que termos clínicos se vulgarizem e entrem na linguagem  comum. Só me preocupa o fato de que, às vezes, psiquiatras e psicólogos adotam  essa vulgarização, confundindo a tristeza banal com o transtorno depressivo ou,  então, variações do humor banais com o transtorno bipolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso, claro,  a indústria farmacêutica faz a festa, pois vende antidepressivos a pessoas que  estão apenas tristonhas ou morosas e estabilizadores do humor a pessoas que são  apenas mais alegres pela manhã do que à noite. Seja como for, talvez os  adolescentes tenham razão. Talvez a bipolaridade, além de um transtorno para  alguns, seja hoje um traço da personalidade de todos nós. Por quê? Um pequeno  desvio para responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um grupo de trabalho encarregado de revisar o  "Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais", cuja quinta versão  ("DSM V") será publicada em 2013. Esse grupo manifesta periodicamente suas  decisões e seus pensamentos no site &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.dsm5.org/"&gt;www.dsm5.org&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;. Foi assim que em 2010, se não  me engano, soubemos que o "transtorno da personalidade narcisista" sumiria da  próxima versão do "Manual".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto mais bizarro que, aos olhos de muitos (assim  como aos meus), a personalidade narcisista, longe de estar extinta, é a que  melhor resume a subjetividade contemporânea. Antes de defini-la, vamos ver quais  foram as reações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A más línguas observaram que sempre somem os transtornos  contra os quais a indústria farmacêutica não tem remédios para vender (não  existe pílula para transtorno narcisista, enquanto existem várias para  bipolaridade e depressão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros, considerando que o transtorno da  personalidade narcisista coincidiria com o espírito de nossa época, acharam  normal que ele não fosse mais considerado como uma patologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, muitos  psicanalistas (sobretudo alunos de Heinz Kohut e de Otto Kernberg, grandes  intérpretes do narcisismo) protestaram, e eis que, numa revisão de 21 de junho  passado, o transtorno narcisista reapareceu no "DSM" (&lt;b&gt;&lt;a href="http://migre.me/5JNlu"&gt;http://migre.me/5JNlu&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em síntese, o  narcisista não é, como sugere a vulgata do mito de Narciso, alguém apaixonado  por si mesmo ou por sua imagem no espelho. Ao contrário, o problema do  narcisista é que ele depende totalmente dos outros para se definir e para  decidir seu próprio valor: ele se orienta na vida só pela esperança de encontrar  a aprovação do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, nunca sabemos por certo o que os outros  enxergam em nós. Às vezes, o narcisista se exalta com visões grandiosas de si,  ideias infladas do amor e da apreciação dos outros por ele; outras vezes, ao  contrário, ele despenca no desamparo, convencido de que ninguém o ama ou  aprecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, a modernidade é isso: um mundo sem castas fixas, onde cada um  pode subir ou descer na vida justamente porque seu lugar no mundo depende da  consideração (variável e sempre um pouco enigmática) que os outros têm por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, a modernidade nos predispõe a um transtorno narcisista permanente  e, no coração dessa personalidade narcisista (sina de nosso tempo), há uma  oscilação bipolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O adolescente tem razão: a bipolaridade talvez seja  especialmente manifesta nos pais. Como disse, na sociedade moderna, só somos o  que os outros reconhecem que sejamos, e os pais não são uma exceção a essa  regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem lei simbólica, nem legado divino, nem provas genéticas bastam  para me transformar em pai ou mãe de meus filhos. Hoje, para eu ser pai ou mãe,  é preciso que os filhos me reconheçam como tal, ou seja, sem o amor e o respeito  de meus filhos, eu não serei nem pai nem mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consequência: todo pai moderno  é condenado à bipolaridade, entre a felicidade de ser genitor e uma  consternadora queda do alto dessa nuvem. Se ele tenta educar, corre o risco de  não ser mais amado e, portanto, de não ser mais pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se desiste de educar  para ser amado, corre o risco de não ser mais respeitado -ou seja, novamente, de  não ser mais pai. É isso: os pais são bipolares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTARDO CALLIGARIS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-2494628954206453151?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/2494628954206453151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/11/meus-pais-sao-bipolares.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2494628954206453151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2494628954206453151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/11/meus-pais-sao-bipolares.html' title='Meus pais são bipolares'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-fkbya-Fc4sM/TsEOOJgmNxI/AAAAAAAACuo/5rDthBnUMVI/s72-c/Como-saber-se-sou-bipolar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-6791195209331376684</id><published>2011-11-09T11:45:00.000-02:00</published><updated>2011-11-09T11:46:07.732-02:00</updated><title type='text'>Os velhos clichês e a guerra de sexos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-VUJi1Q5MhHw/TrqD_oKyZLI/AAAAAAAACrY/Fl7y4eN8DCI/s1600/Guerra-dos-SEXOS.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 147px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-VUJi1Q5MhHw/TrqD_oKyZLI/AAAAAAAACrY/Fl7y4eN8DCI/s200/Guerra-dos-SEXOS.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5672991809764222130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Como se fossem de uma espécie superior,&lt;br /&gt;elas se acham únicas&lt;br /&gt;e  dizem que os homens são todos iguais&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"homem só quer sexo, mulher quer amor." "Todo homem é galinha, machista e infiel." "Homem tem medo de mulher independente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Homens ficam inseguros quando o salário da mulher é maior." "Homens são infantis, bobos e imaturos."&lt;br /&gt;"Eles odeiam discutir a relação."&lt;br /&gt;"Homem não sofre por amor." "Eles se separam e logo arranjam outra." "Eles detestam mulher inteligente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses e outros clichês são crenças frequentes entre as mulheres brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas repetem esses velhos chavões como se só elas, e não eles, tivessem mudado nas últimas décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontro entre os homens os mesmos clichês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles dizem que se sentem atraídos pelas inteligentes e que admiram as fortes, poderosas, independentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  maioria quer sexo, sim, mas com a mulher amada. Um economista de 55  anos declarou: "Para as mulheres, todo homem é galinha. Sempre fui fiel à  minha mulher. Não quero ter outra. Quero que ela seja também a minha  amante. Não quero trair a minha melhor amiga".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dados do IBGE mostram crescimento no número de homens que se casam com mulheres mais velhas. Eles desejam uma mulher bonita, é verdade, mas desde que ela seja interessante (inteligente, bem-humorada, independente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como me disse um arquiteto de 47 anos: "Essa coisa de homem trocar uma  mulher de 40 por duas de 20 é o maior clichê que as mulheres inventaram.  Quero uma mulher interessante, uma companheira. E que mulher de 20 anos  pode me ensinar alguma coisa? Não quero uma filha para ser dominada ou  um troféu para ser exibido. Mas as mulheres insistem em rotular os  homens".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou ainda, conforme um jornalista de 39 anos: "É até engraçado! As  mulheres se consideram únicas, especiais, diferentes. Já nós, os homens,  somos todos iguais. É como se elas fossem de uma espécie mais  civilizada, superior, e nós os primitivos, seres inferiores".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas continuam repetindo ideias que não combinam mais com grande parte dos homens brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabam, assim, reforçando os estereótipos de gênero, os mesmos que elas dizem querer destruir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que as brasileiras estão mais livres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas parece existir uma cegueira feminina na hora de aceitar as  transformações dos comportamentos masculinos e os novos modelos de ser  homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conquistar uma verdadeira igualdade entre os gêneros, não seria a  hora de parar de enxergar todos os homens pela mesma lente dos velhos  clichês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;b&gt;MIRIAN GOLDENBERG&lt;/b&gt; é antropóloga, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-6791195209331376684?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/6791195209331376684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/11/os-velhos-cliches-e-guerra-de-sexos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6791195209331376684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6791195209331376684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/11/os-velhos-cliches-e-guerra-de-sexos.html' title='Os velhos clichês e a guerra de sexos'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-VUJi1Q5MhHw/TrqD_oKyZLI/AAAAAAAACrY/Fl7y4eN8DCI/s72-c/Guerra-dos-SEXOS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8736383002375708927</id><published>2011-11-04T09:02:00.002-02:00</published><updated>2011-11-04T09:06:21.298-02:00</updated><title type='text'>Doce da saudade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-oih_oo21BKs/TrPG9C5dMpI/AAAAAAAACoI/KPKSRBWJ1aI/s1600/fundo_dordasaudade.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 148px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-oih_oo21BKs/TrPG9C5dMpI/AAAAAAAACoI/KPKSRBWJ1aI/s200/fundo_dordasaudade.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5671095107841766034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Com "Ho nostalgia di te",&lt;br /&gt;um italiano não diz o mesmo &lt;br /&gt;que um brasileiro que diz &lt;br /&gt;"Tenho saudade de você"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Há duas semanas, estive em Lavras (MG), a convite da Unilavras, onde  proferi uma palestra para professores e alunos. Quando cheguei à cidade,  por volta do meio-dia, fui levado a um restaurante. Na hora da  sobremesa, uma delicada surpresa: uma das opções era o "doce da  saudade". A primeira coisa que fiz foi perguntar à moça do balcão por  que "doce da saudade". "É o próprio chefe da cozinha que faz. Ele  aprendeu com a mãe, que já faleceu, e aí...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, "fraco" que sou, senti os olhos marejados. Quase pedi a ela que  chamasse o chefe, mas minha fraqueza e minha emotividade me impediram de  fazê-lo. Ia ser um chororô só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O fato é que, além de me deixar emocionado, aquilo me deixou encantado.  Como a nomeação de um doce pode, a um só tempo, ser tão singela e tão  significativa, profunda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que uma parte desse encantamento se deve à palavra "saudade",  que os brasileiros gostam de considerar caso único no mundo ("Só a nossa  língua tem essa palavra", "Só na nossa língua existe uma palavra que  pode expressar esse sentimento", ouvimos com frequência). Não é bem  assim. Ou será que esse sentimento é mesmo exclusividade dos  brasileiros? Será que, quando diz "Ho nostalgia di te", um italiano não  quer dizer o mesmo que um brasileiro que diz "Tenho saudade de você"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra "nostalgia" (que se escreve do mesmo jeito em português, em  espanhol e em italiano -em espanhol se lê "nostálgia", com o "g"  friccionado; em italiano, lê-se "nostaldgía") vem de dois elementos  gregos ("nostós", que significa "regresso", e "algia", que significa  "dor").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originariamente, a nostalgia é a dor do regresso, a "melancolia  profunda causada pelo afastamento da terra natal" ("Houaiss"). Por  extensão de sentido, a palavra passa a transmitir (nas línguas que citei  e em outras) muitas das ideias que se transmitem, em português, com   "saudade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originária do latim "solitatis" ("soledade", "solidão", "desamparo"), a  nossa "saudade" já originou metáforas memoráveis, inesquecíveis. Na  antológica canção "Pedaço de Mim", de 1977, o grande Chico Buarque  pintou algumas das mais belas e pungentes imagens sobre esse nobilíssimo  sentimento. Uma delas é esta: "A saudade dói como um barco que aos  poucos descreve um arco e evita atracar no cais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvo engano, o professor Sérgio Buarque de Holanda, autor do sempre e  ainda fundamental livro "Raízes do Brasil" (de 1936), considerava estes  os versos mais belos da música popular brasileira: "A saudade é o revés  de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu". Nem  de longe se pode dizer que o grande intelectual e Professor foi parcial  ao citar os versos do filho querido e ilustre. Não é preciso ser pai de  Chico Buarque para consagrar esses versos como dos mais fundos e belos  que a alma humana já produziu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em homenagem ao chefe de cozinha do restaurante de Lavras, junto aos  versos de Chico estes, de Drummond (de "Para Sempre"): "Morrer acontece /  com o que é breve e passa / sem deixar vestígio. /  Mãe, na sua graça, /  é eternidade. / Por que Deus se lembra / -mistério profundo- / de  tirá-la um dia? / Fosse eu Rei do Mundo, / baixava uma lei: / Mãe não  morre nunca, / mãe ficará sempre / junto de seu filho / e ele, velho  embora, / será pequenino / feito grão de milho".&lt;br /&gt;Antes que alguém pergunte, comi, sim (e muito), do "doce da saudade". Já  me é uma deliciosa saudade e uma saudosa delícia. É isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PASQUALE CIPRO NETO&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8736383002375708927?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8736383002375708927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/11/doce-da-saudade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8736383002375708927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8736383002375708927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/11/doce-da-saudade.html' title='Doce da saudade'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-oih_oo21BKs/TrPG9C5dMpI/AAAAAAAACoI/KPKSRBWJ1aI/s72-c/fundo_dordasaudade.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-3553185005761018763</id><published>2011-10-27T11:23:00.000-02:00</published><updated>2011-10-27T12:06:02.237-02:00</updated><title type='text'>O lado certo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-X3XYVZVhilk/TqllJdLr5PI/AAAAAAAACeU/2SdAj34FHEk/s1600/posicao-do-papel-higienico.gif"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 130px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-X3XYVZVhilk/TqllJdLr5PI/AAAAAAAACeU/2SdAj34FHEk/s200/posicao-do-papel-higienico.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668172819149350130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tanto no Congresso como na mídia está em discussão uma legislação que possa  punir os abusos (ou os crimes) praticados na ou pela internet. A nudez da atriz  Scarlett Johansson está sendo considerada uma invasão da privacidade a que todos  temos direito. E há casos mais escabrosos, como acessos a contas bancárias,  pornografia infantil etc. Pergunta: uma lei resolverá o problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho  minhas dúvidas. Existem leis para tudo e para todos, elas dependem não apenas da  fiscalização policial ou judicial, mas da interpretação que damos a elas. Já  citei, há tempos, o caso de Gulliver, personagem da obra-prima de Jonathan  Swift, e o cito de novo porque o assunto continua atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Náufrago, Gulliver  caiu numa terra de anões belicosos, os liliputianos, que o tornaram prisioneiro  e que mantinham uma guerra de 800 anos com anões de outra região. Devido a seu  tamanho, foi obrigado a lutar por um dos lados, e vendo tantas barbaridades,  perguntou ao rei a quem era obrigado a servir o motivo de luta tão feroz e  selvagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei explicou que o povo dele, ao tomar o café da manhã, cortava  os ovos pela parte de cima, a mais pontiaguda, e os inimigos cortavam os ovos  pela parte de baixo, a mais arredondada. Gulliver ouviu, pensou, pensou outra  vez e perguntou ao rei se não havia uma lei, um decreto, uma legislação que  determinasse a questão, estabelecendo de uma vez para sempre a maneira de todos  cortarem os ovos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei ficou espantado e respondeu: "Somos civilizados.  Evidente que há uma lei que regulamenta o assunto". Gulliver quis saber o que a  tal lei dizia e o rei, em tom solene, majestático, informou: "O primeiro artigo  de nossa Constituição diz claramente que os ovos devem ser cortados pelo lado  certo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PALAVRAS, PALAVRAS E PALAVRAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve época em que me espantava com a história da humanidade, cheia de sangue,  guerras por causa de um deus ou de uma mulher, como a de Troia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou mais  resignado e jogo a culpa de tudo na incapacidade humana de entender justamente  aquilo que foi criado para o entendimento, a palavra. Por sinal, o único animal  que dispõe desta faculdade é o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não ir muito longe, em busca de  razões históricas ou científicas, fico em dois exemplos prosaicos, além daquele  a que me referi em crônica anterior, o de Gulliver, sobre a guerra de 800 anos  entre anões que cortavam os ovos de maneiras diferentes, uns pela parte de cima,  outros pela parte de baixo, quando a lei estabelecia que os ovos deviam ser  cortados pelo lado certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os livros fundamentais da civilização, a Bíblia e o  Alcorão, estão cheios de palavras e conceitos contraditórios que dependem da  interpretação circunstancial de quem os lê. No primeiro caso, temos as  afirmações categóricas de Cristo, que disse textualmente "Eu vim trazer o fogo",  e mais tarde, generosamente, garantiu a todos: "Eu vos dou a minha paz".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No  Alcorão, fiquei sabendo por entendidos que o livro ditado por Alá a Maomé  condena veementemente o suicídio, mas em outros versículos exalta aqueles que se  matam pela causa do mesmo Alá, prometendo o paraíso e o uso de não sei quantas  virgens, embora alguns comentaristas discordem: não são virgens, são cachos de  uva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contam que na Revolução Cubana, tomando o poder, Fidel Castro perguntou  a seu Estado-Maior se havia algum economista entre eles. Che Guevara  apresentou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espantado, Fidel comentou: "Eu sabia que você era médico, mas  não economista!". Guevara explicou-se: "Desculpe, eu entendi que você precisava  de um comunista".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CARLOS HEYTOR CONY&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-3553185005761018763?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/3553185005761018763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/10/o-lado-certo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3553185005761018763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3553185005761018763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/10/o-lado-certo.html' title='O lado certo'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-X3XYVZVhilk/TqllJdLr5PI/AAAAAAAACeU/2SdAj34FHEk/s72-c/posicao-do-papel-higienico.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-421791242934088429</id><published>2011-10-09T20:59:00.002-03:00</published><updated>2011-10-09T21:02:17.744-03:00</updated><title type='text'>Você não daria nada por Jobs</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-FmXCNjzorV0/TpI15T_DXGI/AAAAAAAACVU/zm0-qPsEA2Q/s1600/steve-jobs-photo-shoot-with-aple-ii.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 168px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-FmXCNjzorV0/TpI15T_DXGI/AAAAAAAACVU/zm0-qPsEA2Q/s200/steve-jobs-photo-shoot-with-aple-ii.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5661646940291685474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;'Ninguém quer morrer.&lt;br /&gt;Mesmo aqueles que estão convencidos&lt;br /&gt;de que vão para o paraíso', disse Jobs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade" size="2"&gt;&lt;br /&gt;Começa amanhã a funcionar a maior sala de aula de que se tem notícia, na  qual estão matriculados centenas de brasileiros, para estudar  introdução à inteligência artificial. Até sexta passada, eram cerca de  140 mil alunos -o suficiente para lotar dois estádios do Morumbi.&lt;br /&gt;Ninguém paga nada e, no final, ainda recebe certificado de um professor  tido como um dos cientistas mais criativos do mundo. Entre suas  invenções, está um carro que se locomove sem necessidade de motorista,  repleto de sensores por todos os lados.&lt;br /&gt;O alemão Sebastian Thrun é diretor do Laboratório de Inteligência  Artificial de Stanford, na Califórnia, e se imagina capaz de ajudar a  reinventar o ensino, como ajudou a reinventar o automóvel. "Ver tanta  procura, com gente de tantos lugares, como vocês, brasileiros, é apenas  sinal de que tem uma grande demanda por uma educação acessível de  qualidade",  comenta Sebastian.&lt;br /&gt;Inventores como ele ajudam a explicar por que Steve Jobs se transformou num sucesso, apesar de ter sido um estudante fracassado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt; Quando menino, Jobs era punido não apenas pela indisciplina, mas pela rispidez com que tratava os professores.&lt;br /&gt;Jobs não conseguiu ficar na faculdade nem seis meses, onde seu mundo era  festa, droga e sexo. Só se interessou por algo que, naquele momento,  não lhe parecia ter nenhuma utilidade: aulas de caligrafia. Dormia no  chão de um dormitório, vendia latas de garrada e, segundo colegas, nem  sempre se lembrava de tomar banho.&lt;br /&gt;Decidiu viajar pela Índia, onde se apaixonou pelo budismo e pelo LSD.   "O LSD foi uma das três experiências mais importantes da minha vida",  revelou.&lt;br /&gt;Talvez pudesse até se encaixar no perfil de um futuro artista. Mas de um empresário, obrigado a comandar milhares de pessoas?&lt;br /&gt;Admita: se você o encontrasse ali, deitado no chão, com a roupa velha,  certamente não daria nada por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt; Não precisaria explicar aqui que Steve Jobs é um ponto fora da curva,  com sua imensa inteligência, intuição e capacidade de aprendizado. Nada  disso provavelmente seria suficiente se a vida não o levasse, quando  criança, a morar em Palo Alto, onde está Stanford, repleta de tipos  inventores e empreendedores como Sebastian Thrun - para quem todo  inventor é um ser um pouco infeliz: "Há uma sensação de inquietude  enquanto não encontramos soluções, e isso nunca passa. Achamos que o  impossível sempre é possível".&lt;br /&gt; Não se tem notícia de nenhuma instituição de ensino superior que tenha  gerado tantas empresas. Fala-se em 6.000 empresas. O impacto dessa busca  de soluções aparentemente impossíveis era especialmente visível onde  morava Jobs, filho de pais com pouca educação. Estava no centro do que  depois seria chamado de Vale do Silício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt; Jobs poderia não ir bem na escola, mas aproveitava as aulas  extracurriculares oferecidas por engenheiros da Hewlett-Packard. Aos 12  anos, viu o primeiro computador numa dessas apresentações e imaginou o  que faria de sua vida.&lt;br /&gt;Um dia ele pediu ao próprio criador da empresa, o legendário William  Hewlett, peças para completar seu projeto na escola. Ganhou as peças e  um estágio nas férias de verão.&lt;br /&gt;Toda a região era como se fosse um campus aberto. Natural que abrisse,  na garagem da casa de seu pai, seu laboratório para desenvolver um  computador. Antes disso, quando ainda estava no ensino médio, ele já  vendia um aparelho ilegal para fazer ligações telefônicas sem pagar  nada. Aliás, seu parceiro de contravenção também estava na garagem que  criou a Apple.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;A pedagogia que se tem aqui é simples: quanto mais experiências se  oferecem aos jovens maior a chance de que eles descubram seus talentos e  saibam como gerenciá-los. É a provocação permanente da curiosidade.&lt;br /&gt;Aí está o valor da classe mundial lançada pelo professor Sebastian,  mostrando que todo e qualquer espaço pode instigar a curiosidade. "A  única coisa que me manteve no caminho foi gostar do que eu fazia. Cada  um precisa descobrir do que gosta", aconselhou Jobs numa cerimonia de  formatura de universitários.&lt;br /&gt;Era a primeira vez que Jobs era convidado a falar numa formatura. Só  podia, claro, ser em Stanford, onde não estudou, mas, de certa forma,   espiritualmente foi graduado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;center&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;PS- Naquele discurso, Jobs disse frases para a gente pendurar na porta  da geladeira para sempre. Uma delas: "Ninguém quer morrer. Mesmo aqueles  que estão convencidos de que vão para o paraíso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;GILBERTO DIMENSTEIN&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-421791242934088429?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/421791242934088429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/10/voce-nao-daria-nada-por-jobs.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/421791242934088429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/421791242934088429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/10/voce-nao-daria-nada-por-jobs.html' title='Você não daria nada por Jobs'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-FmXCNjzorV0/TpI15T_DXGI/AAAAAAAACVU/zm0-qPsEA2Q/s72-c/steve-jobs-photo-shoot-with-aple-ii.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-3971572053355313068</id><published>2011-10-07T09:39:00.004-03:00</published><updated>2011-10-07T09:55:25.551-03:00</updated><title type='text'>Psicanalise</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-921L5qAMsaw/To72nZCwi-I/AAAAAAAACU8/cVAg8lmNGsc/s1600/freud.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 146px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-921L5qAMsaw/To72nZCwi-I/AAAAAAAACU8/cVAg8lmNGsc/s200/freud.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5660732938249079778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;De onde vem, para onde vai&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Entenda as principais ideias que movimentaram a psicanálise desde a origem até agora&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;b&gt; GUILHERME GENESTRETI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; AS INFLUÊNCIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FINAL DO SÉCULO 19 &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; JEAN-MARTIN CHARCOT&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(1825-1893)&lt;br /&gt;Neurologista francês, aplicava a hipnose para tratar pacientes histéricas no hospital em Paris em que Freud fez estudos de neuropatologia&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Como influenciou a psicanálise:&lt;/b&gt; Seu método inspirou Freud a investigar a origem mental dos sintomas físicos da histeria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;FINAL DO SÉCULO 19 E COMEÇO DO SÉCULO 20&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; JOSEF BREUER&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(1842-1925)&lt;br /&gt;Médico austríaco que colaborou com Freud em seu primeiro livro, "Estudos sobre a Histeria", de 1895&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Como influenciou a psicanálise:&lt;/b&gt; Ao tratar uma paciente histérica, percebeu que os sintomas diminuíam quando ela falava sobre eles, inspirando Freud a desenvolver o método da associação livre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; O TRONCO &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; PRIMEIRA METADE DO SÉCULO 20&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; SIGMUND FREUD&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(1856- 1939)&lt;br /&gt;Fundou a psicanálise ao desenvolver uma técnica para sondar conflitos psíquicos&lt;br /&gt; &lt;b&gt;Teoria: &lt;/b&gt;O comportamento humano não é regido apenas pela vontade consciente, mas por pulsões e pelas formações do inconsciente, região que armazena memórias, necessidades e desejos reprimidos. A origem do conflito psíquico remonta às fases do desenvolvimento psicossexual da criança (oral, anal, fálica e genital) e ao complexo de Édipo&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Técnica:&lt;/b&gt; Pela associação livre, o analista propõe ao paciente falar o que lhe vem à mente, seja sobre seus afetos, sonhos ou outros sinais comunicados pelo inconsciente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; A PARTIR DOS ANOS 50&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; JACQUES LACAN&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(1901-1981)&lt;br /&gt;Psicanalista francês, fundiu a teoria freudiana com os estudos de linguística e antropologia. Seus métodos, tidos como excêntricos, o levaram a ser expulso da Sociedade Psicanalítica de Paris por imposição da IPA -Associação Psicanalítica Internacional&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Teoria:&lt;/b&gt; O inconsciente é constituído das próprias regras que estruturam a sociedade, cuja lógica é fornecida pela linguagem. Para entender os conflitos psíquicos, o analista escuta o discurso e observa as relações do paciente com a linguagem&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Técnica:&lt;/b&gt; A sessão leva em conta o tempo lógico, definido pelo analista, e não o cronológico de 45 ou 50 minutos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; OS SEGUIDORES &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; PRIMEIRA METADE DO SÉCULO 20&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; SÁNDOR FERENCZI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(1873-1933)&lt;br /&gt;Psicanalista húngaro e seguidor de Freud, incentivou Melanie Klein a estudar o comportamento de crianças&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Contribuição à psicanálise:&lt;/b&gt; Atuação do terapeuta deve ser mais ativa e menos distante do paciente para permiti-lo trazer à tona suas emoções&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;  KARL ABRAHAM&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(1877-1925)&lt;br /&gt;Psicanalista alemão, foi discípulo de Freud e analista de Melanie Klein&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Contribuição à psicanálise:&lt;/b&gt; O desenvolvimento de doenças como a esquizofrenia e a psicose maníaco-depressiva tem origem na fixação em alguma das fases do desenvolvimento psicossexual da criança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; A PARTIR DOS ANOS 20&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; MELANIE KLEIN&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(1882-1960)&lt;br /&gt;Quem foi: Nascida na Áustria, influenciou a linhagem inglesa da psicanálise e foi uma das pioneiras em estudar crianças, que até então não eram analisadas. Suas teorias se chocaram com as de Anna, filha de Freud, para quem a abordagem de crianças só tinha um viés pedagógico&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Teoria:&lt;/b&gt; Crianças manifestam desde cedo fantasias e emoções como a destrutividade, voltada, por exemplo, ao seio materno. O complexo de Édipo aparece nos primeiros meses de vida, sugerindo que os conflitos e desejos começam muito antes do imaginado por Freud&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Técnica:&lt;/b&gt; O analista deve interpretar brincadeiras e desenhos feitos por crianças como manifestações precoces de expressão de emoções&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; A PARTIR DOS ANOS 50&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; WILFRED BION&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(1897-1979)&lt;br /&gt;Desenvolveu as ideias de Klein e formulou uma teoria sobre o comportamento de grupos em situações de crise&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Teoria:&lt;/b&gt; A agressividade dirigida ao mundo externo não é mera patologia, como crê Klein, mas uma forma de comunicação do paciente que deve ser levada em conta pelo analista&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Técnica:&lt;/b&gt; O terapeuta avalia a si mesmo na relação com o paciente e atribui a não evolução do quadro também à sua postura na análise&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; A PARTIR DOS ANOS 40&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; DONALD WINNICOTT&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(1896-1971)&lt;br /&gt;Pediatra britânico, seguiu uma terceira linha na tradição inglesa quando surgiu a cisão entre Melanie Klein e Anna Freud&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Teoria:&lt;/b&gt; O ser humano está destinado a amadurecer psicologicamente, mas precisa de um ambiente confiável para isso. A análise não deve ficar restrita ao universo das fantasias infantis, mas incluir a relação da criança com os pais e com o mundo&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Técnica:&lt;/b&gt; O analista recria o ambiente de segurança para possibilitar o amadurecimento do paciente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;  OS DISSIDENTES&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; PRIMEIRA METADE DO SÉCULO 20&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; WILHELM REICH&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(1897-1957)&lt;br /&gt;Psiquiatra nascido na atual Ucrânia, teve contato com as ideias de Freud, mas rompeu com a psicanálise tradicional por defender um engajamento político com o marxismo&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Teoria:&lt;/b&gt; As neuroses se originam a partir de uma falha em dissipar a energia do corpo através do orgasmo&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Técnica:&lt;/b&gt; Valoriza psicoterapias corporais para romper com a 'couraça' física e liberar a carga de energia. Inspirou técnicas como a bioenergética, a biodinâmica e a somaterapia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; PRIMEIRA METADE DO SÉCULO 20&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; CARL JUNG&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(1875-1961)&lt;br /&gt;Discípulo favorito de Freud, rompeu com o mestre e fundou a psicologia analítica&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Teoria:&lt;/b&gt; Nem todas as neuroses têm base sexual. Além de um inconsciente individual há também um inconsciente coletivo, compartilhado por todas as pessoas e de onde decorrem sonhos e fantasias&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Técnica: &lt;/b&gt;O analista leva em conta o aspecto simbólico dos relatos do paciente e a sua relação com os arquétipos -padrões psíquicos universais, expressados pelo inconsciente&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;MITOS E VERDADES &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;'Sempre é preciso contar o sonho'&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; MENTIRA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise sempre deu grande importância aos sonhos. Freud  considerava os sonhos, ao lado dos sintomas e dos atos falhos, uma das  principais vias de acesso ao inconsciente.  Outra vantagem do sonho para o tratamento analítico seria a de levar o  sujeito a investigar melhor o seu próprio discurso, mesmo quando parece  não ter lá muito sentido.&lt;br /&gt;Ainda que a análise dos sonhos seja importante, o paciente não é  obrigado a nada. Deve seguir apenas uma regra: falar tudo o que lhe  passa pela cabeça, sem restrições.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Palavras cruzadas&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; A invenção de Freud está entranhada na cultura, mas nem por isso sabemos o básico sobre ela &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;b&gt; GUILHERME GENESTRETI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; DE SÃO PAULO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras são associadas, interpretadas, esmiuçadas. Na psicanálise, a  cura se dá por meio delas. Atenção às palavras: tudo bem usar "recalque", "projeção" e outros  termos saídos desse campo e já incorporados. Mas confundir os "psis", o  que é comum, não.&lt;br /&gt;Psicanalista é uma coisa, psiquiatra, outra. Psiquiatra é médico: estuda transtornos mentais e os trata prescrevendo  remédios. O psicólogo também estuda saúde mental, mas não receita. Ele estuda o  "software que roda no cérebro", como diz Francisco Daudt, colunista da &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt;.  Há muitas linhas de psicologia, muitos jeitos de estudar comportamento. Terapeuta é quem cuida. Psicoterapeuta, então, é quem cuida do  funcionamento mental das pessoas usando alguma técnica como psicodrama  ou as das terapias cognitivo-comportamentais.&lt;br /&gt;Já o psicanalista estuda o tal 'software' segundo o modelo de Freud,  isto é, partindo da premissa que o inconsciente governa muitas das ações  humanas.&lt;br /&gt;O psicanalista pode ser um teórico ou um psicoterapeuta que cuida de  pessoas usando a ferramenta psicanálise.  Parte fundamental dessa ferramenta é o método da associação livre,  criado por Freud para sondar o inconsciente. Nele, o paciente é levado a  falar sobre seus pensamentos de forma a revelar a origem de seus  conflitos.&lt;br /&gt;No centro dos conflitos estaria o complexo de Édipo, conjunto de  impulsos amorosos e hostis dirigidos pela criança aos pais. O conceito fazia mais sentido quando a única forma de família tinha  figuras de pai e mãe bem definidas. E hoje? Édipo não precisa ser entendido como antes, ao pé da letra, diz Isabel  Gomes, professora de psicologia da USP. "Se duas mães fazem as funções  materna e paterna, a triangulação se mantém."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; NINGUÉM É PURO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Psicanalistas freudianos puros são raros, diz o psicanalista Luiz  Tenório Oliveira Lima. "Analistas experientes transitam com a tradição  de Freud e a dos sucessores." A primeira grande mudança na psicanálise veio com a austríaca Melanie  Klein (1882-1960). Ela mostrou que crianças já podem ser analisadas  desde cedo.&lt;br /&gt;"Alguém que atende crianças não pode ignorar as contribuições de Klein",  diz Luís Claudio Figueiredo, que estuda a autora. Klein substituiu a associação livre pela interpretação de desenhos,  brincadeiras e jogos, nos quais a criança já expressa suas fantasias.&lt;br /&gt;Segundo o psicanalista Daniel Delouya, é uma linha eficaz para tratar  psicoses infantis. Nessa terapia, a criança cria uma realidade própria  com suas fantasias. "Klein trabalha bem esse mundo interno da criança."  Nem tudo é mundo interno para os seguidores de Donald Winnicott  (1896-1971). O pediatra inglês pôs o ambiente na equação psicanalítica,  defendendo que o desenvolvimento da criança depende de segurança, dada  principalmente pela mãe.&lt;br /&gt;Essa linha "acolhe mais" o paciente, diz Elsa Dias, da Sociedade  Brasileira de Psicanálise Winnicottiana. Segundo ela, essa corrente serve sobretudo para transtornos alimentares e  síndrome do pânico, que teriam raiz em um encontro não muito acolhedor  da criança com o mundo.&lt;br /&gt;Nessa visão, a anorexia se relaciona a problemas no aleitamento; o  pânico, a um bebê interrompido a toda hora pela mãe intrusiva. Sucessor de Klein, Wilfred Bion (1897-1979) contribuiu para a análise   repensando a relação analista-paciente. "O analista não é só a figura sobre a qual o paciente projeta ou  transfere: ele se observa nessa relação", diz Adriana Nagalli, da  Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Além de se observar,  ele devolve ao paciente as próprias experiências.&lt;br /&gt;Segundo Nagalli, esse vínculo ajuda o paciente a tolerar frustrações.  "Ao compreender que seu analista também falha, você suporta melhor suas  limitações."&lt;br /&gt;O francês Jacques Lacan (1901-1981) temperou a psicanálise com a  linguística. O  inconsciente, para ele, só é acessível pelo verbo, já  que é a linguagem que organiza e traduz as experiências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; TEMPO TERAPÊUTICO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Lacan reformulou a duração da sessão, propondo o "tempo lógico". Em vez  dos clássicos 50 minutos, o analista define o término conforme a  situação.&lt;br /&gt;"Na linha freudiana, o analista é uma folha em branco sobre a qual o  paciente projeta sua vivência. Quando Lacan introduz o tempo lógico, o  analista passa a existir", diz Anna Veronica Mautner.&lt;br /&gt;Segundo Jorge Forbes, do Instituto de Psicanálise Lacaniana, o tempo é  fator terapêutico. "Prefiro a arbitrariedade de quem dirige a terapia do  que a do relógio", diz.&lt;br /&gt;Lacan mostrou que Édipo não dava conta de explicar novos sintomas do  mundo moderno, com menos regras definidas e mais necessidade de tomar  decisões, explica Forbes. "O analista põe as cartas na mesa e faz o  paciente a se responsabilizar pelas suas decisões."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;MITOS E VERDADES&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;'É uma teoria velha e desatualizada'&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; MENTIRA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;"É um argumento engraçado", observa o psicanalista Richard Simanke. "A  gente continua estudando a física de Newton na escola e ninguém se  importa que date do século 17."&lt;br /&gt;Acusado de velho, o livro  "A Interpretação dos Sonhos", que marca o  início da psicanálise, foi publicado no último ano do século 19.  "A teoria darwiniana da evolução é muito mais velha e nem por isso está  desatualizada", afirma o também psicanalista Christian Dunker. "Ela  sofreu adendos, relativizações e modificações, exatamente como aconteceu  com a psicanálise e com quase todos os campos do saber."&lt;br /&gt;Simanke, contudo, admite que alguns colegas se apegam tanto aos  primeiros passos da teoria de Freud que passam a ignorar estudos  posteriores, resultando em uma prática datada. "Freud disse que não há  problema em se especular quando uma ciência é jovem, desde que não se  confundam os andaimes com o edifício", explica. Mas alguns psicanalistas  acabam gostando tanto dos andaimes que esquecem de construir o prédio.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Nem tudo é Édipo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;  Para críticos, teoria freudiana é limitada ao mundo familiar &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; DARIO DE NEGREIROS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise é como a Revolução Russa, diziam os pensadores franceses  Gilles Deleuze (1925-1995) e Félix Guattari (1930-1992). Começou bem,  acabou mal e ninguém sabe explicar por quê.&lt;br /&gt;Juntos, eles escreveram "O Anti-Édipo" (Editora 34, 560 págs., R$59),  uma das mais célebres críticas da teoria freudiana. No entanto, quando se encontraram pela primeira vez, Deleuze era um  estudioso da psicanálise e Guattari era, ele próprio, um psicanalista.&lt;br /&gt;"Jamais o encontro com Guattari teria sido fecundo se Deleuze não  tivesse se sentido encurralado em relação à utilização da psicanálise",  conta David Lapoujade, professor da Sorbonne, ex-aluno de Deleuze e ele  próprio um crítico da teoria freudiana. Segundo essa visão, a psicanálise não seria capaz de perceber as  influências sociais e políticas no comportamento das pessoas,  interpretando tudo a partir do velho e limitado esquema triangular do  Édipo: as relações entre o filho, o pai e a mãe.&lt;br /&gt;"Por que os psicanalistas querem que o inconsciente signifique toda vez a  mesma coisa: Édipo?", questiona Lapoujade. A crítica de Deleuze e Guattari vai além. Eles chegam a caracterizar os  psicanalistas como "os novos padres". Enquanto para o cristianismo  nasceríamos todos culpados pelo pecado original, para a psicanálise, o  complexo de Édipo faria com que fôssemos culpados por desejar o que não  podemos ter: o incesto.&lt;br /&gt;"Eles querem impor uma concepção moral do desejo." Para o filósofo e professor da USP Vladimir Safatle, a mensagem da  psicanálise é outra: nós não podemos ter tudo o que desejamos. E  conhecer os limites do próprio desejo seria mais sabedoria do que  moralismo.&lt;br /&gt;"Qualquer pessoa pode encontrar isso em sua vida: há situações em que há  várias coisas que você quer muito. E você só sabe que vai ter que  perder alguma", diz Safatle. "É mais sábio saber lidar com isso do que  criar a fantasia de que o desejo pode tudo." O filósofo discorda, ainda, de que a psicanálise isolaria a pessoa das  questões sociais e políticas ao privilegiar suas relações familiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; PORTA DE ENTRADA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Para ele, é o contrário: Freud vê a família como a porta de entrada na  sociedade. Por ser nosso primeiro núcleo de socialização, ela se torna  uma referência para relações sociais posteriores.&lt;br /&gt;"A maneira como eu descubro o que é autoridade dentro do núcleo  familiar, com a autoridade paterna, por exemplo, vai servir de  referência para os meus comportamentos futuros."&lt;br /&gt;Mas Safatle admite que alguns psicanalistas podem errar a mão ao tentar  interpretar todos os fenômenos sociais a partir do esquema familiar e do  Édipo.  Ainda assim, a crítica deleuzeana seria muito radical. "Não é possível  reduzir tudo à família, mas também não é possível ignorá-la."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;MITOS E VERDADES&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;'É muito caro ir a um analista'&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; VERDADE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise é cara porque exige um tratamento longo e individual.  Há  opções mais acessíveis no sistema público de saúde e em clínicas ligadas  a universidades e a outras instituições de formação.  É uma ilusão achar que um analista é melhor por cobrar mais ou ter um  consultório mais confortável. "Pode-se cobrar R$ 300 de um e R$ 20 do  outro, na medida do que cada um pode pagar", explica Maria Rita Kehl. O  pagamento tem um valor simbólico: "A análise não deve ser gratuita para  evitar que o paciente se instale em uma dívida impagável".&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como escolher um psicanalista&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Meu assunto é como escolher um psicanalista, alguém que vai cuidar de  você com o instrumental que Freud inventou. Você o contrata e consome um  serviço de saúde.&lt;br /&gt;"Que barbaridade, pensar no cliente como consumidor!" Sinto muito se feri suscetibilidades, mas acompanhe.&lt;br /&gt; Clínica: do latim, "inclinar-se", para observar e entender. Pratico  clínica psicanalítica há 35 anos. Fui consumidor do serviço por oito,  com dois psicanalistas diferentes. É prestação de serviço mesmo: eu  pagava (caro) e recebia 50 minutos de suposta atenção.  Assim como quando fui pai tentei me lembrar do que, quando criança,  funcionava ou não no jeito de meus pais, quando me tornei analist   prestei atenção no que me fez  bem e mal como cliente. Aprendi com erros  e acertos de meus psicanalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de clareza, transparência, do que é lógico, razoável. Se você  gosta de obscuridades e esoterismos pule este artigo. Não é tua praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, psicanálise veio para explicar ou confundir? A coisa é simples: quantos psicanalistas são necessários para trocar uma  lâmpada? Um só, mas é preciso que a lâmpada queira muito ser trocada.&lt;br /&gt; Procurei a psicanálise porque me sentia mal comigo mesmo e queria me  sentir bem.  A pergunta seguinte era: o profissional teria o mesmo  objetivo? Queria me fazer sentir melhor com o seu instrumento  terapêutico?  Parece uma pergunta besta? Não é! Há vários psicanalistas não  comprometidos com a melhora dos seus pacientes (que dirá com a cura dos  seus sintomas).&lt;br /&gt;Eles têm como meta "a reflexão sobre os enigmas do seu funcionamento  psíquico" ou, pior, "a sua aceitação da castração" (calma, explico, é  assim: "O mundo é duro mesmo e você deve aceitá-lo como é, sem esperar  colinho de mãe, que é o mesmo que querer roubá-la de seu pai,  representante do mundo cruel. Tenha horror do incesto, o complexo de  Édipo"). Escolher um psicanalista não é mesmo fácil. Aqui vão algumas sugestões,  se você ainda não largou a leitura deste blasfemo insolente, desta  pessoa desprezível pela sua linguagem chã que qualquer um pode  compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; INDICAÇÃO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; Pode vir de um amigo que tem se sentido melhor com seu tratamento. Pode  vir de artigos que você leu e te deram alívio e compreensão, assinados  pelo cara. Ou de livros que ele escreveu, entrevistas que ele deu etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; PRIMEIRO CONTATO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Em geral, é pelo telefone. Impressionante o que se pode aprender sobre o  outro num telefonema: se é acolhedor; se é pomposo ou simples; se você  se sente bem ou constrangido; se vai te atender logo ou "talvez, se  abrir uma vaga nos próximos meses".  Só vá à entrevista se você se sentir bem com ele ao telefone. De  desconforto basta a tua vida, você não precisa pagar (caro) por ele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PERPLEXIDADE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Se o doutor Fulano te disser algo que você não entenda, se falar  complicado a ponto de você achar que é burro, desista: não serve para  você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; MUDEZ&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Se doutor Fulano ficar te olhando quando você quiser saber algo na  entrevista, as chances são de que ele ficará mudo durante a terapia. Por  que você há de pagar (caro) para quem não diz nada? É teu trabalho se  entender? Então fale para o espelho. É mais barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; CONTRATO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sinta-se confortável com um contrato claro sobre tempo de sessão e  custos. Pergunte sobre férias (suas e dele).  Pergunte sobre pontualidade (há poucas coisas mais constrangedoras do  que encarar colegas numa sala de espera). Você tem mais o que fazer na  vida, e é uma falta de respeito fazer cliente esperar tendo hora  marcada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; AO FIM DA SESSÃO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; Não deixe ninguém te convencer que sair aos prantos e arrasado  significa que a sessão foi "funda e produtiva". Só significa que o  terapeuta colocou mais dor naquilo de que você já se acusava. Ele quer  que você se arrependa. É mais barato procurar o confessionário da igreja  católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;  SENSO DE HUMOR&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Se sentir falta de humor na sua terapia, significa que seu analista  gosta de drama, e o drama é parte integrante e agravante dos seus  sintomas. Vá embora! Parte da cura é não se levar tão a sério, não se  achar (e a ninguém) tão importante.  Dentro de cem anos, lembre-se, estaremos todos mortos. E faz parte do  meu imaginário aparelho humildificador: amanhã este artigo será papel de  embrulhar peixe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; FRANCISCO DAUDT&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt;, psicanalista e médico, é autor de "Onde Foi Que Eu Acertei?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;MITOS E VERDADES &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;'Tudo é culpa da mãe'&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; MENTIRA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise atribui grande importância às relações da criança com os  pais.  Essas relações desempenham papel estruturante para a vida mental,  explica o psicanalista Richard Simanke. Mas não devemos jogar a culpa  pelo que somos em nossos pais. "Culpa é uma palavra que favorece o  analisante a se colocar como vítima passiva dos erros dos pais, o que  institui uma perspectiva fatalista, pois não se muda o passado", afirma a  psicanalista Maria Rita Kehl.  A tarefa do analista é retirar o paciente da posição de acusador e  fazê-lo assumir a responsabilidade pelos seus problemas, mesmo que  tenham origem na família.&lt;br /&gt;Para o psicanalista Christian Dunker, "quando as coisas não dão certo,  nossa tendência é ir reclamar com a 'gerência'. A psicanálise existe  para nos curar disso, não para estimular esse comportamento passivo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Das neuroses de ontem ao narcisismo de hoje&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Os psicanalistas saíram do seu período de recolhimento e a terapia pela palavra está em pleno desenvolvimento por aqui, na visão do diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior desafio da psicanálise hoje são as fobias, a síndrome do pânico e  outros "estados narcísicos", como diz Plinio Luiz Kouznetz Montagna,  diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.&lt;br /&gt; Neste mês de reflexão -já que a entidade celebra 60 anos de filiação à  IPA (International Psychoanalytical Association)-, o psicanalista diz  que esse campo está em plena fase de desenvolvimento. Ele conta como um  método demorado, profundo e caro sobrevive neste mundo imediatista, em  que remédios se colocam como alternativa à conversa terapêutica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Como o senhor define a psicanálise hoje?&lt;br /&gt;Plinio Luiz Kouznetz Montagna - &lt;/b&gt;Ela atua em vertentes interligadas: é  tratamento clínico; método de pesquisa sobre o ser humano e teoria do  funcionamento da mente que permite generalizações. Ocorre que pensar a  clínica permite pensar a cultura e essa conexão com artes e filosofia se  mantém. É um campo de saber em desenvolvimento, não está fechada,  progride com fluxos e refluxos. Na IPA convivem 12 mil psicanalistas do  mundo, de tendências diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; E muitas divergências, não?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Quando Freud era vivo, era ele quem dizia: isto é e isto não é  psicanálise. Depois que morreu, ficou mais difícil. Enquanto os grandes  mestres do século 20 (Winnicott, Klein, Lacan) estavam vivos, as pessoas  seguiam uma linha. Hoje, a tendência é depurar as contribuições de cada  autor e articular uma conversa entre eles. Não para integrar, pois as  diferenças existem mesmo. Na década de 1980, tantas correntes nos  fizeram questionar o que há de comum na psicanálise. Concordamos sobre  três pontos: nosso objeto é o inconsciente; a importância da  transferência e da contratransferência e a noção de que o passado deve  ficar no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Como isso se traduz no consultório?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O  que diferencia a psicanálise de outras psicoterapias é o jogo  transferencial. Para produzir uma mudança, o que adianta é fazer o  problema emergir aqui e agora, na relação com o analista, de modo que  seja possível trabalhar com ele. O analista é como uma tela em que o  paciente projeta imagens. O complicador é que o analista não é uma tela  em branco. Levamos em conta a contratransferência, a relação do  profissional com seu paciente: inclui as dificuldades dele, pontos cegos  que o impedem de escutar. O trabalho não se restringe a ouvir o relato,  o analista escuta inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;  O método nasceu como uma cura pela fala. Essa conversa pode ficar muito racional?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A racionalização não é análise e sim a tentativa de evitá-la. Essa  defesa pode surgir tanto do paciente quanto do analista, porque o  contato emocional gera turbulência. As resistências fazem parte, porém, o  cerne da psicanálise é o encontro, e ele só ocorre quando se vai além  das defesas. Por isso temos de saber manejá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; E quanto ao passado? Muita gente acha que psicanálise é ficar falando de traumas da infância.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Psicanálise não é "falar sobre". A transferência é uma espécie de  atualização do passado com o objetivo de permitir que o presente se  instale. A análise permite que o passado fique no passado e a pessoa  viva no presente. Essa é a libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Aqui no Brasil,  a psicanálise avança ou recua?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 50 e 60 houve implantação e expansão, depois teve um momento em  que as terapias corporais e o psicodrama estavam em destaque. Por um  período, os analistas se recolheram nos consultórios. A clínica continua  sendo fundamental, mas hoje vivemos um florescimento para além dela, um  momento de grande inserção social.&lt;br /&gt; Na Sociedade, há grupos ocupados com atendimento à comunidade,  psicanalistas que dão suporte a uma ONG que trabalha com meninos de rua,  sem falar na atuação em hospitais. Os analistas também atuam cada vez  mais no setor jurídico, trabalhando como mediadores e peritos em  questões de família, divórcio, guarda de filhos. E podem contribuir  muito graças à visão global que têm de situações complexas como  interdição, brigas, drogadição, violência doméstica etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Como a técnica responde às patologias contemporâneas?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Esse é o grande desafio atual: lidar com fobias, pânico, transtorno  bipolar, borderline, os chamados estados narcísicos. Todas essas  patologias têm em comum o fato de serem estruturas arcaicas [criadas no  início da vida, antes da linguagem e do amadurecimento da psique], ou  seja: se instalam antes do mecanismo de repressão. Na neurose, a  repressão já está instalada, existem os conflitos psíquicos e, nessa  etapa, é possível simbolizar o sofrimento. No caso do pânico, por  exemplo, não existe nem esse conflito.  Imagine o medo tentando entrar na mente. Sem a parede da censura para  barrá-lo, ele a invade. E, como na estrutura arcaica não há  possibilidade de simbolização, o que costuma ocorrer são dores e outras  manifestações corporais. Os psicanalistas hoje se debruçam sobre esses  fenômenos. A Sociedade tem equipes de estudos de fibromialgia, dores  crônicas, psicossomática. Há membros da Sociedade pesquisando conexões  entre dor física e psíquica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; O senhor é psicanalista e psiquiatra, e há um embate entre essas áreas. O  que acha da oferta de remédios que prometem alívio rápido?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O avanço da psicofarmacologia permitiu medicações mais eficientes e com  menos efeitos colaterais. Por outro lado, é avassaladora a quantidade de  dinheiro investido na indústria de remédios, não só no desenvolvimento  científico, e sim na propaganda.  A promessa de "felicidade química"  surgiu na década de 80, com o Prozac. Foi questão de tempo para todos  descobrirem que não existe pílula de felicidade.&lt;br /&gt; Aliás, a psicanálise também não traz felicidade. Nem promete. A  psiquiatria clássica perdeu o contato com o ser humano, tenta encaixá-lo  numa lista de sintomas pré-estabelecidos. O resultado é que muitos  psiquiatras diagnosticam a tristeza como depressão. Isso é um desvio,  não é o caso de se medicalizar tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;  É possível medir os resultados de uma análise?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise promove transformações significativas. Existe um grupo em  Boston que está pesquisando mudanças psíquicas. Esse grupo estudou  pessoas que consideravam que suas análises tinham sido bem-sucedidas.  Elas destacaram a vivência de uma comunicação profunda com seus  analistas e "insights" que alteraram a percepção de si e das situações.  Comparo os "insights" da análise ao sistema olfativo: sentir um aroma  novo não significa só adicioná-lo ao repertório conhecido, e sim alterar  o circuito de tal modo que, a partir daí, o próximo odor será recebido  de forma diferente, porque toda a estrutura do arquivo foi modificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;  Por que a profissão não é reconhecida pelo Ministério da Educação?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Na década de 50, foi oferecido à SBPSP a possibilidade de se oficializar  a profissão e a formação, mas esse caminho não foi adotado. Na minha  opinião, por um erro de cálculo, mas nem todos concordam comigo. Muitos  acham que não é o Estado que tem que reconhecer nossa profissão, e sim  as próprias instituições psicanalíticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;'Tudo tem interpretação sexual'&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; VERDADE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise dá muita importância à sexualidade, mas porque amplia o  seu sentido. "Se a criança suga o polegar, isso é sexualidade para  Freud", diz o psicanalista Richard Simanke.&lt;br /&gt;Nada a ver com "psicanalistas amadores que veem um símbolo fálico em um  frasco de xampu", ironiza o professor David Lapoujade.  "Vi um filme em que o analista sugeria que o cliente mafioso teria  desejo pela mãe. O cara ficava indignado: 'O senhor já viu a cara da  minha mãe?'. Não é só desse sexual que tratamos", explica Maria Rita  Kehl.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Primeiro núcleo de analistas  brasileiros foi formado em 1927&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na São Paulo do início do século 20, a Semana de Arte Moderna criou um  clima propício à difusão da psicanálise. Artistas da vanguarda logo  captaram o alcance da teoria sobre o inconsciente.&lt;br /&gt;Poeta e membro da elite intelectual, o psiquiatra Durval Marcondes foi o  primeiro psicanalista do país. Junto com notáveis da antiga Faculdade  de Medicina, ele fundou um núcleo de estudos sobre o tema, que, em 1927,  resultaria na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.&lt;br /&gt;No ano seguinte, Marcondes lançou a "Revista Brasileira de Psicanálise",  enviou um exemplar a Freud e comunicou sua intenções de trazer o método  ao Brasil.&lt;br /&gt;Freud mandou resposta estimulante: havia até comprado um dicionário de  português com o intuito de ler a revista nas férias. A publicação não  foi longe, só voltou a ser editada nos anos 1960.&lt;br /&gt;O reconhecimento da Sociedade pela IPA (International Psychoanalytical  Association) só veio em setembro de 1951. Demorou décadas porque, para  se formarem como analistas e praticarem a clínica, os pioneiros  precisavam ser eles mesmos analisados.&lt;br /&gt;Para essa missão, a IPA enviou ao Brasil a psicanalista Adelheid Koch,  que emigrou de Berlim com família e gramofone. Depois de um tempo de  adaptação, iniciou a análise e a formação dos pioneiros: Marcondes,  Flavio Dias, Darcy Mendonça Uchoa, Frank Philips e Virginia Leone  Bicudo, socióloga negra de origem proletária, primeira psicanalista não  médica na América Latina.&lt;br /&gt; Além de abrir o campo para analistas de outras áreas, Virginia Bicudo  também se destacou pela divulgação das teorias freudianas.  Em 1950, criou um programa no rádio, "Nosso mundo mental", e, em 1954,  estreou coluna na &lt;b&gt;Folha da Manhã&lt;/b&gt;. Arrojada, tinha ideias sobre a função social do analista e dava concorridas palestras no auditório do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;MITOS E VERDADES&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;'O psicanalista entra na sessão mudo e sai calado'&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; MENTIRA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O silêncio tem duas funções, explica a psicanalista Maria Rita Kehl:  "Possibilitar que o sujeito escute a si mesmo e dar peso à intervenção  do analista". O analista de fato passa longos períodos calado, forçando o  paciente a prestar atenção no que ele diz. Para o professor Christian  Dunker, "as principais mudanças não acontecem quando escutamos o outro,  mas quando nos tornamos capazes de nos escutar".&lt;br /&gt;Mas o analista deve saber o momento de falar. "Hoje, ele fala muito mais nas sessões do que antes", diz Dunker. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Uma gramática dos afetos&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Preferimos nos dopar a ter de encarar o exercício lento e inseguro de pensar de outra forma&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; VLADIMIR SAFATLE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Desde que a psicanálise apareceu anuncia-se seu fim. Esse fim nunca  chegou, embora algo como uma "cultura psicanalítica" presente nas  sociedades ocidentais tenha tido momentos de declínio.&lt;br /&gt;Uma das maiores peculiaridades da psicanálise está no seu jeito de  constituir um novo modo de compreensão de nossos afetos e conflitos.&lt;br /&gt; Uma nova gramática dos afetos nasceu com ela, que moldou, de maneira  decisiva, a autopercepção do sujeito contemporâneo. Nossa visão de  família, sexualidade, moralidade e corpo são incompreensíveis sem a  referência à psicanálise.&lt;br /&gt; Os anúncios insistentes do seu declínio podem ser  vistos não só como  uma querela a respeito da eficácia de dispositivos clínicos. Trata-se de  fornecer às nossas sociedades ocidentais outra gramática dos afetos.&lt;br /&gt;Alguns podem achar estranha a afirmação segundo a qual o destino de uma  prática clínica não estaria, necessariamente, associado à reflexão sobre  sua eficácia.&lt;br /&gt;A psicanálise nunca foi um conjunto estático de procedimentos e  conceitos. Um  leitor atento de Freud sabe que ele age a todo momento  como alguém testando e abandonando hipóteses.&lt;br /&gt; Além do que,  o debate psicanalítico modificou-se graças a Jacques  Lacan, Donald Winnicott, Bion, Otto Kernberg, entre tantos outros.&lt;br /&gt;O que não mudou e, por isso, define a perspectiva psicanalítica de  maneira decisiva, é a crença de que o sofrimento psíquico não é  dissociável da compreensão que o paciente tem de sua doença. O  sofrimento coloca em questão a vida do sujeito, seus ideais de  autorrealização, seus valores morais, sua ideia de si mesmo.&lt;br /&gt; É uma maneira de lembrar que não é só o corpo que nos faz sofrer.  Podemos sofrer por nossas ideias e valores. Podemos até fazer com que o  corpo seja veículo da dor causada por ideias e valores.&lt;br /&gt;Nesse sentido, uma das grandes contribuições da psicanálise foi a  compreensão de que a constituição de ideias e valores que orientam nossa  vida é sempre conflitual e contingente. Tais conflitos voltam em vários  momentos, nos obrigando a produzir novos acordos, a pensar de outra  forma.&lt;br /&gt; E nada mais aterrador do que se ver na necessidade de pensar de outra  forma. Preferimos nos dopar a encarar o exercício lento e inseguro de  pensar de outra forma.&lt;br /&gt;Essa é, talvez, a essência da especificidade da psicanálise. Sua  gramática dos afetos nos traz uma maneira de nos descrevermos em que   noções como conflito, contradição, contingência e insegurança são  fundamentais. Sua clínica visa permitir ao sujeito desenvolver  habilidades para conjugar tal gramática.&lt;br /&gt; Nenhum psicanalista responsável negaria hoje o uso de medicamentos em  situações de quebra subjetiva. A questão é a crença de que o tratamento  deva ser reduzido ao setor da farmacologia.  Tal redução é feita em nome da implantação de outra gramática dos  afetos, no interior da qual nossa vida poderia ser otimizada, calculada a  partir de equações que nos garantiriam boa performance no trabalho, na  vida sexual, no casamento.&lt;br /&gt;Uma vida em que a linha separando a normalidade da patologia é feita em  traços não problemáticos. Tudo rápido, mesmo que precisemos tomar  antidepressivos anos a fio.  Por isso, por trás de querelas sobre  modelos de tratamento psiquiátrico, sempre encontraremos uma questão  maior, a saber: que tipo de pessoa queremos ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;MITOS E VERDADES&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;'Psicanálise não cura'&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; MENTIRA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Cientistas da Universidade de Hamburg-Eppendorf, Alemanha, analisaram em  2008 estudos envolvendo mais de mil pacientes submetidos a terapias de  longa duração. Conclusão: essas chegam a ser até 96% mais eficientes do  que outras. Para o psicanalista argentino Juan-David Nasio, as pessoas têm uma visão  equivocada da análise como apenas uma experiência intelectual  interessante. "A psicanálise, acima de tudo, é um tratamento da dor."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;"A psicanálise tem a falha de ser imune ao presente"&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;   &lt;b&gt; HÉLIO SCHWARTSMAN&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psicanálise sobrevive com vigor na Argentina, no Brasil e na França.  No resto do mundo, seu estado varia de decadente a agonizante. E, mesmo no primeiro grupo, ela vem sofrendo ataques, como atesta a  publicação, em 2005, na França, de "O Livro Negro da Psicanálise", obra  coletiva que reúne 40 artigos contra Freud, alguns deles bastante  virulentos.&lt;br /&gt;Em 2010, foi a vez do polêmico filósofo Michel Onfray desancar Freud, em  624 páginas do seu livro "O Crepúsculo de um Ídolo". Onfray diz que  psicanálise não passa de religião, não tem mais efeito do que placebos e  acusa Freud de não medir esforços para obter dinheiro e glória.&lt;br /&gt;"O Livro Negro" e "Crepúsculo" traduzem para o francês humores  antipsicanalíticos que emanam do mundo acadêmico americano, onde a visão  preponderante é a de que Freud foi um charlatão. De minha parte, acho difícil sustentar que a psicanálise seja uma  ciência. Parece-me, entretanto, historicamente falso, além de injusto,  negar a Freud um lugar no panteão dos pioneiros.&lt;br /&gt;Afinal, ele popularizou a noção de inconsciente e ressaltou sua  importância nos processos mentais humanos. O ocaso de Freud nos EUA teve início nos anos 50, com os primeiros  fármacos psicoativos. A constatação de que drogas provocavam alterações  no psiquismo abriu uma nova avenida para pesquisas.&lt;br /&gt;Ressonâncias magnéticas funcionais e tomografias por PET completaram o  arsenal da neurociência para esquadrinhar o cérebro. Paixões e  pensamentos deixam de ser abstrações para se tornar manifestações  físicas nos neurônios. Paradoxalmente, o próprio Freud, que jamais  renunciou à pretensão de fazer ciência, teria aplaudido o avanço da  psicofarmacologia.&lt;br /&gt; No inacabado "Esboço de Psicanálise", de 1938, escreveu: "O futuro  provavelmente vai nos ensinar a influenciar diretamente as quantidades  (psíquicas) de energia e sua distribuição no aparelho psíquico por meio  de matérias químicas especiais. Talvez surjam ainda outras  possibilidades ainda desconhecidas de terapia; por enquanto nós ainda  não temos nada melhor que a técnica psicanalítica à nossa disposição".&lt;br /&gt;Aparentemente, esse futuro chegou -em que pese a forma ainda grosseira  com que atuam os psicofármacos. Como foi formulada, a psicanálise não é ciência. Faltam-lhe metodologia,  resultados mensuráveis e conteúdo empírico para reclamar estatuto  epistemológico.&lt;br /&gt;Pelo menos para mim é especialmente chocante a ideia de que o principal  que havia a ser dito sobre psiquismo humano foi dito por Freud há mais  de 70 anos e, de lá para cá, nada de muito relevante surgiu.&lt;br /&gt;Se é verdade que as ciências padecem do defeito de olhar pouco para seu  passado, a psicanálise tem a falha de ser imune ao presente. A verdade  já foi revelada pelo profeta vienense, não havendo mais nada (ou quase  nada) a acrescentar.  E essa é uma característica que, creio, dá razão a Onfray quando afirma  que a psicanálise se estruturou de forma semelhante às religiões.&lt;br /&gt; Para prová-lo, basta conferir o alto número de defecções, rompimentos e  excomunhões entre seus membros.  Só que nem a precariedade epistemológica da psicanálise nem as picuinhas  levantadas por Onfray, como as supostas infidelidades conjugais de  Freud ou suas simpatias pelo fascismo, são suficientes para tirar do  vienense o mérito de ter posto o inconsciente na ordem do dia.&lt;br /&gt;Avanços da neurociência mostram que esse conceito é mais importante do  que suspeitava o pai da psicanálise.  Experimentos nesse campo já colocam em dúvida até a existência do  livre-arbítrio. Ter percebido isso num mundo vitoriano é uma façanha.&lt;br /&gt;Só isso basta para colocar Freud no mesmo patamar de outros grandes  pensadores que, munidos só da especulação, contribuíram para que a  humanidade lançasse um novo olhar sobre si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;MITOS E VERDADES &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;'O tratamento é longo demais'&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; VERDADE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Se o objetivo for só se livrar de um sintoma, a análise não é um caminho  vantajoso, diz Richard Simanke. Se há uma vontade de se conhecer sem  pressa, OK.&lt;br /&gt;Na série "Two and a Half Men", o personagem de Charlie Sheen quer achar  uma solução para problemas de ereção. Uma psicóloga lhe dá duas opções:  fazer análise ou ser hipnotizado. Ele escolhe a segunda, e ela pergunta:  "Sua saúde mental não é mais importante do que alguns orgasmos?".  Charlie responde: "Não é mais importante nem mesmo do que um". Se ele  procurasse o francês Lacan, talvez ouvisse sua frase famosa: "Você não é  obrigado a gozar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;LINGUAGEM&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;  NARCISISMO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Este conceito é trabalhado em diferentes contextos dentro da  pscicanálise, mas significa, basicamente, amar a si mesmo. O termo narcisismo denomina uma fase da infância em que as crianças  buscam o próprio corpo como fonte de prazer, mas também pode identificar  o distúrbio que faz a pessoa egoísta se interessar apenas por ela  mesma.  A expressão foi usada por Freud pela primeira vez para explicar o  homossexualismo, isto é, quando um indivíduo busca um parceiro sexual  parecido com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; INCONSCIENTE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Estrutura psíquica constituída por conteúdos recalcados que não chegam à  consciência. Conceito mais fundamental da teoria freudiana, pressupõe que a maior  parte da vida psíquica de uma pessoa permaneça em um nível que não  obedece à racionalidade. Segundo Freud, é no inconsciente que ficam guardados os desejos  reprimidos. Grande parte do comportamento e das decisões de uma pessoa  seriam fruto do trabalho do inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;b&gt; ASSOCIAÇÃO LIVRE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Método de investigação do inconsciente em que o paciente é estimulado a  falar tudo que lhe vier à cabeça, sem se preocupar se faz ou não  sentido. O objetivo da técnica é descobrir as cadeias associativas que formam o  pensamento mais primitivo de cada pessoa, para entender como ela  raciocina antes que as ideias passem pelo filtro da autocensura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; COMPLEXO  DE ÉDIPO  &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;   Ponto central da teoria freudiana. É o conjunto de sentimentos afetivos e  hostis que a criança tem em relação aos pais. O caso clássico é o do  menino que sente atração pela mãe e ódio pelo pai, visto como rival.  Esse complexo seria universal e atingiria meninas (para isso, Jung criou  o termo "complexo de Electra") e crianças vindas de organizações  familiares diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; Para Freud, os sonhos são projeções do inconsciente. No sono, haveria  uma indulgência da censura que permitiria o acesso a desejos recalcados  na vigília. Ao ouvir o relato de um sonho, o analista poderia  interpretá-lo de maneira semelhante à interpretação de uma associação  livre. Por isso a psicanálise clássica dá tanta importância aos sonhos:  eles seriam a associação livre praticada todos os dias, por todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;  INVEJA DO PÊNIS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A fase da infância em que a menina percebe que os meninos têm pênis e  ela, não, é o elemento essencial da sexualidade feminina, para Freud. A  partir desse momento, as mulheres experimentariam um complexo de  castração e um sentimento de inveja e desejo em torno do pênis. Na idade adulta, essa inveja evoluiria para uma vontade de possuir um  pênis dentro de si por meio do sexo ou da gestação de um filho. Quando  mal resolvida, a inveja poderia gerar sintomas neuróticos ou complexo de  masculinidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; EGO, ID E SUPEREGO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Para explicar o funcionamento da mente, Freud concebeu uma estrutura com  três níveis interligados. O ego é o primeiro andar dessa estrutura e  simboliza a parte organizada do sistema, aquela que atua na realidade  externa e tenta se adaptar a ela. O id é a fonte das memória reprimidas e dos impulsos instintivos,  dominados pelo princípio do prazer e do desejo imediato e inconsequente.   O superego, por fim, é uma espécie de juiz e vigilante do comportamento.  Funciona como a autoconsciência moral da personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; BISSEXUALISMO &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Na psicanálise, o termo bissexualidade nem sempre se refere a uma pessoa  que tem interesse sexual pelos dois gêneros. Para Freud, todo ser  humano traz dentro de si características femininas e masculinas, assim  como desejo pelos dois sexos. Ao longo da formação, o mais comum é que  uma dessas características se sobressaia, enquanto a outra é dominada,  gerando um recalque no inconsciente com o qual é preciso lidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; PULSÕES&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É um estado de tensão ou de excitação análogo aos impulsos instintivos  que orienta o comportamento em direção à satisfação de um desejo  primário que a pessoa nem sempre consegue identificar. Inicialmente, Freud postulou duas pulsões: a sexual e a de  autoconservação. Depois, agrupou essas duas na categoria de pulsões  sexuais, contrapondo-as à pulsão de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Neuropsicanálise existe?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mark Solms bem que tentou, ao fundar, em 2000, a Sociedade Internacional  de Neuropsicanálise, promover um trabalho interdisciplinar entre a  psicanálise e a neurociência: ele gostaria de usar a neurociência para  "comprovar" as teorias de Freud e usá-las como arcabouço intelectual  para a neurociência.&lt;br /&gt;Na prática, a fusão não funciona, e eu diria que por uma razão bem  simples: uma nunca precisou da outra.  Freud propôs o que era cabível à sua experiência profissional, aos seus  valores e aos seus conhecimentos limitados à neurologia da época, no  contexto de uma Europa vitoriana pós-Darwin onde era tão problemático  quanto importante lembrar que o ser humano tem impulsos como os outros  animais.&lt;br /&gt;Então, como hoje, a psicanálise não dependia de respaldo  neurocientífico: ela é um sistema fechado de crenças sobre o  comportamento humano, de grande utilidade em casos de necessidade de  insight e autoconhecimento  -e zero utilidade em distúrbios como  dependência química, transtornos obsessivos-compulsivos e esquizofrenia.&lt;br /&gt;Sim, há um enorme interesse em comum: compreender a mente humana.  Mas foi justamente livre da psicanálise que a neurociência andou tanto.  Hoje reconhecemos que o carinho materno na infância é fundamental ao  desenvolvimento emocional; que os impulsos, sexuais e outros, são tão  importantes para o comportamento que são orquestrados por um sistema  dedicado (o de recompensa); e que tudo opera sob o controle de um  sistema executivo que autoriza e torna conscientes só alguns dos  processos.&lt;br /&gt;Mas doenças mentais não resultam de repressão falha, neuroses não são  distúrbios de função sexual originados na infância e sonhos são só  acontecimentos recentes ou passados revisitados pelo cérebro. Se Freud  pensava assim ou não, pouco importa para a neurociência.  E, para os psicanalistas, pouco importa onde ficam o id ou o ego, se é  que ficam em algum lugar. Ainda que alguns, mais chegados à  neurociência, tenham apreço pela liberdade de pensar para além dos  ditames de Freud e gostem de saber no que a sua teoria erra ou acerta.&lt;br /&gt;Mas se não há "psicanálise" se a teoria psicanalítica não for seguida à  risca, só o próprio Freud poderia rever seus conceitos à luz da  neurociência e, então, propor uma neuropsicanálise. Enquanto isso não  acontecer, a tal da "neuropsicanálise" continua não existindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;b&gt;SUZANA HERCULANO-HOUZEL&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;'Você não deve saber nada sobre seu analista'&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; EM TERMOS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É fácil confundir o analista com um amigo ou confidente. Para que os  papeis não se misturem, é necessário demarcar limites. Mas o  psicanalista que exagera no anonimato pode se tornar tão misterioso que  acaba idealizado pelo paciente, o que também não é bom. Para Maria Rita  Kehl, o ideal do anonimato é tão impossível hoje, nos tempos do Google,  quanto era no círculo burguês de Freud: "Não saber nada sobre o analista  é um ideal puritano, mas não é bobagem exigir que o analista não fale  de si ao paciente. Um certo mistério é fundamental para sustentar a  transferência e as fantasias que ele convoca", explica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;TERAPIA POPULAR&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Nem sempre sai caro &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Sociedades de psicanalistas e instituições de ensino dão atendimento a preços baixos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;  JULIANA VINES&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas sociedades e institutos de formação oferecem serviços de  atendimento em psicanálise com preços reduzidos. Poucos são gratuitos.&lt;br /&gt;"Cobrar um valor, mesmo que seja R$ 0,50, é importante para o  envolvimento do paciente  com o tratamento", diz Luís Henrique Novais,  psicanalista e coordenador do Núcleo Távola, em Ribeirão Preto, interior  de SP.&lt;br /&gt;Em geral, esses atendimentos são individuais, feitos nos próprios  consultórios dos analistas. Mas também há terapias em grupo, como no  Instituto Sedes Sapientiae (veja ao lado). "A terapia em grupo pode  potencializar os resultados do tratamento", diz Maria de Fátima Vicente,  psicanalista e diretora da clínica da instituição.&lt;br /&gt;Segundo a Federação Brasileira de Psicanálise, há 2.198 psicanalistas no  país, divididos em sociedades, grupos de estudo e núcleos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; SEDES SAPIENTIAE&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Atende, em média, 600 pacientes por mês &lt;b&gt;Tipo de terapia:&lt;/b&gt; individual ou em grupos&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Quanto: &lt;/b&gt;há vagas gratuitas para até seis meses (sujeitas à  disponibilidade). Se não houver vagas, o paciente diz quanto quer pagar,  de acordo com a sua condição financeira. Em média, varia de R$ 15 a R$  89 a sessão&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Como participar: &lt;/b&gt;inscrição por telefone e participação em três reuniões de terapias em grupo, para encaminhamento&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Informações: &lt;/b&gt;(11) 3866-2730; &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.sedes.org.br/"&gt;www.sedes.org.br&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; CLÍNICA PSICOLÓGICA DA USP&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Atende até 150 pessoas por ano&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Tipo de terapia: &lt;/b&gt;individual, crianças e adultos;  a maioria dos atendimentos é em psicanálise&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Quanto: &lt;/b&gt;95% das sessões são gratuitas, o resto é cobrado de acordo com a possibilidade&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Como participar:&lt;/b&gt; ligar  a partir da 2ã semana de janeiro para marcar entrevista; pode haver espera e o atendimento dura  no máximo dois anos&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Informações: &lt;/b&gt;(11) 3091-8248 e 3091-8223; &lt;b&gt;&lt;a href="mailto:clinica@usp.br"&gt;clinica@usp.br&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICANÁLISE DE SP&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Cerca de cem psicanalistas atendem em seus consultórios&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Terapia: &lt;/b&gt;individual, crianças e adolescentes, pais e bebês, terapia de casal e familiar&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Quanto: &lt;/b&gt;conforme a renda familiar; 4 sessões por semana  custam cerca de R$ 500/mês&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Como participar: &lt;/b&gt;agendar uma entrevista por telefone; não há fila de espera; é cobrada uma taxa de R$ 25&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Informações: &lt;/b&gt;(11) 3661-9822&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; PUC-SP&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Atende cerca de 1.200 pacientes por mês&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Tipos de terapia:&lt;/b&gt; de casal e família, crianças e pré-adolescentes, atendimento psicanalítico para adultos e outros tipos de psicoterapias&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Quanto:&lt;/b&gt; de acordo com a renda do paciente (pode ser gratuito)&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Como participar:&lt;/b&gt; se inscrever por telefone; não há fila de espera, mas é preciso haver vagas para se inscrever&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Informações:&lt;/b&gt; (11) 3670-8040;&lt;b&gt; &lt;a href="http://www.pucsp.br/clinica"&gt;www.pucsp.br/clinica&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt; SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICANÁLISE DO RJ&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Especialistas atendem em seus consultórios. Neste ano já foram atendidas cem pessoas Tipos de terapia: adulto e clínica de pais e bebês&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Quanto: &lt;/b&gt;é acertado entre o paciente e o analista&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Como participar:&lt;/b&gt; inscrições na sede; o paciente é encaminhado a um analista em até 15 dias&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Informações:&lt;/b&gt; (21) 2537-1333&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;MITOS E VERDADES&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;'Todo mundo precisa fazer análise'&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;MENTIRA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A relevância de uma análise varia de acordo com o momento da vida e os  objetivos de cada um. "Nem sempre a análise poderá contribuir muito para  as circunstâncias efetivas de uma vida", afirma o psicanalista  Christian Dunker. Há situações em que ela pode ser fundamental. "Há  momentos nos quais a análise será decisiva para remover um sintoma ou  mitigar o sofrimento." De forma geral, deve buscar a análise quem sente dores, tristeza ou  ansiedade crônicas sem motivo aparente, passa por momentos de grande  pressão mental ou está buscando se conhecer melhor, sem pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;ROSELY SAYÃO &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Brincando de terapeuta&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criançada está com a saúde mental comprometida, apresentando muitos  sintomas, doente. Essa é a conclusão a que chegamos quando tomamos  conhecimento da quantidade de crianças e jovens que têm indicação para  fazer ou já fazem ludoterapia, psicanálise para criança ou adolescentes e  outros tratamentos derivados.&lt;br /&gt;Uma criança de três anos, por exemplo, que apresentou um comportamento  considerado diferente ou de difícil trato, o que colocou pais e  professores em apuros, já mereceu a indicação para um atendimento  psicanalítico.&lt;br /&gt;Outra, um garoto de dez anos, já tem em seu currículo de vida a passagem  por três -três!- tratamentos psicanalíticos. O motivo? É uma criança  que passou a apresentar dificuldades escolares.&lt;br /&gt; E a menina de oito anos que apresentou o que seus pais chamaram de  "erotismo precoce". Já está em atendimento há mais de um ano. Será que é para tanto?&lt;br /&gt;Recentemente, conversei com uma psicanalista a respeito dessa epidemia  de indicação e de tratamentos psicanalíticos (ou chamados de)  para  crianças. Ela me deu ideias bem interessantes a respeito do assunto. Primeiramente, disse que muitos tratamentos chamados psicanalíticos não o  são de fato, porque nem sempre estão fundamentados no aparato teórico  psicanalítico, por sinal bem complexo.&lt;br /&gt; Ainda mais hoje, com tantas mudanças já ocorridas no mundo após a  publicação dos principais textos que inauguraram a psicanálise. Vamos reconhecer esse fato como verdadeiro. Agora, há até curso de  psicanálise pela internet e qualquer pessoa pode se denominar  "psicanalista de criança".&lt;br /&gt;Isso na melhor das hipóteses, porque você, leitor, já deve ter visto  pela cidade placas em consultórios indicando "psicanálise infantil". O  que será isso?!&lt;br /&gt;Bem, mas a melhor consideração que ela fez, em minha opinião, foi a de  que hoje, mais do que nunca, os adultos responsáveis pela formação dos  mais novos -em geral os pais- usam as crianças para satisfazer seus  próprios desejos. Ou seja: os adultos projetam sobre as crianças que  estão sob sua responsabilidade sua busca infantil de prazer imediato.&lt;br /&gt;Um exemplo? Basta observar com atenção pais e seus filhos nos shoppings  das cidades se dedicando à compra de brinquedos.  Quem sente mais prazer com a compra desses objetos? As crianças -que,  na sua imaturidade característica, se submetem sem saber aos apelos do  consumismo- ou os pais, que dedicam uma parte polpuda de seu salário  para essas aquisições?&lt;br /&gt; Você terá surpresas interessantes, caro leitor, se observar a expressão  facial deles nesses momentos. Em resumo: quem deveria, de fato, marcar presença semanal nos  consultórios de psicanálise são os adultos. A maioria das crianças que  frequentam duas, três ou mais vezes semanais o consultório está lá  indevidamente.&lt;br /&gt;Algumas delas precisam desse tratamento? Certamente. Muitas não terão nenhum benefício com isso? De fato, não sabemos.  Mas sabemos que um tratamento psicanalítico não deveria ser banalizado dessa maneira.&lt;br /&gt;E sabemos também que muitas das crianças que são tratadas pela  psicanálise -ou terapias ditas psicanalíticas- apenas pagam o preço de  nossos desvios, de nossa infantilidade, de nossa imaturidade.&lt;br /&gt;Ora, deveríamos, então, honrar as nossas próprias contas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-3971572053355313068?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/3971572053355313068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/10/psicanalise.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3971572053355313068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3971572053355313068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/10/psicanalise.html' title='Psicanalise'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-921L5qAMsaw/To72nZCwi-I/AAAAAAAACU8/cVAg8lmNGsc/s72-c/freud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-6805702430033789129</id><published>2011-09-27T10:40:00.002-03:00</published><updated>2011-09-27T10:46:15.838-03:00</updated><title type='text'>Muita potência no motor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-Shs9_iOVkXM/ToHTlXPLygI/AAAAAAAACRc/10X0qIKxjxw/s1600/cristiano-ronaldo-ferrari-acidente.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 124px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-Shs9_iOVkXM/ToHTlXPLygI/AAAAAAAACRc/10X0qIKxjxw/s200/cristiano-ronaldo-ferrari-acidente.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657035245800376834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Inventaram um novo "assassinato social":&lt;br /&gt;beber, entrar num carro&lt;br /&gt;e dizimar  quem estiver passando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Nos Estados Unidos, o comum é um sujeito se encher de carabinas e rifles,  invadir uma escola, atirar no máximo de pessoas que conseguir e terminar se  matando também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os brasileiros estão inventando um tipo novo de "assassinato  social". Consiste em beber bastante, entrar num carro -quanto mais caro e  poderoso, melhor- e dizimar quem quer que esteja passando pela calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro  que uma notícia puxa outra. Não que o cretino tenha sido "influenciado" pelo  atropelamento que leu no jornal (embora isso possa acontecer também).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas  acontece de um caso específico atrair a atenção da população e os imediatamente  seguintes acabarem entrando com mais destaque no noticiário, por força da  coincidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim há alguns anos, quando se repetiram as cenas de  motoristas bêbados guiando na contramão de rodovias como a Imigrantes ou a  Fernão Dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela moda, ao que tudo indica, passou. Os casos de Ferraris,  BMWs, Land Rovers ou sei lá o quê subindo nas calçadas e matando gente se  tornaram, entretanto, mais comuns -pelo menos, em regiões da cidade supostamente  mais seguras e policiadas, como Pinheiros e Vila Madalena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São regiões com  muito trânsito também, e pelo menos isso poderia inibir o motorista embriagado  de pisar tanto no acelerador. Começo a especular um pouco. Talvez os próprios  congestionamentos sejam um motivo para esse comportamento assassino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O feliz  proprietário de uma máquina de grande potência, projetada para voar numa  autobahn alemã, ou para enfrentar desafios "off-road" no deserto do Colorado, se  vê, um belo dia, empacando a cada 15 metros num congestionamento da Rebouças.  Sai por uma "via alternativa", como gostam de dizer no rádio, e encara o asfalto  péssimo, as valetas, o catador de papel velho que se arrasta com sua  carrocinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motor, com toda sua potência acumulada, é um tigre enjaulado.  Um mínimo de espaço à frente, eis que avança com ímpeto assassino. A solução não  está nas faixas de pedestres, é claro. Desconfio até que a iminência de uma  fiscalização mais rigorosa a esse respeito motivou inconscientemente alguns  motoristas a um comportamento mais desenfreado do que de costume. Pedestres em  liquidação. Aproveite enquanto é tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos últimos episódios de  criminalidade automotiva, entretanto, pode jogar outras hipóteses na discussão.  Na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, o jovem Pedro Henrique Santos furtou um  ônibus e desembestou por 23 quilômetros. Só parou depois de ter batido em 18  carros. Estava bêbado e drogado, provavelmente, mas o que chama a atenção é a  roupa que ele estava usando. O rapaz, que era estudante de direito, usava uma  roupa de policial do Bope. Tinha saído de uma festa à fantasia; ao ser preso,  chegou a dizer que era protegido da presidente Dilma Rousseff.&lt;br /&gt;Fantasia é bem  o termo. Com droga ou sem droga, está em jogo uma fantasia de poder. Nos Estados  Unidos, o psicopata usa rifles para encenar algum tipo de vingança à moda de  Rambo ou do faroeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, onde não é tão fácil comprar armas de grosso  calibre, o carrão tipo tanque de guerra ou, na falta dele, um ônibus comum, dão  conta do recado. O sujeito já fica sentado a uma altura muito superior à média.  Assim como o atirador prefere mirar do alto de uma torre ou de uma colina, o  matador motorizado enxerga seus semelhantes de cima para baixo. O mero pedestre  talvez não baste. Com o aumento do poder aquisitivo da classe baixa, o carro  popular pode se tornar, também, uma vítima apetecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe, tudo não é  fruto da prosperidade econômica? Por volta de 1950, os americanos pisavam fundo  no acelerador e a ligação entre carro, bebedeira e morte estava no auge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  pintor Jackson Pollock morreu disso, em 1956, matando também uma moça que pegava  carona com ele. Talvez mais impressionante, anos antes, tenha sido o caso do  poeta Robert Lowell, que dirigia bêbado ao lado da escritora Jean Stafford, por  quem estava apaixonado. Já tinha ameaçado matá-la e suicidar-se caso ela não  consentisse com o casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tentou resistir; ele arremeteu o carro  contra um muro. O acidente desfigurou o rosto da moça. Casaram-se depois disso,  amargando dez anos de infelicidade mútua, sem sexo. Não é regra geral, claro.  Mas dá o que pensar tanta confiança na potência do motor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Coelho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-6805702430033789129?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/6805702430033789129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/09/muita-potencia-no-motor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6805702430033789129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6805702430033789129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/09/muita-potencia-no-motor.html' title='Muita potência no motor'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Shs9_iOVkXM/ToHTlXPLygI/AAAAAAAACRc/10X0qIKxjxw/s72-c/cristiano-ronaldo-ferrari-acidente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8933308676845634193</id><published>2011-09-21T15:19:00.003-03:00</published><updated>2011-09-21T15:22:47.563-03:00</updated><title type='text'>As crianças fazem as leis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-Kp78G3WfaVQ/TnorPVphSHI/AAAAAAAACP0/JYIliq5Q_zw/s1600/0194c.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 149px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Kp78G3WfaVQ/TnorPVphSHI/AAAAAAAACP0/JYIliq5Q_zw/s200/0194c.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5654879824626403442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;table width="250"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Quando um aluno se  torna um problema, ele é levado&lt;br /&gt;a um tribunal&lt;br /&gt;e os alunos tomam a decisão&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;A MENINA me havia advertido: para entender a sua escola eu teria de me  esquecer de tudo o que eu sabia sobre as outras escolas... Lembrei-me da pedagogia de Ricardo Reis: "... tendo as crianças por  nossas mestras...". E ali estava eu, um velho, aprendendo de uma  criança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis aprender um pouco mais. Perguntei: "Vocês não têm problemas de disciplina? Não há, entre vocês, os  valentões que há em todas as escolas, que agridem, ofendem, ameaçam e  amedrontam?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah", ela me respondeu. "Temos sim. Mas para esses casos temos o tribunal..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tribunal?", perguntei curioso. Mais uma coisa que eu nunca vira em  escolas! Ela então me explicou: "As leis de nossa escola foram  estabelecidas por nós mesmos, alunos. Temos então de zelar para que  essas leis sejam cumpridas. A responsabilidade com o cumprimento das  leis é nossa e não dos professores e do diretor. Somos nós, e não eles,  que temos de tomar as providências para que a vida da escola não seja  perturbada. Quando um aluno se torna um problema ele é levado a um  tribunal -tribunal mesmo, com juiz, advogado de defesa, advogado de  acusação- e é julgado. E a comunidade de alunos toma a decisão cabível".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei à Escola da Ponte um ano depois e fui informado de que o tribunal  deixara de existir. A razão? Um aluno terrível fora levado a  julgamento. O juiz -não me lembro se menina ou menino- nomeou o advogado  de acusação, e o réu nomeou seu próprio advogado. No dia marcado,  reunidos os alunos, o advogado de acusação proferiu a sua peça, tudo de  mau que aquele menino havia feito. O diretor, que apenas assistia à  sessão, relatou-me sua impressão: "O réu estava perdido. A peça  acusatória era arrasadora..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a vez do advogado da defesa que ficou mudo e não conseguiu falar.  A presidência do tribunal nomeou então um advogado "ad hoc", uma menina  que teve de improvisar. E essa foi sua linha de argumentação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vocês são todos religiosos, vão ao catecismo e aprendem as coisas da  igreja. Vocês aprenderam que quando alguém está em dificuldades é  preciso ajudá-lo. Todos vocês sabiam que o nosso colega estava em  dificuldades. Precisava ser ajudado. Eu gostaria de saber o que foi que  vocês, que aqui estão assentados como júri para proferir a sentença,  fizeram para ajudar nosso colega..." Seguiu-se um silêncio profundo.  Ninguém disse nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina continuou: "Então vocês, que nada fizeram para ajudar esse  colega, agora comparecem a esse julgamento com pedras na mão, prontos a  apedrejá-lo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essa pergunta, o tribunal se dissolveu porque perceberam que todos,  inclusive o juiz e o advogado de acusação, eram culpados. Como é que estão resolvendo agora o problema da indisciplina e da  violência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criaram um novo sistema, inspirado numa história da escritora Sophia  Mello de Breyner Andressen que conta de uma fada -acho que o seu nome  era Oriana- que vivia para ajudar crianças em dificuldades. Como  funciona? É simples. Quando um aluno começa a apresentar comportamento  agressivo forma-se um pequeno grupo de "fadas Orianas" para impedir que a  agressão e a violência aconteçam. Pelo que me foi relatado, as fadas  Orianas têm tido resultados muito bons. Quem sabe coisa parecida poderia  funcionar com os "bullies" que infernizam a vida dos mais fracos nas  escolas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUBEM ALVES&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8933308676845634193?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8933308676845634193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/09/as-criancas-fazem-as-leis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8933308676845634193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8933308676845634193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/09/as-criancas-fazem-as-leis.html' title='As crianças fazem as leis'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Kp78G3WfaVQ/TnorPVphSHI/AAAAAAAACP0/JYIliq5Q_zw/s72-c/0194c.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8251804696181043198</id><published>2011-09-14T09:42:00.002-03:00</published><updated>2011-09-14T09:45:41.420-03:00</updated><title type='text'>Saques, arrastões e "ressentiment"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-E_ak9ZjVHD0/TnCh1zOqkII/AAAAAAAACPc/kv2VGOZP8uc/s1600/londres-morto.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 136px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-E_ak9ZjVHD0/TnCh1zOqkII/AAAAAAAACPc/kv2VGOZP8uc/s200/londres-morto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5652195478006829186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Na nossa época, futilidades são,&lt;br /&gt;no mínimo, tão relevantes e necessárias&lt;br /&gt;quanto era o pão em 1789&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;A turba que afugentou Luís 16 e Maria Antonieta de Versailles, em 1789, pedia pão porque estava com fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A turba de Londres em 2011 pedia bugiganga eletrônica e roupa de marca  -artigos que, aos olhos de muitos, parecem não ser de primeira  necessidade. Ou seja, aparentemente, a violência da turba de 1789 talvez  fosse justificada, mas a de 2011 não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo passado, na &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt;, Eliane Trindade escreveu sobre  meninas de rua que praticam arrastões em São Paulo. Elas procuram  produtos para alisar o cabelo, celulares cor-de-rosa e lentes de contato  verdes para mudar a cor dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém estranha que elas não prefiram uma comida boa ou uma roupa  quente? Como disse uma menina, o que elas querem é ser bonitas (claro,  nos moldes da cultura de massa). Será que, como a turba de Londres, elas  seriam culpadas por não desejarem bens "de primeira necessidade"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não penso assim -e não é por indulgência com assaltos e arrastões. É  porque, na nossa época, as "futilidades" são, no mínimo, tão relevantes e  tão necessárias quanto era o pão em 1789. Explico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1789, as diferenças eram de casta. Salvo filósofos perdidos na turba,  as pessoas reunidas no protesto queriam manifestar sua indignação e  satisfazer sua fome, mas não pensavam em mudar a ordem social e subir na  vida. Na época, aliás, ninguém subia para lugar nenhum, as pessoas  ocupavam o lugar que lhes cabia por nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À força de indignação e raiva, as coisas foram longe, até que ruiu o  próprio regime de castas. Desde então, o que confere status não é mais o  berço (nobre ou não) no qual a cegonha nos depositou, mas fatores que  não dependem só do acaso: trabalho, riqueza, estilo, virtudes morais,  cultura etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quem somos" depende de como conduzimos nossa vida e  (indissociavelmente) de como ela é avaliada pelos outros. Para obter o  reconhecimento de nossos semelhantes (sem o qual não somos nada), os  objetos que nos circundam ajudam mais do que a barriga cheia; eles têm  uma função parecida com a dos paramentos das antigas castas: declaram e  mostram nosso status -se somos antenados, pop, fashion, sem noção,  ricos, pobres ou emergentes, cultos ou iletrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos achar cafonas os objetos roubados pelas meninas e pelos  saqueadores (o consumo de massa desvaloriza seu consumidor), mas o que  importa é que eles roubaram objetos que lhes eram necessários para  existir, para ser "alguém" no mundo. Isso não justifica nem saques nem  arrastões; mas vale notar que, na nossa época, as futilidades são, no  mínimo, tão relevantes e necessárias quanto era o pão para o pessoal de  1789.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto. Houve quem detestou os saqueadores londrinos por eles não  estarem interessados em alterar a ordem social: roubaram para ter as  mesmas coisas que a gente e, portanto, chegar exatamente ao lugar que  nós ocupamos agora. Para usar uma expressão clássica em filosofia, os  saqueadores seriam um caso de "ressentiment".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nietzsche tomou o termo (e parte de seu sentido) de Kierkegaard.  Modernizando, a ideia é a seguinte: "Não tive sorte ou, então, sou burro  e preguiçoso, acho chato estudar e gosto de dormir. Sou invisível  socialmente e invejo o bem-sucedido, que se pavoneia com seus objetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero me sentir culpado de minha condição; prefiro, portanto, acusar  dela o bem-sucedido. Com isso, viverei minha mediocridade como se fosse  o resultado da violência dos privilegiados, que gozam de tudo e não  deixam nada para mim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, para se consolar, o ressentido inventa uma moral (social ou  religiosa) pela qual, no futuro, seu perseguidor será destronado pela  revolta ou queimará nas chamas do Inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos bares da "facu" de filosofia, nos anos 1970, colegas de direita  acusavam a revolução proletária de ser apenas um projeto ressentido.  Respondíamos que a revolução não era ressentida, porque ela não queria  vingança, não queria substituir a burguesia, apropriando-se de seus  brinquedos: seu intuito era inaugurar um mundo diferente, onde todos  gozaríamos de novos prazeres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse ponto de vista, os saqueadores de Londres, eles sim, seriam simplesmente uns ressentidos, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser, mas, antes de responder, recomendo paciência: o que hoje  parece apenas "ressentiment" pode ser a faísca de mudanças que nem  suspeitamos. Afinal, o pessoal de 1789 só pedia pão, e olhe o que  aconteceu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTARDO CALLIGARIS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8251804696181043198?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8251804696181043198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/09/saques-arrastoes-e-ressentiment.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8251804696181043198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8251804696181043198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/09/saques-arrastoes-e-ressentiment.html' title='Saques, arrastões e &quot;ressentiment&quot;'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-E_ak9ZjVHD0/TnCh1zOqkII/AAAAAAAACPc/kv2VGOZP8uc/s72-c/londres-morto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-7322103637438591979</id><published>2011-09-11T10:30:00.000-03:00</published><updated>2011-09-11T10:35:58.306-03:00</updated><title type='text'>Um fetiche não fabricado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-ni5iBt-wEZI/Tmy474grUUI/AAAAAAAACOE/QBAEx19oSMI/s1600/Camisa-Social-686x1024.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 134px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-ni5iBt-wEZI/Tmy474grUUI/AAAAAAAACOE/QBAEx19oSMI/s200/Camisa-Social-686x1024.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651094971364364610" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Uma mulher nua fica mais sexy&lt;br /&gt;numa camisa masculina folgada&lt;br /&gt;que em qualquer outro traje&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Para mim, nada é tão sexy quanto uma mulher que acorda na cama de um  homem e veste a camisa social dele como um pijama improvisado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente de uma calcinha comestível sabor morango ou de uma  camisola preta e transparente com meias pretas 7/8 e cinta-liga, esse  look não é construído para seduzir, não é um fetiche fabricado. É uma  apropriação espontânea e lúdica, que revela uma intimidade despojada. A  mulher toma posse não apenas de sua camisa, mas do seu estilo e do seu  cheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, uma mulher nua fica mais sexy numa camisa masculina folgada (e  de mangas um pouco arregaçadas) que em qualquer outro traje. Se a  camisa é comprida e larga, ela cai bem sobre corpos mais cheinhos e pode  cobrir o que a mulher quiser esconder ou revelar (pelos botões abertos)  o que ela quiser deixar à mostra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse look começou a despertar minha libido na época em que a pílula e a  revolução sexual dos anos 1960 e 1970 deixaram mais mulheres jovens  livres para, no calor do momento, passarem a noite no apartamento do  cara com quem saíam, incluindo o meu. Na manhã seguinte, elas se  apropriavam de algo confortável para se cobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinema refletiu esse visual. Nos primeiros filmes de James Bond (nos  anos 1960), espiãs sedutoras vestiam as camisas brancas e grandonas do  agente 007 na manhã, depois de uma noite de paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar das décadas, as camisas foram ficando um pouco mais  coloridas. Em "Um Lugar Chamado Notting Hill", de 1999, uma estrela de  Hollywood (Julia Roberts) passa a noite no apartamento de um dono de  livraria (Hugh Grant) e, na manhã seguinte, veste sua camisa solta, com  listras azuis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns homens acham mais sensuais camisetas improvisadas. O que pode  excitar um flamenguista na manhã seguinte talvez seja ela vestida no  uniforme folgado de seu time do coração. Um remador pode se render ao  ver a mulher usando uma camiseta regata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros homens têm fetiches mais peculiares em matéria de moda feminina,  como botas de couro de cano alto, algo que me intimida. Fabrício  Carpinejar revelou o dele na crônica "É adorável uma mulher toda nua, ou  quase, de meias brancas". O meu é mesmo uma mulher quase nua de camisa  masculina folgada. É uma cinta-liga de quase corpo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;b&gt;MICHAEL KEPP&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-7322103637438591979?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/7322103637438591979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/09/um-fetiche-nao-fabricado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7322103637438591979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7322103637438591979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/09/um-fetiche-nao-fabricado.html' title='Um fetiche não fabricado'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ni5iBt-wEZI/Tmy474grUUI/AAAAAAAACOE/QBAEx19oSMI/s72-c/Camisa-Social-686x1024.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-9132375107347913005</id><published>2011-08-29T07:30:00.000-03:00</published><updated>2011-08-29T07:31:48.666-03:00</updated><title type='text'>Gente (nada) fina</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-Fby4f8qRK8c/TltqcLbIf9I/AAAAAAAACEU/Joj1Gck5Cx0/s1600/01973942900.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Fby4f8qRK8c/TltqcLbIf9I/AAAAAAAACEU/Joj1Gck5Cx0/s200/01973942900.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646223590174523346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;Diferentes experimentos mostram&lt;br /&gt;que humanos 'normais' mentem com frequência, &lt;br /&gt;podem ser enganados pelas aparências&lt;br /&gt;e, quando estimulados,&lt;br /&gt;são capazes até de  torturar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;O homem é bom ou mau? A pergunta, que mobilizou legiões de filósofos e teólogos,  é traiçoeira e induz uma resposta categórica.&lt;br /&gt;Somos capazes de fazer coisas  boas e más. O balanço depende das nossas disposições naturais como da situação  em que estamos.&lt;br /&gt;Esta página traz sete experimentos que pintam um quadro  pouco lisonjeiro da natureza humana. Se tomados pelo valor de face, concluiremos  que somos torturadores, mentirosos e incapazes de ver o óbvio. Mas para um  quadro completo, vale lembrar que também somos altruístas e capazes de gestos de  amor desinteressado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;1&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Poder e abuso&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O que importa é  o caráter, certo? Talvez não. Em 1971, o psicólogo Philip Zimbardo queria  descobrir se traços de personalidade de prisioneiros e guardas explicavam  situações abusivas nas cadeias. Ele criou um simulacro de xadrez com 24  voluntários. Parte do grupo ficou com o papel de guarda, e o restante, com o de  prisioneiro. Rapidamente as coisas saíram de controle e os guardas mostraram-se  cada vez mais cruéis. Ou seja: o comportamento dos participantes foi ditado pela  situação em que estavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;2&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Psicólogos  insanos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Conseguimos distinguir a sanidade da insanidade? Num experimento  de 1973, o psicólogo David Rosenham e sete associados foram a hospitais  psiquiátricos queixando-se de ouvir vozes. Sete deles foram internados com  diagnóstico de esquizofrenia. O oitavo, segundo os médicos, sofria do que hoje é  chamado de transtorno bipolar. Eles passaram então a agir normalmente, dizendo  que as vozes tinham sumido. Mas sair foi mais difícil: a média de estadia foi de  19 dias. "Não conseguimos distinguir os sãos dos insanos", concluiu o  pesquisador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;3&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O gorila invisível&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Nosso  cérebro também prega peças. Um experimento de 1999 traduz isso com bom humor.  Psicólogos fizeram um vídeo no qual seis pessoas (três com camisetas brancas, e  três, pretas) trocam passes com bolas de basquete. Participantes da pesquisa são  instruídos a contar os passes do pessoal de branco ao ver o vídeo. A uma altura,  um sujeito fantasiado de gorila entra em cena por noves segundos. Metade das  cobaias não veem o símio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;4&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Professor Fox&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O importante é  ter conteúdo. Outra balela: aparências são mais importantes. Em meados dos anos  70, psicólogos da Universidade da Califórnia criaram o Dr. Myron L. Fox. Ele era  uma fraude. Para representá-lo, contrataram um ator charmoso que deu uma aula  sobre "teoria dos jogos matemática aplicada à educação física". A aula não  passava de um amontoado de bobagens sem sentido, com frases de duplo sentido e  contradições. A plateia, composta por psiquiatras, psicólogos e assistentes  sociais, adorou. Ao avaliá-lo, deu-lhe notas muito positivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;5&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tortura estimulada&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Quando a  situação o exige, pessoas normais são capazes de coisas terríveis. Em 1963,  Stanley Milgram, da Universidade Yale, descreveu experimentos nos quais  voluntários são convidados a aplicar choques elétricos num ator como punição por  respostas errada num teste de memória. O voluntário não sabe que o homem é um  ator e que a máquina de choque é falsa. Quando instados pelo pesquisador a  aumentar a voltagem dos choques, 65% obedeceram até chegar à carga máxima,  apesar dos gritos do ator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;6&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Política 'emocional'&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ao  decidir o voto, colocamos a razão a serviço de nossos interesses. Esqueça. O  psicólogo Drew Westen colocou 15 eleitores do Partido Republicano e 15 do  Partido Democrata num aparelho que monitorava a atividade de seus cérebros  enquanto seus candidatos do coração apareciam em situações fictícias  desfavoráveis. Ele viu que os circuitos envolvidos no raciocínio lógico quase  não foram ativados durante o experimento e os participantes relativizaram as  situações negativas dos candidatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;7&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pegos na mentira&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A  honestidade, pelo menos, continua sendo um valor. Será? O psicólogo Robert  Feldman gravou secretamente várias conversações entre duas pessoas em ambientes  como lojas e universidade. Depois, as convidou a revisar o vídeo, apontando as  "inexatidões" em que haviam incorrido. Os participantes não sabiam que o  pesquisador estava interessado em mentiras. A conclusão de Feldman é que, em uma  conversa de dez minutos em que dois adultos se apresentam, eles mentem uma média  de três vezes cada, podendo chegar a 12 nos casos extravagantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-9132375107347913005?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/9132375107347913005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/08/gente-nada-fina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/9132375107347913005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/9132375107347913005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/08/gente-nada-fina.html' title='Gente (nada) fina'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Fby4f8qRK8c/TltqcLbIf9I/AAAAAAAACEU/Joj1Gck5Cx0/s72-c/01973942900.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-4159701462780048985</id><published>2011-08-24T08:04:00.002-03:00</published><updated>2011-08-24T08:05:31.018-03:00</updated><title type='text'>Mulheres entrarão em extinção, diz estudo da ONU</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-c1NPbeM03gw/TlTa7aSLscI/AAAAAAAACDs/iIgU_jKGgCY/s1600/11235573.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 104px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-c1NPbeM03gw/TlTa7aSLscI/AAAAAAAACDs/iIgU_jKGgCY/s200/11235573.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5644376947204796866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Você, pobre leitora que não consegue namorado, pode comemorar, porque tempos melhores vêm por aí.&lt;p&gt;De acordo com um estudo elaborado pela ONU, as mulheres serão artigo de luxo e ficarão cada vez mais disputadas porque --pasmem-- entrarão em extinção.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O estudo, reproduzido na "Economist", diz que as mulheres não terão filhas suficientes para substitui-las, a não ser que as taxas de fertilidade mudem radicalmente nos 83 países e territórios pesquisados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em Hong Kong, por exemplo, um grupo de mil mulheres daria à luz 547 meninas com as taxas de fertilidade atuais. Essas 547 meninas dariam origem a apenas 299 crianças do sexo feminino e assim por diante.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos cálculos da "Economist", que levou em conta também a idade média em que as mulheres têm filhos em cada país, em 25 gerações a população feminina do país passará de 3,75 milhões para apenas uma, que nascerá no ano 2.798.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pelos mesmos cálculos, países como Japão, Alemanha, Rússia, Itália e Espanha não verão o próximo milênio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas, calma, dos países pesquisados, o Brasil é o que está na melhor situação.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por aqui, a última mulher só vai nascer por volta do ano 5.000.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-4159701462780048985?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/4159701462780048985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/08/mulheres-entrarao-em-extincao-diz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/4159701462780048985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/4159701462780048985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/08/mulheres-entrarao-em-extincao-diz.html' title='Mulheres entrarão em extinção, diz estudo da ONU'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-c1NPbeM03gw/TlTa7aSLscI/AAAAAAAACDs/iIgU_jKGgCY/s72-c/11235573.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-7914537581850783420</id><published>2011-08-20T21:11:00.002-03:00</published><updated>2011-08-20T21:15:44.080-03:00</updated><title type='text'>Mudança</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-HKZaeQgM2cM/TlBN87nao6I/AAAAAAAACBE/yY9PpjT78vo/s1600/lembran%25C3%25A7as.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 194px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-HKZaeQgM2cM/TlBN87nao6I/AAAAAAAACBE/yY9PpjT78vo/s200/lembran%25C3%25A7as.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5643096042285736866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Do que é feita a vida&lt;br /&gt;senão dos andaimes&lt;br /&gt;que usamos para construirmo-nos? &lt;br /&gt;Eles nos sobreviverão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;DO FUNDO da gaveta, numa foto de 1991, minha primeira namorada me sorri. No  verso, em tinta rosa, diz que me ama "pra sempre!!!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também a amei para  sempre e com muitas exclamações, por seis meses e alguns amassos, na distante  oitava série -até um recreio em que, não lembro exatamente por qual motivo,  resolvemos "dar um tempo", num canto da quadra poliesportiva. O tempo dura até  hoje. (Alguém me disse, outro dia, que ela é procuradora do Estado. Duvido que  ainda use canetinhas cor-de-rosa.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma pasta, surge uma prova de história  sobre o feudalismo, o cartão-postal de um amigo, de Amsterdã, uma agenda de 92.  Dia 23 de maio: "Niver da Ju B.!!! Não vai esquecer, hein?!". Por onde andará  aquele amigo? Quem era mesmo a Ju B., hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa caixa de charuto, papéis e  guardanapos cheios de projetos da última década e meia. "Revista de jornalismo  literário. Arte: Ciça. Textos: Antonio, Chico, Nirla, Fred, Paulo." "Ideia de  romance: paulista toma pé na bunda e cai no carnaval do Rio". "Sitcom: bar  frequentado por artistas que não emplacam, tendo que sobreviver de atividades  paralelas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cercado por aqueles achados arqueológicos, escavados de  diferentes camadas sedimentares do meu apartamento, reflito sobre o que levar  para a casa nova, o que jogar no saco de lixo azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lado, nostálgico,  agarra-se ao conteúdo das gavetas: é minha vida, meu passado, é preciso  guardá-lo. Outro lado, o prático, provoca: "guardá-lo por quê? Em que situação  você desenterrará as cartas de ex-namoradas, cartões-postais de quem já não vê  há 20 anos, projetos que não concretizou, nem concretizará?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não interessa a  utilidade desses fósseis, digo à minha sanha sanitarista: é dos momentos  representados por eles que somos feitos. "Pois o feito, feito está", retruca o  pragmático: "todo o conteúdo dessas gavetas não são mais que andaimes de teu  edifício. Para que preservá-los?"&lt;br /&gt;Ora -defendo-me-, e do que é feita a vida  senão dos andaimes que usamos para construirmo-nos? Aliás, eles nos  sobreviverão. Vão-se os dedos, ficam os anéis, eis a triste verdade. O  utilitarista insiste, agora com arroubos de sarcasmo: "Exato!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se mesmo você  uma hora será descartado, de que valerão todos esses bricabraques?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah,  inclemente faxineiro! Não percebe?! É justamente a certeza de que nos vamos que  obriga a nos agarrarmos ao que fomos! "Você está se repetindo", diz o chato. "Já  escreveu isso em outra crônica, dia desses." Pouco me importa. A repetição não é  necessariamente um defeito. Veja Woody Allen. Nelson Rodrigues. Vonnegut. Rubem  Braga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só temos duas ou três coisas a dizer sobre a vida e as vamos  reconfigurando, polindo, tentando clareá-las ao longo do tempo. Para isso,  aliás, servem esses andaimes, cacarecos recolhidos nas andanças: pontuam o  caminho, amenizam a falta de sentido da linha de chegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decido: levarei  tudo comigo. De madrugada, o caminhão de lixo mastigará apenas os canhotos dos  talões de cheque, velhas contas de luz e declarações do imposto de renda. Amores  eternos, mesmo os mais fugazes, amigos que perdemos e os sonhos antigos devem  permanecer sempre conosco: senão no fundo do coração, ao menos no fundo de uma  gaveta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANTONIO PRATA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-7914537581850783420?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/7914537581850783420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/08/mudanca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7914537581850783420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7914537581850783420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/08/mudanca.html' title='Mudança'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-HKZaeQgM2cM/TlBN87nao6I/AAAAAAAACBE/yY9PpjT78vo/s72-c/lembran%25C3%25A7as.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-6659232344518016085</id><published>2011-08-10T20:36:00.001-03:00</published><updated>2011-08-10T20:38:32.301-03:00</updated><title type='text'>Twitter, Facebook e o Apocalipse</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-4KLsxHKyvf0/TkMWUIXJUtI/AAAAAAAAB-M/O-khoKl1Zbg/s1600/Facebook_icon.png"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-4KLsxHKyvf0/TkMWUIXJUtI/AAAAAAAAB-M/O-khoKl1Zbg/s200/Facebook_icon.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5639375693495751378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Vamos admitir:&lt;br /&gt;desde que inventaram o Facebook &lt;br /&gt;e o Twitter&lt;br /&gt;que ninguém mais trabalha, só finge&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;AS COISAS não vão nada bem no hemisfério Norte. A Grécia foi pra cucuia,  Portugal e Espanha estão no  vinagre, e, na Irlanda, os únicos habitantes que fizeram alguns  caraminguás em 2011 foram os quatro integrantes do U2. Até os EUA, quem  diria, ameaçaram dar um calote  global, o que levou a agência Standard &amp;amp; Poor's a divulgar que a  grande potência está mais pra "poor" do  que pra "standard".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Diante dos abalos econômicos e  da ameaça de recessão mundial,  acusam-se os suspeitos de sempre:  a esquerda vê o fim do capitalismo,  a direita vocifera contra a ineficiência do Estado. Eu, contudo, cronista  independente, sem outro compromisso senão com a verdade -e com  minha pequena, claro-, sei que a  culpa não é dos negociantes nem  dos políticos: a culpa, meus caros, é  das mídias sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vamos admitir: desde que inventaram o Facebook e o Twitter que  ninguém mais trabalha, só finge  -uma hora, ia dar problema. Se o  hemisfério Norte quebrou antes de  nós é porque se enredou primeiro  nessas arapucas do Demônio, mas  não demorará para nos estrumbicarmos também: afinal, o dia-padrão de um trabalhador brasileiro  não é tão diferente do de um americano ou europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vejamos: você chega ao trabalho,  senta-se diante do computador e,  antes de começar suas tarefas, resolve dar uma checada rápida na  "homepage". A "home" traz uma fofoca sobre o comportamento sexual  de uma cantora pop, e você imediatamente pensa numa bobagem para tuitar. Abre o Twitter, escreve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Passa então a clicar, de dez em dez  segundos, no "your tweets retweeted" -como um ratinho de laboratório,  acionando a barra de glicose-, pra ver se gostaram da sua piada.  Infelizmente, em 15 minutos, só  um retuíte. Você decide preencher a  carência que subitamente lhe bateu  indo até o Facebook: vai que alguém  lhe deixou um recado, na madrugada? Nada, ninguém quis lhe dizer  coisa alguma nas últimas 12 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Você descobre, contudo, que a Juliana Pereira, sua ex-colega de ginásio,  postou as fotos do feriado, na praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Você se lembra dessa Juliana, era  bonita, e quando dá por si está há  uns três minutos vasculhando as  imagens da moça, na esperança algo adolescente, algo senil, de vê-la  de biquíni. Não achando nada além  de filhinhos sorridentes e uma ou  outra foto artística de conchas, com  efeitos gráficos do iPhone, decreta  que é, enfim, hora de começar a trabalhar. Mas, já que ficou tanto tempo no Facebook, por que não dar só  uma passadinha no Twitter, ver se,  nesse meio tempo, alguém te retuitou, ou comentou seu tuíte? Nada,  ainda, mas um amigo colocou um  link para uma propaganda belga de  cerveja, muito engraçada. Quando  vai ver, já está na hora do almoço, e  o dia nem começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Agora, caro leitor, some todo o  tempo que você tem perdido nessas  inúteis perambulações virtuais ao  tempo de todos os outros milhões de  internautas, calcule o prejuízo em  dólares, euros ou reais, e o resultado  é uma bela recessão global. Reajamos enquanto é tempo: ou a gente  acaba com as mídias sociais, ou as  mídias sociais acabam com a gente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  PS- Meu amor, a história da Juliana Pereira é meramente ilustrativa,  real apenas no terreno da ficção. Espero que compreenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANTONIO PRATA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-6659232344518016085?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/6659232344518016085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/08/twitter-facebook-e-o-apocalipse.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6659232344518016085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6659232344518016085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/08/twitter-facebook-e-o-apocalipse.html' title='Twitter, Facebook e o Apocalipse'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-4KLsxHKyvf0/TkMWUIXJUtI/AAAAAAAAB-M/O-khoKl1Zbg/s72-c/Facebook_icon.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8815872332970443773</id><published>2011-07-28T08:30:00.000-03:00</published><updated>2011-07-28T08:41:51.553-03:00</updated><title type='text'>Bullying não é nada disso</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-wbO-A2TN--k/TjFK4YeRftI/AAAAAAAAB2E/ejQuwjAm7lg/s1600/bullying.gif"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-wbO-A2TN--k/TjFK4YeRftI/AAAAAAAAB2E/ejQuwjAm7lg/s200/bullying.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5634366941319757522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Além de banalizar o conceito,&lt;br /&gt;o que mais conseguimos ao abusar desse termo?&lt;br /&gt;Alarmar os pais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Há muita gente que não aguenta mais ouvir falar de bullying. O assunto é  tema de reportagens nos jornais diários de todos os tipos, nas revistas  semanais, nas prateleiras das livrarias, nas bancas de revistas, na  internet etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já conseguimos esvaziar o sentido dessa palavra e seu conceito de tanto  que a usamos e de tanto fazer associações indevidas com o termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta um pequeno drama ou uma grande tragédia acontecer, envolvendo  jovens, que não demora a aparecer a palavra mágica. Agora, ela serve  para quase tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de banalizar o conceito, o que mais conseguimos com o abuso que  temos feito dele? Alarmar os pais com filhos de todas as idades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a preocupação número um deles é evitar que o filho sofra o tal  bullying. O filho de quatro anos chega em casa com marca de mordida de  um colega? Os pais já pensam em bullying. A filha reclama de uma colega  dizendo que sempre tem de ceder seu brinquedo, ou o filho diz que tem  medo de apanhar de um colega de classe? Os pais pensam a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns deram, por exemplo, de reclamar que a escola que o filho  frequenta tem, no mesmo espaço, estudantes de todas as idades e dos  vários ciclos escolares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então agora vamos passar a considerar perniciosa a convivência entre os  mais jovens porque há diferença de idade entre eles?  Decididamente,  isso não é uma boa coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças e os jovens aprendem muito, muito mesmo, com o convívio com  seus pares mais novos e mais velhos. Ter acesso a alguns segredos da  vida adulta pelas palavras de outra criança ou de um adolescente, por  exemplo, é muito mais sadio e interessante do que por um adulto. Um  exemplo? A sexualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia ouvi um diálogo maravilhoso entre uma criança de uns dez anos e  um adolescente de quase 16. O assunto era namoro. Em um grupo, os mais  velhos comentavam suas façanhas beijoqueiras com garotas. A criança  ""pelo que entendi, ele era irmão de um dos mais velhos"" passou a  participar da conversa querendo saber detalhes do que ele chamou de  beijo de língua e ameaçou começar a também contar suas vantagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo a turma adolescente reagiu, e um deles falou que ele era muito  criança para entrar no assunto. E um outro disse, sem mais nem menos:  "Agora você está na idade de ouvir essas coisas e não de fazer, está  entendido?". O menor calou-se e ficou prestando a maior atenção à  conversa dos maiores, sem intervir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginei a cena se tivesse acontecido com o garoto de dez anos e  adultos. Não seria nada difícil que eles dessem atenção ao menino, que  quisessem saber e fornecer detalhes a respeito das intimidades que podem  acontecer num encontro entre duas pessoas. Muito melhor assim do jeito  que foi, não é verdade? Com a maior simplicidade, o garoto foi colocado  em seu lugar de criança e nem se importou com isso, mas, mesmo assim,  pôde participar como observador da conversa dos mais velhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conflitos, pequenas brigas, disputas constantes acontecem entre crianças  e jovens? Claro. Sempre aconteceram e sempre acontecerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esses fatos, na proporção em que costumam acontecer, não podem ser  nomeados como bullying. Fazer isso é banalizar o tema, que é sério.  Aliás, isso tudo acontece sem ultrapassar os limites das relações  civilizadas se há adultos por perto. Essa é nossa questão de sempre, por  falar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro bullying só acontece em situações em que os mais novos se  encontram por conta própria, sem a companhia e a tutela de adultos, sem  ainda ter condições para tal.&lt;br /&gt;Caro leitor: se você tem filhos, não os prive da companhia de colegas diferentes no comportamento, na idade etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses relacionamentos, mesmo conflituosos, são verdadeiras lições de  vida para eles que, assim, aprendem a criar mecanismos de defesa, a  avaliar riscos e, principalmente, a reconhecer as situações em que  precisam pedir ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;b&gt;ROSELY SAYÃO&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8815872332970443773?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8815872332970443773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/07/bullying-nao-e-nada-disso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8815872332970443773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8815872332970443773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/07/bullying-nao-e-nada-disso.html' title='Bullying não é nada disso'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wbO-A2TN--k/TjFK4YeRftI/AAAAAAAAB2E/ejQuwjAm7lg/s72-c/bullying.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-147751438428094677</id><published>2011-07-23T11:34:00.001-03:00</published><updated>2011-07-23T11:36:24.580-03:00</updated><title type='text'>A morte do lápis e da caneta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-sv2vWiZYU7k/TircTXq47RI/AAAAAAAABzc/gWV4x8gtskY/s1600/lapis-na-mao-caneta-cadernos-escritorio_3263054.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-sv2vWiZYU7k/TircTXq47RI/AAAAAAAABzc/gWV4x8gtskY/s200/lapis-na-mao-caneta-cadernos-escritorio_3263054.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5632556509309758738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Um belo erro de ortografia&lt;br /&gt;revela verdades que a assepsia&lt;br /&gt;da tela branca do Word se esforça em ocultar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Boa notícia para as crianças americanas. Vai ficando optativo, nos  Estados Unidos, escrever em letra de mão. Um dos últimos a se renderem  aos novos tempos é o Estado de Indiana, que aposentou os cadernos de  caligrafia agora em julho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O argumento é que ninguém precisa mais disso: as crianças fazem tudo no  computador e basta ensinar-lhes um pouco de digitação. Depois do fim do  papel, o fim do lápis e da caneta! Tem lógica, mas acho demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou o primeiro a reclamar das inutilidades impostas aos alunos durante  toda a vida escolar, mas o fim da escrita cursiva me deixa horrorizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A máquina de calcular não eliminou a necessidade de se aprender, ao  menos, a tabuada; não aceito que o teclado termine com a letra de mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão vai além do seu aspecto meramente prático. A letra de uma  pessoa é como o seu rosto. Como todo mundo, gosto de ver como é a cara  de um escritor, de um político, de qualquer personalidade com quem estou  travando contato -e logo os e-mails virão com o retrato do remetente,  como já acontece no Facebook.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não se limita apenas aos colecionadores o interesse pelos autógrafos  de uma celebridade, de um jogador de futebol ou de um escritor (mesmo  que os originais de seus livros já tenham sido produzidos na máquina de  escrever ou no laptop). Quantas decepções, e quantas surpresas felizes, não nos revela a  caligrafia de uma pessoa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fulano, em geral sério e ponderado, tem a  assinatura de um pateta do pré-primário. O síndico, figura minuciosa e  intolerante, derrama sobre o papel uma escrita frouxa, emotiva,  sentimental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Generosidade e avareza, sofisticação e simploriedade, constância e  frivolidade, tudo está na letra de uma pessoa, como está na sua voz ou  no seu rosto -desde que a gente saiba ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais bonito é que na letra cursiva se reúnem, em tese, o individual e o  universal. Cada pessoa pode ter lá suas idiossincrasias: escreve o "n"  como se fosse um "u", não se dá ao trabalho de fazer direitinho o corte  do "t", mistura o "g" com o "y" e o "q", mas não importa. A menos que o  sujeito seja um garranchista irremediável, acabamos entendendo o que  escreveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho prazer, aliás, em decifrar letras moderadamente ilegíveis. Existe  um jogo entre a regra geral, a caligrafia das professoras do primário, e  as variantes que ao longo da vida cada pessoa adota em sua escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: somos todos iguais, mas cada um de nós é diferente. Outra moral da história: entre minha comodidade caligráfica e a  necessidade de ser entendido por quem me lê, está em jogo o respeito  pelo outro e a expressão de quem eu sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É falta de educação, acho, ter uma letra feia demais; é falta de  personalidade, também, escrever como o queridinho da professora. Não por acaso, ainda se usa nos convites de casamento uma imitação da  escrita cursiva de cem anos atrás. Não é o meu tipo favorito de  apresentação tipográfica, mas seu significado não dá margem a dúvidas:  trata-se de um movimento de extrema cortesia, de uma homenagem ao  acontecimento e ao convidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As letras de computador, por mais práticas que sejam, correspondem a uma  realidade mais mecanizada e uniforme. Já temos o corretor ortográfico;  ainda bem que ele falha de vez em quando e que muita gente se esqueça de  usá-lo. Um belo erro de ortografia, assim como uma letra da idade da  pedra, revelam verdades que a assepsia da tela branca do Word se esforça  em ocultar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo uma banalidade tremenda se torna mais suportável se escrita numa  letra extravagante, em vez de na detestável fonte Arial adotada no  Outlook, provavelmente só porque é a primeira em ordem alfabética na  lista das letras disponíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no meio desta reclamação toda, recupero minha confiança no  progresso e na tecnologia. Quem sabe, nos próximos anos, não vão  inventar um programa pelo qual será possível personalizar a tipografia  que utilizamos no PC?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novas "fontes", novos estilos de letras, são inventados todo dia. Os jornais importantes, como a &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt;,  têm um desenho próprio para suas letras. Imagino que não seja  impossível uma situação em que cada usuário de computador consiga  desenvolver sua própria escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só espero que até lá tenham inventado, também, uma maneira de fazer as  crianças americanas ocupadas em aprender alguma coisa que preste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARCELO COELHO&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-147751438428094677?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/147751438428094677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/07/morte-do-lapis-e-da-caneta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/147751438428094677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/147751438428094677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/07/morte-do-lapis-e-da-caneta.html' title='A morte do lápis e da caneta'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-sv2vWiZYU7k/TircTXq47RI/AAAAAAAABzc/gWV4x8gtskY/s72-c/lapis-na-mao-caneta-cadernos-escritorio_3263054.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-7892115371600238086</id><published>2011-07-12T19:58:00.006-03:00</published><updated>2011-07-12T20:11:13.764-03:00</updated><title type='text'>Nem letras nem sílabas...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-qIBe3_LKARc/ThzTqdEqmzI/AAAAAAAABvk/vGwr0TZe4Vk/s1600/Slide5.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-qIBe3_LKARc/ThzTqdEqmzI/AAAAAAAABvk/vGwr0TZe4Vk/s200/Slide5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628606360618441522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;"Os miúdos estão a aprender a ler.&lt;br /&gt;Aqui não começa&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;mos pelas letras ou pelas sílabas. Aprendemo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;s totalidades..."&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RECORDANDO: EU estava visitando um colégio em Portugal chamado  Escola da Ponte, uma série de espantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, o diretor entregara a uma menina de nove anos  a missão de me mostrar e explicar a  escola. A menina não se fez de rogada: conduziu-me à porta da escola,  onde me informou que, para entender aquela escola, eu deveria me esquecer de tudo o que eu sabia sobre escolas. Para se aprender o novo, é  preciso esquecer o velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse a seguir que naquela escola  não havia aulas, professores "dando a matéria" nem separação dos  alunos por adiantamentos. E nem  engradamento do pensamento em  horários. Sem nada entender, perguntei: "E como é que vocês aprendem?". A menina me disse que tudo  começava com a curiosidade, o desejo de aprender alguma coisa. Com  o que concordei por experiência própria. A aprendizage&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-Voowe_-4v5w/ThzTfy3zX-I/AAAAAAAABvc/an8-JS7tuvQ/s1600/ponte.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Voowe_-4v5w/ThzTfy3zX-I/AAAAAAAABvc/an8-JS7tuvQ/s200/ponte.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628606177491509218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;m é como comer  uma fruta tentadora, talvez um caqui... Há de haver desejo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí formavam um grupinho de seis  pessoas em torno desse objeto de  desejo comum e convidavam um  professor para ser companheiro de  pesquisa. Esse professor nem precisava ter saberes sobre o tal objeto. O  que se esperava dele é que soubesse  descobrir o caminho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começava com uma pesquisa das fontes  bibliográficas na internet.  A partir daí, faziam um programa de  trabalho de duas semanas e cada  um fazia suas leituras, consultas  e anotações a serem compartilhadas na avaliação, ao final das duas  semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dadas essas explicações preliminares, a menina abriu a porta da escola e entrei.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-e92jRgFCyUw/ThzTVISe3cI/AAAAAAAABvM/H9FI4wBZAkY/s1600/EscoladaPonte1-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-e92jRgFCyUw/ThzTVISe3cI/AAAAAAAABvM/H9FI4wBZAkY/s200/EscoladaPonte1-1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628605994261994946" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era uma sala grande, sem divisões, cheia das mesinhas baixas. As  crianças trabalhavam nos seus projetos, cada uma de um jeito. Moviam-se  livres pela sala, na maior ordem, tranquilamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém corria.  Ninguém falava em voz alta. Notei, entre as crianças, algumas com  síndrome de Down que também trabalhavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As professoras trocavam  ideias com as crianças. As crianças  se moviam para consultar livros e  computadores quando necessário.  Não se ouvia a voz de professor  gritando por silêncio. Nenhum pedido de atenção. Não era necessário.  E ouvia-se música clássica, baixinho... Se não me engano, era música  barroca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À esquerda da porta de entrada  havia frases escritas com letras  grandes, afixadas na parede, relativas aos 500 anos da descoberta  do Brasil. Perguntei: "E aquelas  frases?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina explicou: "Os miúdos  estão a aprender a ler. Aqui não começamos pelas letras ou pelas sílabas. Aprendemos totalidades...".&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-g21VvhIMgqk/ThzTaEfYL8I/AAAAAAAABvU/ZFSEysFzpjA/s1600/05-08-22_01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 135px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-g21VvhIMgqk/ThzTaEfYL8I/AAAAAAAABvU/ZFSEysFzpjA/s200/05-08-22_01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628606079141687234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pensei que é assim que as crianças aprendem a falar. Elas não  aprendem os sons para depois juntá-los em palavras. Aprendem palavras inteiras, pois somente palavras  inteiras fazem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei que é assim que se aprende a gostar de música. Nenhuma  mãe ficaria solfejando notas soltas  para adormecer o nenê. É preciso  que os sons façam sentido. É preciso  que haja melodia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí ela continuou: "Mas é importante saber a ordem alfabética para se consultar o dicionário".&lt;br /&gt;Como eu  não conhecia preocupação didática semelhante articulada com tal clareza, preparei-me para aprender...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RUBEM ALVES&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-7892115371600238086?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/7892115371600238086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/07/nem-letras-nem-silabas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7892115371600238086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7892115371600238086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/07/nem-letras-nem-silabas.html' title='Nem letras nem sílabas...'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-qIBe3_LKARc/ThzTqdEqmzI/AAAAAAAABvk/vGwr0TZe4Vk/s72-c/Slide5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-298888782495238429</id><published>2011-07-09T08:19:00.007-03:00</published><updated>2011-07-09T08:58:01.620-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filmes'/><title type='text'>É fácil desistir de nossos sonhos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--aUeDXMoaa0/Thg6qmutQSI/AAAAAAAABt8/7NkINFJfX0w/s1600/meia_noite_paris_16062011.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 149px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--aUeDXMoaa0/Thg6qmutQSI/AAAAAAAABt8/7NkINFJfX0w/s200/meia_noite_paris_16062011.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5627312238024802594" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Dedicamos mais energia à tentativa&lt;br /&gt;de silenciar os nossos sonhos&lt;br /&gt;do que à tentativa de realizá-los&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;GIL PENDER, o protagonista do último filme de Woody Allen, "Meia-Noite  em Paris", quer deixar de escrever roteiros de sucesso (que ele  mesmo acha medíocres) para se dedicar a coisas "mais sérias" e menos  lucrativas: um romance, por exemplo. Ele acumulou dinheiro suficiente  para tentar essa aventura por um  tempo, em Paris, como um escritor  americano dos anos 1920.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, Pender está prestes  a se casar com uma noiva que aprecia muito seu sucesso atual, mas  não tem gosto algum pela incerteza  (financeira) de seu sonho. Tudo indica que ele se dobrará às  expectativas da noiva, dos futuros sogros e do  mundo, renunciando a seu desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja por causa dessa renúncia, aliás, que noiva e sogros o  desprezam (todo o mundo acaba desprezando o desejo de quem despreza seu  próprio desejo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis que, na noite parisiense,  alguns fantasmas do passado levam Pender para a época na qual  poderia viver uma vida diferente e  mais intensa -a época na qual seria  capaz de fazer apostas arriscadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idade de ouro de Pender é a Paris de Hemingway, Fitzgerald, Cole  Porter, Picasso etc. Como disse Gertrude Stein (outra protagonista do  sonho do herói), eles são a geração  perdida, entre uma guerra terrível e  outra pior por vir (isso ela não sabia,  mas talvez pressentisse).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que  eles fariam a admiração de Pender e  a nossa? Hemingway responde  quando explica a Pender que, para  amar e escrever, é preciso não ter  medo da morte. Claro, não ter medo  da morte talvez seja pedir muito,  mas Pender poderia mesmo se beneficiar com um pouco mais de coragem; se conseguisse decidir sua  vida sem medo da noiva e dos sogros, seria um progresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com o que escreveu  Marcelo Coelho, em artigo neste  mesmo espaço na edição de 22 de  junho: uma moral do filme é que "temos só uma vida para viver -a nossa", ou seja, tudo bem sonhar com a  idade de ouro, à condição de acordar um dia.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-yNuxUVwvapc/Thg6PrKNhfI/AAAAAAAABts/YvY4h9pB6dM/s1600/meia-noite-paris2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-yNuxUVwvapc/Thg6PrKNhfI/AAAAAAAABts/YvY4h9pB6dM/s200/meia-noite-paris2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5627311775357437426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Agora, o que emperra a vida de  Pender não é seu sonho nostálgico, é  o presente. A nostalgia, aliás, é seu  recurso para não se esquecer completamente de seus próprios sonhos.  É como se, para preservar seu desejo, ele o situasse numa outra época.  Mas preservá-lo de quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais nada, um conselho. Acontece, às vezes, que nosso  sucesso não tenha nada a ver com  nossos sonhos -por exemplo, você  queria ser promotor de Justiça, mas  fez algum dinheiro com a imobiliária de família e aí ficou, renunciando  a seu sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses casos, uma precaução:  case-se com alguém que ame seu sonho frustrado e não só seu sucesso;  sem isso, inelutavelmente, chegará  o dia em que você acusará seu casal  de ter sido a causa de sua renúncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, é possível e, às  vezes, necessário renunciar a nossos sonhos, mas é preciso escolher  como parceiro alguém que goste  desses sonhos e dos jeitos um pouco  malucos que usamos para acalentá-los (no caso de Pender, passeios por  Paris à meia-noite e na chuva).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos agora à pergunta: contra quem Pender precisou preservar  seu desejo, mandando-o para outra  época? Contra a noiva que desconsiderava seus sonhos? Aqui vem outra  moral do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pender não é nenhum caso raro:  todos nós, em média, dedicamos  mais energia à tentativa de silenciar  nossos sonhos do que à tentativa de  realizá-los. Muitos dizem que desistiram de sonhos dos quais os pais  não gostavam por medo de perder o  amor deles. Mas por que Pender recearia perder o amor da noiva, que  ele não ama, e dos sogros, que ele  ama ainda menos?&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-zt-TIm74PKc/Thg6dYZPs1I/AAAAAAAABt0/ofLYs2q-ldM/s1600/meia-noite-em-paris-michael-sheen.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-zt-TIm74PKc/Thg6dYZPs1I/AAAAAAAABt0/ofLYs2q-ldM/s200/meia-noite-em-paris-michael-sheen.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5627312010838389586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O fato é que somos complacentes  com as expectativas dos outros (que  amamos ou não) à condição que  elas nos convidem a desistir de nosso desejo. É isso mesmo, a frase que  precede não saiu errada: adoramos  nos conformar (ou nos resignar) às  expectativas que mais nos afastam  de nossos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente,  preferimos ser o romancista potencial que foi impedido de mostrar seu  talento a ser o romancista que tentou e revelou ao mundo que não tinha talento. Desistindo de nossos  sonhos, evitamos fracassar nos projetos que mais nos importam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, da próxima vez que você se queixar de que seu casal afasta  você de seus sonhos, lembre-se: foi  você quem o escolheu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais um conselho: se você encontrar alguém disposto a caminhar na chuva do seu lado, não fuja; molhe-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contardo Calligaris&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-298888782495238429?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/298888782495238429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/07/e-facil-desistir-de-nossos-sonhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/298888782495238429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/298888782495238429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/07/e-facil-desistir-de-nossos-sonhos.html' title='É fácil desistir de nossos sonhos'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--aUeDXMoaa0/Thg6qmutQSI/AAAAAAAABt8/7NkINFJfX0w/s72-c/meia_noite_paris_16062011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-6983636932031622003</id><published>2011-07-03T20:40:00.000-03:00</published><updated>2011-07-03T20:41:42.378-03:00</updated><title type='text'>O que querem as mulheres</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-vZwQlELf_3A/ThD92EbLVYI/AAAAAAAABsc/LLeFEfRiPfI/s1600/afinal-o-que-querem-as-mulheres.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-vZwQlELf_3A/ThD92EbLVYI/AAAAAAAABsc/LLeFEfRiPfI/s200/afinal-o-que-querem-as-mulheres.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625275039928243586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A despeito do movimento feminista,&lt;br /&gt;a imensa maioria delas&lt;br /&gt;continua sonhando em se casar&lt;br /&gt;e ter filhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;"O QUE, AFINAL, querem as mulheres?" A frase ficou célebre como a  questão que Freud não soube responder. Os psicólogos evolucionistas (que  usam teorias de Darwin para entender o comportamento humano) acham que  resolveram o enigma: "Querem casamento, garantias e prestígio".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que li tal frase, achei-a de um machismo absurdo.  Precisei me lembrar que os psicólogos falam do desejo genético, da força  da natureza atuando em nós de maneira inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais são seus argumentos? Dizem que tudo se resume à procriação. Se  para um homem o procriar se reduz a segundos, para uma mulher pode se  estender em uma trabalheira de anos e em uma necessidade de muita ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse processo foi gravado em nossos cérebros em milênios de vida dura na  savana africana, onde a ajuda do homem era mais necessária para  alimentação e proteção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas... casamento na savana? Claro, não no conceito atual, mas no de um  homem que privilegia uma mulher e suas crias, e daí a demanda por  prestígio e a disputa por ele, daí o ciúme e a competitividade entre  elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quesito "garantias" viria da tendência de essa mulher olhar esse homem  como sua propriedade e agir como se tal fosse, cercando-o, para  garantir que o alimento e a proteção se mantivessem voltados para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje, podemos ver os vestígios desse desejo natural em operação? Eles  abundam. Vejamos: a despeito do movimento feminista, a imensa maioria das  mulheres continua sonhando em se casar e ter filhos. E logo, pois sabem  que o relógio biológico não perdoa e que a juventude é seu bem mais  precioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem peça de teatro chamada "Sou infeliz, mas tenho marido". Elas se  queixam de que "os homens não querem compromisso". Elas pedem para que  eles definam "a relação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas buscam apresentá-lo às amigas, à família (consolidações externas do  "casalzinho" são formas de garantias), pedem presentes ligados a datas  (demonstrações de prestígio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas gostam (mais que eles) de andar de mãos dadas, como a marcar  território. Elas se interessam pelo poder e a condição financeira do  homem em mira ""isso se liga à capacidade dele de ajudar e proteger.  (Não é tão importante se ele é grisalho, são raros os que pintam os  cabelos, ao contrário delas.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos EUA, o "proposal" (pedido em casamento) é o clímax da vida da moça,  quando ela recebe "the rock" (anel com diamante), símbolo máximo de  garantia e prestígio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso ver que o principal ciúme das mulheres será de prestígio, e  não sexual. Elas terão ciúmes da TV, do carro, do futebol, dos amigos,  do computador, da filha do casamento anterior (e do dinheiro que gasta  com ela).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, tudo indica que a savana africana permanece pouco alterada em nossas mentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;b&gt;FRANCISCO DAUDT&lt;/b&gt;, psicanalista e médico, é autor de "Onde Foi Que Eu Acertei?", entre outros livros&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-6983636932031622003?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/6983636932031622003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/07/o-que-querem-as-mulheres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6983636932031622003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6983636932031622003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/07/o-que-querem-as-mulheres.html' title='O que querem as mulheres'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-vZwQlELf_3A/ThD92EbLVYI/AAAAAAAABsc/LLeFEfRiPfI/s72-c/afinal-o-que-querem-as-mulheres.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-6514506744393579250</id><published>2011-06-29T09:41:00.002-03:00</published><updated>2011-06-29T09:47:15.866-03:00</updated><title type='text'>Drogas e gravatas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-fcHXNaankHo/TgserpTfloI/AAAAAAAABpc/Lt6SmDO_mZo/s1600/drogas%2Bfoto.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 65px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-fcHXNaankHo/TgserpTfloI/AAAAAAAABpc/Lt6SmDO_mZo/s200/drogas%2Bfoto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5623622294873020034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Concordo com o projeto de descriminalizar&lt;br /&gt;o consumo de maconha,&lt;br /&gt;mas o uso da erva não é sempre inócuo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;NA TERÇA, 14 de junho, a &lt;b&gt;Folha &lt;/b&gt;publicou, na Primeira Página, as  imagens de um homem de paletó e  gravata que comprava e fumava um  cachimbo de crack, numa rua do  centro de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último domingo, Suzana Singer, ombudsman do jornal, em sua  coluna, perguntou: "Por que a&lt;b&gt; Folha&lt;/b&gt; decidiu expor dessa forma um  suposto viciado?". A Secretaria de  Redação respondeu: "A política do  jornal vinha sendo não resguardar a  identidade dos usuários de crack  em locais públicos. Não vimos motivo para alterarmos o padrão porque  a personagem, desta vez, vestia paletó e gravata".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, a reportagem queria  mostrar que "o fenômeno do crack  não se confunde com a pobreza e  não atinge apenas moradores de  rua". A reportagem notava, aliás,  que, entre os "usuários eventuais,  que vão à região para fumar uma  pedra", há até "senhores com cerca  de 60 anos vestindo terno".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, dei-me conta de que,  ao longo dos anos, vi dezenas de fotografias de drogados errando pela  cracolândia, mostrados sem disfarce, mas não tenho memória de seus  rostos. É como se eles não fossem  indivíduos -apenas genéricos  "noias", como eles são chamados  pelas ideias paranoicas que os acometem. No entanto, o engravatado  da foto de terça-feira era diferente:  ele era reconhecível, singular -talvez porque sua aparência deixava  supor que ele não tivesse se transformado (ainda?) num noia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crack é hoje o protótipo da droga que leva rapidamente à perdição. Será que a foto do engravatado  mostra que existem usuários de  crack que não se tornam noias? Será que é possível um uso lúdico do  crack?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei dizer, mas, ao ler as memórias de Bill Clegg, "Retrato de um  Viciado Quando Jovem" (Cia. das  Letras), qualquer leitor pode sentir  quase na pele a prepotência com a  qual a fissura se instala ao centro  da vida de um usuário de crack, por  mais engravatado que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto é comovedor, pela ingenuidade do viciado e de nós, leitores,  que, como o viciado, inevitavelmente, a cada vez, acreditamos que  ele voltará à sua vida depois de só  mais um cachimbo. Comovedor e  também exasperante: como é que o  cara não consegue se controlar e  conciliar sua vida amorosa e profissional com uma tragada de vez em  quando? "Segura tua onda, rapaz",  a gente fica a fim de gritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trivialidade: a virulência da fissura, assim como a natureza da dependência, é diferente para cada  droga. Engravatado à parte, o crack  transforma quase imediatamente  seus consumidores em adictos, enquanto há pessoas que, durante a  vida toda, fumam só um cigarro ou  um baseado por semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra trivialidade: talvez tão importante quanto as qualidades específicas de cada droga seja o fato  de que, por alguma diferença de  personalidade e disposição, há  usuários que se perdem na toxicomania e outros que parecem nunca  correr esse risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A clínica com adolescentes me  ensinou isto: em geral, quem se vicia não é tanto quem acha sua vida  dolorosa ou injusta, mas quem a  acha chata, ou seja, quem não consegue se interessar por sua própria  vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível se drogar porque a vida já é uma festa, e, quem sabe,  com mais uma bola, ela se torne  mais alegre. Essa conduta é sempre  menos nociva da que consiste em  drogar-se pela incapacidade de  achar graça na vida que se tem.  Quem se droga porque acha a vida  chata tende a trocar a vida pela droga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dias, fala-se muito  da descriminalização da maconha.  Estreou "Quebrando o Tabu", de  Fernando Grostein; houve a intervenção de Fernando Henrique Cardoso (que é, aliás, âncora do filme  de Grostein), e houve a liberação  das marchas da maconha pelo STF.  Vários leitores pediram que expressasse minha opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui vai: concordo com o projeto  de descriminalizar o consumo de  maconha, mas discordo de quem  afirma que qualquer uso de maconha seria inócuo. Nos adolescentes,  por exemplo, um consumo diário e  intenso (solitário, já de manhã) é  frequentemente o sinal de uma depressão que é MUITO difícil vencer,  uma vez que ela se instala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo que alguém, mofando  num tédio mortal (e inexplicado),  chegue à conclusão de que a vida  sem maconha é uma droga. Mas, infelizmente, em regra, a droga aprofunda o vazio que ela é chamada a  compensar ou corrigir. Ou seja, talvez a vida sem maconha seja uma  droga, mas a maconha sem vida  também é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contardo Calligaris&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-6514506744393579250?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/6514506744393579250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/06/drogas-e-gravatas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6514506744393579250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6514506744393579250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/06/drogas-e-gravatas.html' title='Drogas e gravatas'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-fcHXNaankHo/TgserpTfloI/AAAAAAAABpc/Lt6SmDO_mZo/s72-c/drogas%2Bfoto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-9198482551726177825</id><published>2011-06-26T15:40:00.000-03:00</published><updated>2011-06-26T15:45:02.065-03:00</updated><title type='text'>Democracia real</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-D5rn5RbTvBE/Tgd9xFOsGOI/AAAAAAAABn8/RHkVx-qy_HE/s1600/democracia_formal.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 197px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-D5rn5RbTvBE/Tgd9xFOsGOI/AAAAAAAABn8/RHkVx-qy_HE/s200/democracia_formal.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622600941966203106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;As atuais manifestações  que sacodem a Europa trouxeram uma reivindicação que há  muito não se ouvia em países  como Reino Unido, Espanha,  França: democracia real.  Há algo de importante aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois poderíamos nos perguntar o que haveria de fictício na  democracia de países que  aprendemos a ver como exemplos de sistemas políticos consolidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por  que largas parcelas de sua população compreendem que há algo no jogo  democrático que parece ter se  reduzido exatamente à condição de mero jogo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tais manifestantes  entenderam que a democracia  parlamentar é incapaz de impor limites e de resistir aos interesses do sistema financeiro.  Ela é incapaz de defender as  populações quando os agentes financeiros começam a  operar, de modo cinicamente  claro, a partir dos princípios  de um capitalismo de espoliação dos recursos públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é por outra razão que se  ouve, cada vez mais, a afirmação de que a alternância de  partidos no poder não implica  mais alternativas de modelos  de compreensão dos conflitos  e políticas sociais. Por isso, o  cansaço em relação aos partidos tradicionais não é sinal do  esgotamento da política. Na  verdade, ele é o sintoma mais  evidente de uma demanda de  política, de uma demanda de  politização da economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em momentos assim, devemos lembrar que a democracia parlamentar não é o último  capítulo da democracia efetiva. A Islândia tem algo a nos  ensinar sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos primeiros países  atingidos pela crise econômica de 2008, a Islândia decidiu  que o uso de dinheiro público  para indenizar bancos seria  objeto de plebiscito. Maneira  de recuperar um conceito decisivo, mas bem esquecido, da  democracia, a saber, a soberania popular. O resultado foi o  apoio massivo ao calote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sabendo dos riscos  de tal decisão, o povo islandês  preferiu realizar um princípio  básico da soberania popular:  quem paga a orquestra, escolhe a música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a conta vai para a população, é ela quem deve decidir  o que fazer, e não um conjunto  de tecnocratas que terão seus  empregos garantidos nos bancos ou de parlamentares cujas  campanhas são financiadas  por esses bancos. Como disse  o presidente islandês, Ólafur  Ragnar Grímsson: "A Islândia  é uma democracia, não um  sistema financeiro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante é que, com  isso, saímos dos impasses da  democracia parlamentar para  dar um passo decisivo em direção a uma democracia plebiscitária capaz de  institucionalizar a manifestação necessária da soberania popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tal processo que nos coloca nas vias de uma democracia real. Ele é a  condição primeira para sair da crise. Pois a  verdadeira questão que tal crise nos coloca é política: que regime  político é este que permitiu um descalabro deste tamanho na calada da  noite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;b&gt;VLADIMIR SAFATLE&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-9198482551726177825?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/9198482551726177825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/06/democracia-real.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/9198482551726177825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/9198482551726177825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/06/democracia-real.html' title='Democracia real'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-D5rn5RbTvBE/Tgd9xFOsGOI/AAAAAAAABn8/RHkVx-qy_HE/s72-c/democracia_formal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-5625972248846328985</id><published>2011-06-21T16:48:00.002-03:00</published><updated>2011-06-21T16:50:37.639-03:00</updated><title type='text'>É o dinheiro, estúpido!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-0WU7_4riRcE/TgD19ZS1UkI/AAAAAAAABnM/s5IJEv6wph4/s1600/dinheiro.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 147px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-0WU7_4riRcE/TgD19ZS1UkI/AAAAAAAABnM/s5IJEv6wph4/s200/dinheiro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620762770069082690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Enriquecimento patrimonial atípico&lt;br /&gt;não causa desconforto sequer em  partido&lt;br /&gt;que tem inspiração socialista,&lt;br /&gt;cada vez mais ligado às  corporações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;A famosa exclamação do publicitário James Carville -"É a economia,  estúpido!"- aventando a derrota de Bush pai para Bill Clinton,  em 1992, admite paráfrase sobre o  Brasil de hoje. O caso Palocci vai  muito além da consultoria milionária que prestou enquanto exercia  mandato de deputado federal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O essencial da questão produz,  recorrentemente, características regressistas à nossa República: a total  promiscuidade entre negócios privados e interesse público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O deus dinheiro dogmatiza a afirmação de que a vivência como gestor público "é experiência única,  que dá enorme valor de mercado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enriquecimento patrimonial atípico não provoca desconforto sequer  em partido de inspiração socialista,  cada vez mais vinculado às grandes  corporações. Afinal, "enriquecer  não é crime", e até para o procurador não há o que procurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um autor muito caro aos petistas  de antigamente, Karl Marx, em "As  Lutas de Classe na França", com  sua análise acurada do contexto  europeu da metade do século 19,  ainda joga luz ao que acontece  aqui: "As enormes somas que passavam pelas mãos do Estado davam a oportunidade para fraudulentos contratos de fornecimento,  corrupção, subornos, malversações e ladroeiras de todo gênero. A  pilhagem por atacado do Estado  pelos financistas repetia-se a varejo  nas obras públicas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ontem como hoje, o Estado não é  fortalecido para prover à população os serviços fundamentais, mas,  sim, para viabilizar riquezas e a perpetuação dos seus operadores.&lt;br /&gt; Privatiza-se a política: os fetiches  de dinheiro e prosperidade, ícones  da cultura dominante, estão inoculados no nosso sistema eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A eleição de representantes da  população demanda crescentes recursos, restritivos a que maiorias  sociais se tornem maiorias políticas. Dos eleitos para o Congresso,  55% tiveram financiamentos de  grandes empreiteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os amálgamas das bancadas  parlamentares não são doutrinas e  projetos, mas interesses imediatos:  do banco, da bola, da bala, da motosserra. Todos os chamados  "grandes candidatos" ao Executivo  têm os mesmos provedores: instituições financeiras, mineradoras,  construtoras, agroindústrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os partidos políticos, desideologizados, consórcios para ocupação  de espaços clientelistas da administração, são empresas que produzem a  mercadoria voto, cujo combustível de fidelização é a política  de clientela e um governismo atávico. A militância de ideias e de causas  encolhe diante do poder dissolvente do dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No Brasil, cumprir a lei é revolucionário. Na administração pública, a simples prática dos princípios  constitucionais da legalidade, da  moralidade, da impessoalidade e  da publicidade, em todos os níveis,  seria transformadora. Esses preceitos já deviam ter vedado qualquer  atividade empresarial privada concorrente com a função pública, que  exige dedicação integral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sob a aparente "normalidade",  entretanto, algo se move. As revoltas populares nos países árabes e as  praças ocupadas por jovens e desempregados na Europa, em especial na Espanha, na Grécia e em  Portugal, chegam até nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A cobrança mobilizadora tem eixos culturais mudancistas, como  eliminação de privilégios, serviços  públicos de qualidade, garantia de  direitos sociais, combate às desigualdades, controle das movimentações financeiras e democracia  participativa. Questionando o sistema político e o cinismo partidário, a  multidão na Porta do Sol, em Madri, proclama: "Nossos sonhos não  cabem nas suas urnas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Por diversas formas, esse clamor  também crescerá aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;b&gt;CHICO ALENCAR&lt;/b&gt; é deputado federal (PSOL/RJ).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-5625972248846328985?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/5625972248846328985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/06/e-o-dinheiro-estupido.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5625972248846328985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5625972248846328985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/06/e-o-dinheiro-estupido.html' title='É o dinheiro, estúpido!'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-0WU7_4riRcE/TgD19ZS1UkI/AAAAAAAABnM/s5IJEv6wph4/s72-c/dinheiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-6419859726916113339</id><published>2011-06-15T20:55:00.000-03:00</published><updated>2011-06-15T20:59:21.590-03:00</updated><title type='text'>O lugar da coragem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-yMZbmzTa5eE/TflHEn9_k9I/AAAAAAAABm8/3KhlpSh7Ik8/s1600/forca-e-coragem.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 179px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-yMZbmzTa5eE/TflHEn9_k9I/AAAAAAAABm8/3KhlpSh7Ik8/s200/forca-e-coragem.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618600154895455186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Corajoso não é quem não sente medo&lt;br /&gt;diante do perigo,&lt;br /&gt;e sim quem consegue superá-lo&lt;br /&gt;e agir apesar dele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;SENTIR MEDO é fundamental. É ele que nos protege dos  perigos mais variados, de  perder dinheiro ou falar besteira em público ao maior de  todos os riscos: perder a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justamente por nos manter  a uma distância considerada  segura, o medo pode ser paralisante -o que nem sempre  é bom. Que policial enfrentaria um assassino em ação se  fosse dominado pelo medo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capacidade de vencer o  medo é o que chamamos de  coragem. Corajoso não é  quem não sente medo diante  do perigo, e sim quem consegue superar seu medo e agir  apesar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a coragem acontece  no cérebro? Um estudo da  equipe do neurocientista Yadin Dudai, do Instituto Weizmann, mostrou que  ela envolve a capacidade de o cérebro  conseguir, por meio da ativação de uma estrutura específica, separar a  sensação subjetiva de medo da sua expressão objetiva no corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dudai e sua equipe convidaram voluntários saudáveis  a fazer o possível para superar um medo comum entre  humanos: o de cobras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitados em um aparelho  de ressonância magnética, os  voluntários escolhiam, em  poucos segundos, afastar ou  aproximar cada vez mais de  sua cabeça uma cobra de um  metro e meio, viva (não peçonhenta, claro), pousada sobre uma esteira rolante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exceto em voluntários habituados a manusear cobras,  a aproximação do réptil aumentava tanto a sensação  subjetiva de medo quanto a  produção de suor, uma medida da expressão corporal do  medo -e aumentava também o esforço necessário para decidir aproximar a cobra  mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui surgia a diferença  entre os que sucumbiam ao  medo e os que o superavam:  a atividade no córtex subgenual, envolvido no controle  cognitivo das emoções, que se  tornava cada vez mais forte  durante o período de decisão  nos que logo escolhiam avançar assim mesmo, mas não se  sustentava nos que acabavam recuando a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com a sensação de  medo cada vez maior, o córtex subgenual é capaz de controlar sua expressão no corpo, deixando-o mais calmo  -o que deve contribuir para a  decisão corajosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corajoso, portanto, é quem  consegue encontrar uma razão interna forte o suficiente  para sustentar a ativação do  córtex subgenual e superar  seu medo, suprimindo a tendência automática a recuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, fica uma dica  para quem deseja ficar mais  corajoso: praticar meditação, que deixa seu córtex subgenual mais ativo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt;  &lt;b&gt;SUZANA HERCULANO-HOUZEL&lt;/b&gt;,  neurocientist&lt;/span&gt;a&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-6419859726916113339?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/6419859726916113339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/06/o-lugar-da-coragem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6419859726916113339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6419859726916113339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/06/o-lugar-da-coragem.html' title='O lugar da coragem'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-yMZbmzTa5eE/TflHEn9_k9I/AAAAAAAABm8/3KhlpSh7Ik8/s72-c/forca-e-coragem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-6033285187202382193</id><published>2011-06-10T08:22:00.003-03:00</published><updated>2011-06-10T08:33:57.489-03:00</updated><title type='text'>"Leave the kids alone"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-N7id8eLAOAE/TfH-7oy79mI/AAAAAAAABmM/Dh2meQNuI10/s1600/i3005201103.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 117px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-N7id8eLAOAE/TfH-7oy79mI/AAAAAAAABmM/Dh2meQNuI10/s200/i3005201103.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616550510824519266" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O Estado deve dar o direito aos gays de viverem&lt;br /&gt;como os héteros.&lt;br /&gt;Não deve  dizer o que é normal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;DE FATO existem pessoas racistas.  Homofóbicas, antissemitas (que hoje em dia se escondem atrás do antissionismo), que não gostam de pobres e de nordestinos. Pessoas assim barateiam o debate contemporâneo, assim como as  que simplificam as trincheiras teóricas em que vivemos nos últimos  anos, jogando tudo no mesmo saco  do "reacionarismo". Como se o  mundo permanecesse nos limites de  um "centro acadêmico em guerra  contra a repressão da ditadura".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que muita gente tem saudades dos tempos da ditadura porque  se sabia onde estava o mal. Será  mesmo? Nem tanto. Muita gente  ainda não sabe que a luta armada  no Brasil foi feita por pessoas que  queriam fazer do país uma ditadura  de esquerda. Tivessem eles vencido,  estaríamos hoje numa grande Cuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como seria bom se o mundo  fosse simples assim, preto no branco, amigos e inimigos, bons e maus.  Não é. Na maior parte do tempo é  cinza e confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate ao redor do "politicamente (in)correto" incendeia a mídia. Pessoas querendo "mudar"  Monteiro Lobato, querendo "curar"  gays e "decretar" que não devemos  corrigir o português dos pobres porque isso é ruim pra autoestima deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho preconceito contra essa  gente que vive pensando na "economia da autoestima", sorry...&lt;br /&gt;Tomemos como exemplo o debate sobre a luta pelos "direitos gays".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O STF aprovou a união civil dos  homossexuais. Vou mais longe:  acho que deveriam ter o direito de se  casar também e de ter filhos. E de ir  às reuniões chatas de "pais e mestres". E de ficar pobres como os  héteros por causa dos filhos. E de descobrir que pouco importa sua  "visão  de mundo", você estará sempre errado diante de um filho que cresceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que quem "bate em gay" deve pagar não porque bateu num gay,  mas porque gay é gente como todo  mundo. Sou contra leis especiais  que protejam gays. Complicado?  Sinto muito.&lt;br /&gt;Se um professor interrompe um  menino e uma menina que se beijam  na sala de aula é ok, mas, se fossem  dois meninos, seria "homofobia"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje os jovens (e todo mundo)  têm medo de dizer qualquer coisa  que não seja "gay é lindo". Não há  nada de revolucionário em ser gay,  nem existe uma "comunidade gay".  Gays são pessoas atoladas nas mesmas misérias e erros humanos. Neuróticos, como todo mundo, com sofrimentos específicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí chegamos a uma questão que  me parece muito representativa dos  equívocos do debate ao redor da  "questão gay" (um belo exemplo do  fascismo do politicamente correto):  o pretenso direito de o Estado querer  discutir "a heterossexualidade como normatividade sexual".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intenções como essas representam a tendência totalitária do Estado moderno em querer se meter em  assuntos que não são da sua competência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo não tem que se meter a  dizer a ninguém o que é "sexualidade normal". Isso é um crime contra a  liberdade. E isso vai acabar "batendo" na sala de aula. E, como ninguém  sabe direito o que está fazendo na sala de aula, essa nova "modinha" vai  pegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já disse em outras ocasiões que  sou contra a tal da educação sexual  quando pretende discutir "ideologias sexuais". Como pai, tenho todo  o direito de suspeitar da sanidade  mental de uma professora de educação sexual, porque em matéria de  sexo todo mundo é mal resolvido.&lt;br /&gt;Se as famílias são um lixo e por isso exigem das escolas o que elas não  podem dar, as famílias das professoras também são um lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginemos uma aula de educação sexual na qual vá se "questionar  a normatividade" (ou normalidade)  da heterossexualidade. Como seria  uma aula dessas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tal assim? Meninos e meninas colocando com a boca uma camisinha num pênis de plástico para,  quem sabe, perceberem que meninos também podem gostar de fazer  sexo oral em meninos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém tem o direito de fazer isso. Nem pai, nem mãe e muito menos professores que, provavelmente,  ao se dedicarem a isso, "provam"  suas pequenas taras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado deve dar o direito aos  gays de viverem como os héteros e  mais nada. Não deve se meter a dizer o que é normal. As pessoas têm o  direito de sentir o mal estar "que  quiserem". E deixem os filhos dos  outros em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUIZ FELIPE PONDE&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-6033285187202382193?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/6033285187202382193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/06/leave-kids-alone.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6033285187202382193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6033285187202382193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/06/leave-kids-alone.html' title='&quot;Leave the kids alone&quot;'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-N7id8eLAOAE/TfH-7oy79mI/AAAAAAAABmM/Dh2meQNuI10/s72-c/i3005201103.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-7928259262212196539</id><published>2011-05-29T10:24:00.001-03:00</published><updated>2011-05-29T12:02:00.107-03:00</updated><title type='text'>Considerações sobre novos desejos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-aY-7bZMQQ3A/TeJfdS0DpQI/AAAAAAAABZ4/g0toxMyv5a8/s1600/montagens_122_Derretendo%252520-%252520Maca.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 181px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-aY-7bZMQQ3A/TeJfdS0DpQI/AAAAAAAABZ4/g0toxMyv5a8/s200/montagens_122_Derretendo%252520-%252520Maca.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612153042528085250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Causa da depressão pode não ser&lt;br /&gt;perda e frustração,&lt;br /&gt;mas a chegada de novo desejo,&lt;br /&gt;que é silenciado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;UM JOVEM não sabe o que ele está a  fim de fazer da vida, e os pais pedem  que eu descubra qual é o desejo do  filho, de modo que ele possa escolher o vestibular e a profissão que ele  "realmente" gostaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma semana, encontro um  adulto que acha que, de fato, nunca  fez nada por desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora bem-sucedido, queixa-se de que suas escolhas (profissionais e amorosas)  sempre teriam sido circunstanciais,  efeitos de oportunidades encontradas ao longo do caminho. Ele pede,  antes que seja tarde, que eu o ajude  a descobrir qual é "realmente" o seu  desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dois casos, o pressuposto é o  mesmo: quem viver segundo seu desejo será, no mínimo, mais alegre.  Esta é mesmo uma boa definição da  alegria: a sensação de que nosso desejo está engajado no que estamos  fazendo, ou seja, de que nossa vida  não acontece por inércia e obrigação. Inversa e logicamente, muitos  estimam dever sua (grande ou pequena) infelicidade ao fato de terem  dirigido a vida por caminhos que -  eles declaram - não eram exatamente os que eles queriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, esse pressuposto e os  pedidos que recebi se chocam com  esta constatação: o "nosso desejo"  nunca é UM desejo definido por UM  objeto ou por UM projeto. Não existe, nem escrito lá no fundo escondido  de nossa mente, UM querer definido, que poderíamos descobrir e,  logo, praticar com afinco e satisfação porque estaríamos fazendo  aquela coisa ou caçando aquele objeto aos quais éramos, por assim dizer,  destinados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso: de uma  certa forma, todos os objetos e os  projetos se valem, e nenhum é "nosso" objeto ou projeto específico. Ou  seja, nós desejamos sempre segundo as circunstâncias, os encontros,  as oportunidades - segundo as tentações, se você preferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos volúveis? Nem tanto, pois  cada objeto e projeto não substitui  necessariamente o anterior. O que  acontece é que desejar é uma atividade inventiva a jato contínuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por consequência, mesmo quando  estamos alegremente convencidos de  estar fazendo o que queremos com  nossa vida, nunca estamos ao abrigo  do surgimento de desejos novos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, podemos aceitar esses desejos novos. Por exemplo, em "As  Confissões de Schmidt" (que não é  um grande filme), de A. Payne, com  Jack Nicholson, o protagonista acorda de noite, olha para sua mulher de  sei lá quantos anos e se pergunta estupefato: "Quem é esta mulher que  dorme na minha cama?". Logo, ele  dá um rumo novo à sua vida, colocando o pé na estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a expressão  de seus novos desejos é fortemente facilitada por duas circunstâncias:  providencialmente, o protagonista se aposenta e fica viúvo.  Nessas condições, escutar novos desejos fica fácil, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, imaginemos alguém que  esteja no meio de sua vida profissional e num bom momento de sua vida  amorosa. Nesse caso, provavelmente, o novo desejo será silenciado,  reprimido, menosprezado ("deixe para lá, é besteira"). Resultado: o  indivíduo continuará declarando que  está vivendo a vida que ele queria (e,  em parte, será verdade); só que, de  repente, sem entender por quê, ele  perderá sua alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que razão nosso indivíduo negligenciaria seus novos desejos?  Simples: por serem novos, eles acarretam a ameaça de uma ruptura no  presente: afetos e laços que poderiam ser perdidos, medo da solidão  e preguiça dos esforços necessários  para reinventar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, essa negligência  tem um custo alto. Sempre entendi  assim a "Metamorfose", de Kafka:  alguém acorda, e o que até então  era uma vida normal e legal, de repente, aos seus olhos, é uma vida de  barata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota útil para a clínica da depressão. Às vezes, procuramos em vão  as causas de uma depressão; será  que houve lutos ou perdas? Nada  disso; está tudo bem, trabalho, família, filhos e tal, mas o indivíduo  entristece, volta a fumar e a beber  como se quisesse encurtar a vida,  engorda como se estivesse num mar  de frustração e precisasse de gratificações alternativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitas dessas vezes, a origem  da depressão não é uma perda, nem  propriamente uma frustração, mas  a aparição de um desejo novo que  não foi reconhecido. E os novos desejos, sobretudo quando são silenciados, desvalorizam a vida que estamos vivendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da fábula: 1) Não existem vidas definitivamente resolvidas, pois  novos desejos surgem sempre; 2) É  bom reconhecer os novos desejos,  mesmo que deixemos de realizá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contardo Calligaris&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-7928259262212196539?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/7928259262212196539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/05/consideracoes-sobre-novos-desejos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7928259262212196539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7928259262212196539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/05/consideracoes-sobre-novos-desejos.html' title='Considerações sobre novos desejos'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-aY-7bZMQQ3A/TeJfdS0DpQI/AAAAAAAABZ4/g0toxMyv5a8/s72-c/montagens_122_Derretendo%252520-%252520Maca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-7687936458615067850</id><published>2011-05-19T11:27:00.002-03:00</published><updated>2011-05-19T11:31:23.435-03:00</updated><title type='text'>O sentido da vida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-6QzTBWVRtg4/TdUpnJJ6V0I/AAAAAAAABYA/KCaSYqXIYbc/s1600/o-sentido-da-vida.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-6QzTBWVRtg4/TdUpnJJ6V0I/AAAAAAAABYA/KCaSYqXIYbc/s200/o-sentido-da-vida.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608434663408949058" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Tentamos dar um significado diferente&lt;br /&gt;à nossa existência do que é ditado&lt;br /&gt;pela natureza humana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Do ponto de vista da mãe natureza, já nascemos com o sentido da vida,  embutido em nossos softwares cerebrais, completamente pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem os genes masculinos aos seus portadores: "Procrie com o maior  número de mulheres possível, escolhendo as mais belas, dóceis,  inteligentes e atenciosas com as crias.&lt;br /&gt;Dê alguma atenção e ajuda a elas para que suas crias não sejam prejudicadas, mas nada que o impeça de partir para a próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De preferência, tenha um harém bem cuidado por eunucos (você não vai  querer criar filhos de outros, claro) e vá incorporando novas mulheres  pelos mesmos critérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso, você precisa se preparar: torne-se belo, forte, alto,  inteligente, mas, sobretudo, rico e poderoso. Lidere guerras que possam  tomar do inimigo suas posses e mulheres, pois isso o enriquecerá e  encherá seu harém (um sultão do século 19 teve 840 filhos, um exemplo de  homem comandado por seus genes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a política do país o obrigar à monogamia, drible-a sendo um polígamo  seriado: você tem dinheiro para sustentar oito ex-esposas e suas crias e  você tem tempo para isso, já que os homens não envelhecem.&lt;br /&gt;Podem seguir acumulando dinheiro e poder e são férteis até a morte".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem os genes femininos às suas portadoras: "Procrie o mais que puder  com os homens mais belos, fortes, inteligentes, agressivos, mas,  sobretudo, ricos e poderosos. Se possível, case-se com um deles e cuide  para que ele a prestigie e dê garantias de provimento para você e suas  crias, pelo maior tempo possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você não conseguir um 'topo de linha', pode se casar com um 'mais ou  menos': você pode se oferecer e procriar com o patrão dele, sem que ele  saiba, e colher genes poderosos para suas crias, desde que a aparência  delas não seja testemunha da sua traição. Prepare-se: comece cedo. Você  não tem muito tempo, e juventude é seu maior cacife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procure ser bela e parecer recatada: isso aumenta seu preço de compra e  ilude o homem com presumida fidelidade. Não conseguindo ser bela, você  pode ser oferecida, mas procure parecer bela, usando todos os  expedientes ao seu alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo vale para a juventude (velhas nunca foram símbolos sexuais).  Malhação, plástica e pintar cabelos servem para isso. Cuide das crias.  São raros os homens que se preocupam com isso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, a natureza é cínica e cruel para atingir seus objetivos. A ponto de  os biólogos dizerem que a galinha é uma máquina inventada pelo ovo para  fazer outros ovos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nós somos um bicho que pensa, que deseja ética, que filosofa e que,  portanto, busca um sentido na vida diferente daquele dos genes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso resultou em inúmeros "sentidos da vida" criados por nós. Mas meu  objetivo era falar do que ninguém fala: da natureza humana, essa força  poderosa que carregamos sem saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;b&gt;FRANCISCO DAUDT&lt;/b&gt;, psicanalista e médico,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-7687936458615067850?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/7687936458615067850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/05/o-sentido-da-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7687936458615067850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7687936458615067850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/05/o-sentido-da-vida.html' title='O sentido da vida'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-6QzTBWVRtg4/TdUpnJJ6V0I/AAAAAAAABYA/KCaSYqXIYbc/s72-c/o-sentido-da-vida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-3123901268275232161</id><published>2011-05-10T20:50:00.001-03:00</published><updated>2011-05-10T21:00:41.294-03:00</updated><title type='text'>Receita de meditação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-6EC4M5Nn2sU/TcnRci5w2xI/AAAAAAAABVY/YycxZHs0wFA/s1600/meditar.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-6EC4M5Nn2sU/TcnRci5w2xI/AAAAAAAABVY/YycxZHs0wFA/s200/meditar.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5605241499574917906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;Qualquer um pode meditação&lt;br /&gt;provar os benefícios receita de da técnica,&lt;br /&gt;sem discurso religioso&lt;br /&gt;nem pretensão de atingir o nirvana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Para meditar não é preciso  seguir uma religião ou filosofia exótica. Nem relaxar e ficar "no vazio".&lt;br /&gt;O ginecologista Roberto  Cardoso, autor de "Medicina  e Meditação" (Editora MG),  acredita que essas concepções são os obstáculos para  quem quer aproveitar os benefícios da prática.&lt;br /&gt;Pesquisador e meditador  praticante, Cardoso afirma  que os seus efeitos não são  milagre, mas frutos do treino.  Segundo ele, a melhor forma  de alcançar resultados é não  se preocupar com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;   &lt;b&gt;É possível definir a  meditação fora de um contexto religioso ou filosófico?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Roberto Cardoso&lt;/b&gt; - Podemos definir critérios para a  prática. Foi o que nosso grupo de estudos fez. Criamos  uma definição operacional  que é hoje adotada em todas  as pesquisas médicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O que significa uma definição  operacional?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É o "como fazer". Você pode dizer o que é um bolo de  chocolate sem explicar como  fazê-lo. A definição operacional é dizer: "bata tantos ovos,  misture a farinha, coloque  em uma forma, leve ao forno  por 15 minutos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Qual é a receita para meditar?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter uma técnica  específica ensinada por um  instrutor. Essa técnica é autoaplicada, tem que ter uma  "âncora" e produzir o relaxamento da lógica. Esses dois  últimos itens são fundamentais para caracterizar uma  técnica como meditativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E são os mais difíceis de entender. O que é a âncora?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É um foco para o qual você  dirige sua atenção: a própria  respiração, um som ou palavra que se repete, o movimento de vai e vem do abdome, uma imagem fixa.&lt;br /&gt;Toda a atividade mental é  levada para esse ponto mínimo. Mas não é feito um esforço para não sair dele. Ao contrário, a pratica é voltar a esse  foco sempre que a mente produzir uma sequência de pensamentos. Esse ir e vir é a meditação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E o relaxamento da lógica?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É não se envolver no fluxo  incessante de pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Como conseguir isso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A atenção simplesmente  volta para a âncora, e a pessoa não tenta analisar, julgar  ou ter expectativas, nem  mesmo sobre os efeitos que a  meditação vai trazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mas é difícil se envolver em  uma prática sem esperar obter seus efeitos.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A expectativa é um exercício da lógica, que atrapalha.  Mas tem gente que não consegue trabalhar sem objetivos. Então, você  traça um objetivo "concreto": meditar todo dia por 15 minutos durante  dois meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E os efeitos vão acontecer?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Com a prática, você ocupa  o córtex pré-frontal [área do  cérebro ligada ao raciocínio  lógico] com a âncora. É preciso um esforço muito grande  para fazer isso, o que desregula e "desliga" o córtex.&lt;br /&gt;E é isso que leva a uma série de sensações diferentes,  como a de transcender os limites do corpo, já que as  áreas responsáveis por processar informações sensoriais e dar orientação espacial diminuem sua atividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Qual a maior dificuldade do  meditador iniciante?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Confundir a técnica com o  efeito. Se você fala para pessoa: "sente lá, relaxe e se sinta no vazio", você está falando dos efeitos. É como dizer:  "sente-se no aparelho de  musculação e hipertrofie  seus músculos", quando o  que ela tem que fazer é repetir alguns movimentos usando uma carga determinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Que outros obstáculos ela vai  encontrar?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Achar que, para praticar,  obrigatoriamente terá que  adotar uma religião ou uma  filosofia específica. Vencer a  preguiça de treinar e enfrentar o preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ainda há preconceito contra  a meditação?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;As pessoas hoje falam  muito das descobertas científicas sobre os efeitos da meditação. Mas se você for falar  das experiências vivenciadas, quem não conhece vai  achar que é conversa de louco. E ainda há muita gente  que acredita que, se você medita, é porque entrou para  uma seita ou religião exótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;MUDANDO A CABEÇA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O que acontece com o seu cérebro quando você medita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;CÓRTEX PRÉ-FRONTAL&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Área responsável por planejamento e tomada de decisões, que é desligada durante a meditação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;TÁLAMO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Cria o fluxo de informações sensoriais para o córtex e de volta a outras partes do corpo; a prática meditativa reduz esse fluxo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;LOBO PARIETAL&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Envolvido na orientação espacial e temporal, processa as informações dos  órgãos de sentido. Sua atividade diminui quando a pessoa medita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;FORMAÇÃO RETICULAR&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sua principal função é ativar o córtex quando recebe estímulos, acionan-  do o sistema de alerta do cérebro. A meditação reverte esse estado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-3123901268275232161?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/3123901268275232161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/05/receita-de-meditacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3123901268275232161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3123901268275232161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/05/receita-de-meditacao.html' title='Receita de meditação'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-6EC4M5Nn2sU/TcnRci5w2xI/AAAAAAAABVY/YycxZHs0wFA/s72-c/meditar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-6993306363546701767</id><published>2011-04-26T21:56:00.001-03:00</published><updated>2011-04-26T22:00:34.709-03:00</updated><title type='text'>Lazer pós-moderno</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-ayGQ8dwjVCg/Tbdqjgi1e6I/AAAAAAAABO4/ebrmDXO7dc4/s1600/Mundo%2BVirtual.png"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 140px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-ayGQ8dwjVCg/Tbdqjgi1e6I/AAAAAAAABO4/ebrmDXO7dc4/s200/Mundo%2BVirtual.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5600061819922512802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;No mundo virtual a pessoa&lt;br /&gt;não se define pelo que ela é,&lt;br /&gt;mas pelo que deseja ser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;A REALIDADE costumava ser  sólida e confiável. Era pão,  pão, queijo, queijo. Hoje, está  travestida de imagens e de  conceitos fabricados. Já não  temos acesso a sua nudez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, não acreditamos  mais no que vemos, e dá trabalho discriminar o que é do  que parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também dá para se divertir com isso. Nas formas  pós-modernas de lazer -reality show e jogo virtual- , o  novo brinquedo é a própria  realidade, nua ou travestida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No show, o barato é ficar caçando indícios das emoções  reais dos jogadores em sua  comunicação corporal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Second Life, ao contrário, o jogador se esbalda numa realidade fabricada. A começar pela versão digital do  ser humano, o avatar. Eles interagem on-line, têm um trabalho criativo, ganham dinheiro de verdade, gastam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecem pessoas, cantam e  se casam. A graça do mundo  virtual é que lá tudo é perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo conheceu no jogo uma linda avatar que gerencia casas de show. Descobriu, depois, ser uma chinesa  que sofre de esclerose múltipla. No jogo, ela conhece artistas e conversa com gente  que curte música. Antes, ficava em casa vendo TV sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro avatar se apresenta  com uma biografia ilustre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construiu uma casa faraônica. Na vida real ele seria considerado estranho. Os avatares frequentam sua mansão  numa boa, não contestam  seu modo de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há insatisfeitos com o casamento que não arriscam  um caso, mas querem viver  uma aventura. E há também  lindas histórias de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mais incrível é a do casamento -de véu e grinalda-  entre um americano e uma  australiana. Os dois nunca se  encontraram na vida real,  nem pretendem. No jogo, ambos são lindos e jovens, conversam todos os dias, vão a  shows, viajam, fazem sexo.  Ele disse que não pode imaginar a vida sem sua mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa identidade cotidiana é limitada pela realidade.  Somos homem ou mulher, jovem ou velho, burocrata ou  artista. No mundo virtual, a  pessoa não se define pelo que  é, mas pelo que quer ser. É a  realidade psíquica que manda. E nessa, cada um é plural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No jogo, nossos vários eus  ganham voz e cidadania. O limite é o desejo de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experiências virtuais são  reais, mas não são palpáveis.  Como não há matéria, ninguém perde para seu corpo.  Se, no reality show, o corpo dá  bandeira, o do avatar não trai  o que o jogador está sentindo.  É uma vida sem os aborrecimentos do corpo, mas também sem as alegrias da carne. A relação custo-benefício  pode compensar. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;b&gt;MARION MINERBO&lt;/b&gt; , psicanalista da  Sociedade Brasileira de Psicanálise de São  Paulo, é autora de "Neurose e Não-Neurose" (Casa do Psicólogo)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-6993306363546701767?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/6993306363546701767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/04/lazer-pos-moderno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6993306363546701767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6993306363546701767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/04/lazer-pos-moderno.html' title='Lazer pós-moderno'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ayGQ8dwjVCg/Tbdqjgi1e6I/AAAAAAAABO4/ebrmDXO7dc4/s72-c/Mundo%2BVirtual.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-3010706636982755209</id><published>2011-04-19T18:10:00.001-03:00</published><updated>2011-04-19T18:35:45.638-03:00</updated><title type='text'>Casais de duas culturas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-8X50vJPAwlo/Ta4ABoW1hTI/AAAAAAAABOg/CNCIOmN6AbY/s1600/casais.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 119px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-8X50vJPAwlo/Ta4ABoW1hTI/AAAAAAAABOg/CNCIOmN6AbY/s200/casais.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597411414881174834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Marido e mulher passam&lt;br /&gt;seu tempo de lazer juntos&lt;br /&gt;não porque prefiram,&lt;br /&gt;mas porque é a praxe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Em 1983, quando me mudei  dos arredores de San Francisco, a cidade mais progressista dos EUA, para  o Rio de Janeiro, sua contraparte brasileira mais tradicional, o  feminismo já havia tornado as  mulheres mais autônomas  socialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá, mulheres casadas podiam passar finais de semanas com as amigas em spas  campestres, trocando confidências em poços de águas  termais, sem que seus maridos se queixassem.  Os casais de San Francisco  continuam a passar parte  considerável do seu tempo de  lazer separados, porque precisam de "espaço" - gíria  para independência social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo meu em San  Francisco faz viagens anuais  de uma semana com um amigo, para criar "espaço" entre  ele e a mulher, ainda que os  dois tirem férias juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tente imaginar uma carioca que dê esse tipo de "espaço" ao marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rio, o machismo retardou os avanços feministas.  Por isso, os casais passam a  maior parte de seu tempo de  lazer juntos, não porque prefiram, mas porque é a praxe.&lt;br /&gt;Um grupo de cariocas casadas pode sair para uma  pizza numa noite de quinta-feira. Mas como seus maridos  reagiriam se elas decidissem  passar o final de semana numa spa do interior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, um amigo carioca se  queixa à mulher de que as  viagens de negócios de um  mês de duração que ela realiza lhe causam sensação de  abandono. Nos EUA, não  apenas San Francisco, uma  cultura workaholic, alguns  casais passam muito mais  tempo separados do que juntos, devido às demandas de  suas respectivas profissões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na San Francisco dos anos  80, ser gay, lésbica ou uma  mulher casada que optasse  por não ter filhos eram inclinações mais aceitas do que  no Rio. Lá, se um membro de  um casal começasse a almoçar com um desconhecido/a  para iniciar uma amizade,  seus companheiros/as mais  confiantes não teriam ciúme,  desde que pudessem encontrar o desconhecido/a "para  dar uma olhada nele/a". É  uma independência que continua a existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rio, então como agora,  esses almoços causariam ciúme a qualquer companheiro.  Um motivo: aqui, a competição sexual, especialmente  entre as mulheres, é feroz. A  única amiga com quem almoço, eu já conhecia antes de  casar. Encontro outras amigas sob a estrutura de dois  casais, amigos entre si, que  saem juntos. Às vezes, essas  limitações sociais me dão  saudade da cidade liberal e  libertadora que deixei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style=""&gt;&lt;b&gt;MICHAEL KEPP&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-3010706636982755209?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/3010706636982755209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/04/casais-de-duas-culturas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3010706636982755209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3010706636982755209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/04/casais-de-duas-culturas.html' title='Casais de duas culturas'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-8X50vJPAwlo/Ta4ABoW1hTI/AAAAAAAABOg/CNCIOmN6AbY/s72-c/casais.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-6712918478657279209</id><published>2011-04-10T12:00:00.000-03:00</published><updated>2011-04-10T12:10:51.916-03:00</updated><title type='text'>"Fazer" uma doença</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-Y7fCQtZRviY/TZo9CatYEBI/AAAAAAAABNA/uq6XMhWActU/s1600/tumblr_lfr0nkHN031qcwgja.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 197px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Y7fCQtZRviY/TZo9CatYEBI/AAAAAAAABNA/uq6XMhWActU/s200/tumblr_lfr0nkHN031qcwgja.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5591848999072567314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A desventura pode até ser terrível,&lt;br /&gt;mas console-se: se você for vítima ou culpado,&lt;br /&gt;você vai aparecer na foto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Por  que a culpa é um de  nossos jeitos preferidos para dar  sentido ao  mundo? Como é possível  que, diante de uma desgraça, o fato  de  sentirmo-nos culpados constitua,  para nós, uma espécie de conforto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos  conhecemos as expressões  usuais pelas quais, por exemplo, Fulano ou  Fulana podem eles mesmos  admitir que "fizeram um câncer" -e  não foi  porque fumaram dois maços  de cigarros por dia durante a vida  inteira,  nem porque, verão após verão, deitaram no sol para bronzear  a pele, sem  protetor algum. Nada  disso: a expressão "fazer uma doença", em geral,  indica outro tipo de  responsabilidade. Mas vamos devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é  raro que a primeira reação  de quem recebe um diagnóstico maligno  consista em procurar uma intenção escusa da qual ele poderia  ser a  vítima. Envenenaram a água  da cidade; o ar é repleto de resíduos   daquela fábrica cuja chaminé solta  fumaça a cada noite; há um dentista  que tem consultório acima do  meu, ninguém sabe quantos raios-x  ele faz  por dia, será que ele isolou  sua sala do jeito certo ou será que a   radiação chega até aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma linha, Deus ou o diabo  podem  ser os mandantes de minha  desgraça. Deus, porque ele quer colocar à  prova minha fé, como ele já  fez com Jó. O diabo, porque ele é  príncipe  aqui na terra e todo o mal  vem dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas reações parecem ter o  mesmo propósito dos delírios paranoicos: elas acusam um agente externo   (Deus, o diabo ou os vizinhos) para  que o mundo ganhe sentido, ou  seja,  no caso, para que o mal que se abate  sobre a gente tenha uma  explicação. "Adoeci porque alguém me quis  mal": graças a essa crença,  não sofro por acidente nem por acaso, mas  sou vítima de uma vontade que  me  castiga ou me testa. O que se ganha  com isso? Antes de responder,  mais  uma observação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, quando temos intenções que  preferimos esconder de nós  mesmos, uma boa solução é atribui-las a  outros. Portanto, não seria de  todo estranho que a gente acusasse  Deus  e todo mundo por males que  nós mesmos causamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse ponto de  vista, reconhecer  que nós somos os primeiros culpados de nossa  desventura seria um  progresso. Algo assim: até que, enfim, o cara se  tocou, não foi Deus,  não foi o demônio, nem a usina química no morro  atrás da casa, foi ele  mesmo que "fabricou" sua doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente,  a explicação deste  "fabricar sua doença" passa quer  seja por uma  poética do estouro  (emoções contidas e silenciadas tiveram que se  expressar e explodiram numa neoplasia), quer seja por  uma poética da  erosão (as mesmas  emoções reprimidas foram atacando o corpo como a  famosa gota que  cava a pedra, não pela força, mas  caindo  repetidamente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto faz: o que me importa dizer  é que entre acusar a Deus e todo  mundo e acusar a nós mesmos não  há progresso algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  posição de vítima (Deus, o diabo e os vizinhos me querem mal) e a   posição de culpado (eu fabriquei  minha doença porque meu inconsciente é  meu verdadeiro inimigo),  ambas são chamadas a "explicar" o  mal que  nos assola, porque, aparentemente, preferimos sofrer de um  mal  explicado a sofrer de um mal  aleatório. Por que isso? Simples:  tanto  se eu for a vítima escolhida por  Deus e pelo mundo quanto se eu for  a  vítima de mim mesmo, apesar de  doente, eu me manterei nas luzes da   ribalta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, agimos e pensamos como se nosso sofrimento  pudesse ser  aliviado por uma compensação narcisista: a desventura é  terrível, mas,  ao menos, como vítima ou como culpado, sairei na foto.  Não é uma consolação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez. Mas é uma consolação  custosa,  porque, nessa foto em que  sou vítima ou culpado, a desventura  é o que  me define, o que me resume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, qualquer sofrimento seria um  fardo mais leve se ele pudesse aparecer como quase sempre é:  um mal  sem sentido, que não faz  parte de nenhum plano e não é fruto  de  nenhuma vontade escusa, nem  da nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teste de boa saúde:  estamos bem  quando podemos ser atropelados  sem ter que considerar que  alguém  tentou nos matar ou que nós mesmos nos jogamos nas rodas do  caminhão, empurrados por impulsos  inconfessáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo  querido morreu de um  câncer que ele não fabricou e que  não lhe foi  imposto nem por Deus  nem pelo diabo nem pelos vizinhos.  Ele dizia: os  males reais são suficientemente graves para que a gente  não se esforce  para lhes acrescentar mil sentidos imaginários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTARDO CALLIGARIS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-6712918478657279209?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/6712918478657279209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/04/fazer-uma-doenca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6712918478657279209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/6712918478657279209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/04/fazer-uma-doenca.html' title='&quot;Fazer&quot; uma doença'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Y7fCQtZRviY/TZo9CatYEBI/AAAAAAAABNA/uq6XMhWActU/s72-c/tumblr_lfr0nkHN031qcwgja.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-9129180664865155177</id><published>2011-03-22T08:16:00.002-03:00</published><updated>2011-03-22T08:20:54.528-03:00</updated><title type='text'>A grande pergunta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-KNBmVX6Z8to/TYiFt_U8xyI/AAAAAAAABMY/_l92IbhSOJY/s1600/Interrogativ.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 197px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-KNBmVX6Z8to/TYiFt_U8xyI/AAAAAAAABMY/_l92IbhSOJY/s200/Interrogativ.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586862362893010722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Já aconteceu diversas vezes. Convidam-me para  uma palestra, oferecem-me um tema, providenciam hotel e passagens, os  auditórios, uns pelos outros, ficam cheios de gente querendo saber  coisas. Mal informada,  acha que sei alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada o convite foi espantoso: falar sobre o fim do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparei-me tecnicamente, pesquisei na internet, ouvi especialistas,  consultei enciclopédias, li uns  cinco livros de ficção científica sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei sabendo de  coisas pasmosas. Uma galáxia está  sugando a Via Láctea, da qual a  Terra faz parte como planeta do Sistema Solar. A velocidade sideral é  espantosa. Milhões de quilômetros  por segundo e seremos tragados  pela pérfida boca de um buraco negro que além de nos tragar, mais  tarde se tragará a si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ao quadro-negro, mostrei  distâncias calculadas em anos-luz,  citei Ptolomeu, Copérnico, Newton,  Einstein e até Inri Cristo, aquele ex-bancário de Curitiba que se diz a encarnação de Jesus Cristo e nos  ameaça com o fim dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei na teoria dos quanta e no  Apocalipse de São João. Evidente  que descarreguei a culpa de tudo  na camada de ozônio mutilada pelos detritos industriais da nossa civilização assassina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bateram palmas a tanta e tão  vasta sabedoria. O mediador  elogiou minha atuação com palavras emocionadas e declarou aberto o debate. Alguém desejava me  questionar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá de trás, a mão de um sujeito  magro e barbado se ergueu. Tremi  nas bases. Eu esgotara toda a minha sabedoria, um minuto a mais  de palestra e revelaria a total ignorância sobre aquele e sobre todos os  demais assuntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz foi estimulado pela plateia a expressar a dúvida que o inquietava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparei-me para o pior e  ouvi a pergunta feita em tom ligeiramente irritado: "O quê Barack  Obama vem fazer no Brasil?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CARLOS HEITOR CONY&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-9129180664865155177?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/9129180664865155177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/03/grande-pergunta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/9129180664865155177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/9129180664865155177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/03/grande-pergunta.html' title='A grande pergunta'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-KNBmVX6Z8to/TYiFt_U8xyI/AAAAAAAABMY/_l92IbhSOJY/s72-c/Interrogativ.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-2703427003052663362</id><published>2011-03-17T07:08:00.002-03:00</published><updated>2011-03-17T07:11:14.907-03:00</updated><title type='text'>Jovens</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-ajaIPAXhH2s/TYHeJA6C2zI/AAAAAAAABMQ/02mGNwcol78/s1600/forum%2Bda%2Bjuventude.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 166px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ajaIPAXhH2s/TYHeJA6C2zI/AAAAAAAABMQ/02mGNwcol78/s200/forum%2Bda%2Bjuventude.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5584989259359771442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Não estamos de acordo,&lt;br /&gt;somos contra jovens rindo&lt;br /&gt;e trocando soquinhos na fila do supermercado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;CHEGO AO caixa do supermercado,  onde estão a mulher de unhas cor-de-rosa e o senhor de Rider, e nos  olhamos de esguelha -nossas pupilas nem se cruzam, trata-se apenas  daquela checada rápida, com o canto do olho, herança das savanas,  talvez, quando tínhamos que avaliar, num átimo, se havia algum leão  à espreita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há: nenhum de nós é skin-  head, bêbado ou aparenta levar  uma machadinha escondida embaixo do casaco, de modo que a paz logo se instaura no microcosmo do  nosso caixa; a mulher diz que sim,  quer Nota Fiscal Paulista, não, não  tem o cartão do supermercado e,  após breve hesitação, decide pagar  no crédito; o senhor começa a colocar sobre a esteirinha rolante suas  compras de homem solitário, uma  pizza congelada, dois limões, três  latas de cerveja; eu batuco, despreocupado, na grade do carrinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É aí que ouvimos as risadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Várias, estridentes. Os mesmos  genes responsáveis pela esguelha  preventiva nos acionam o alerta laranja: "atenção, barulho, perigo!" e  fazem com que viremos na direção  da algazarra. São três meninos e  duas meninas, entre 16 e 18 anos.  Empurram um carrinho com cervejas, uma vodca e um pacote de Doritos. "Ai, cala a boca, Amanda!", diz  um deles, bem alto, e logo recebe, da  menina, um soco no braço. Riem  muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nós, a turma dos veteranos da fila, damos as costas aos garotos e,  pela primeira vez, nos olhamos nos  olhos. É um pacto silencioso, que  diz: a paz foi perturbada, não estamos de acordo com este comportamento, somos contra jovens que  chegam rindo, dizendo "Ai, cala a  boca, Amanda" e trocando soquinhos, no supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eles param atrás da gente, com  uma extroversão que é diretamente  proporcional ao nosso incômodo. A  mulher de unhas rosa espera a máquina emitir seu recibo, tensa, o senhor limpa a garganta, mandando  para dentro o pigarro e para fora  seu sinal de desaprovação, eu pego  uma barra de cereais e finjo a mim  mesmo um grande interesse pela tabela nutricional -e é entre kcals e fibras alimentares que a razão do  meu desconforto vai se revelando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Faz muito pouco tempo, eu estava ali atrás, falando alto, desdenhando dos adultos, com plena  consciência de que o mundo é um  palco e todos os papéis são cômicos.  Agora, estou do lado do Rider,  das unhas cor-de-rosa, do "cada  coisa em seu lugar" e "a liberdade  de um vai até onde começa a...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não, não tenho a menor saudade  da adolescência. Sete anos sem saber se punha as mãos nos bolsos ou  pra fora das calças, a obrigação de  estudar química às sete e quinze da  manhã, a certeza absoluta de que  iria morrer virgem, puro e besta -  cruz-credo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O lado de cá é bem mais confortável, e é justamente esse conforto que  os garotos ameaçam, de maneira  tão ingênua e eficaz, inserindo risadas, extroversão e agressividade  onde deveria haver apenas "boa noite", "Nota Fiscal Paulista?", "débito  ou crédito?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enquanto entrega o cartão à moça do caixa, posso ouvir o senhor  ruminando: "absurdo! Se cada um fizesse o que tem vontade, na hora  que tem vontade, o que seria do  mundo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O que seria do mundo? E de nossas vidas? Eis as perguntas que não  ousamos nos fazer, e que os moleques nos esfregam na fuça, com  suas risadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANTONIO PRATA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-2703427003052663362?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/2703427003052663362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/03/jovens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2703427003052663362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2703427003052663362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/03/jovens.html' title='Jovens'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ajaIPAXhH2s/TYHeJA6C2zI/AAAAAAAABMQ/02mGNwcol78/s72-c/forum%2Bda%2Bjuventude.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-405639603318327852</id><published>2011-03-10T11:20:00.001-03:00</published><updated>2011-03-10T11:22:44.433-03:00</updated><title type='text'>Rivotril</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-4g69mLvi5HE/TXjeTts7l2I/AAAAAAAABLg/OfG2kAnAO_k/s1600/rivotril.JPG"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-4g69mLvi5HE/TXjeTts7l2I/AAAAAAAABLg/OfG2kAnAO_k/s200/rivotril.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582456168392660834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Não sei se o homem das cavernas&lt;br /&gt;tinha mais ou menos ansiedade&lt;br /&gt;que um sedentário de meia-idade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;NUNCA FUI corajosa. Depois  do nascimento dos meus filhos, o  instinto de preservação quintuplicou minha covardia latente. Lutei  contra a natureza por quase 20  anos, mas a maternidade me venceu por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li com inveja e espanto a notícia  de uma mulher que desconhece o  medo. A síndrome de Urbach-Wiethe destruiu sua amígdala, uma estrutura  em forma de amêndoa situada no fundo do cérebro, e desarmou  seus alertas internos de proteção e  perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria isso uma benção ou uma  danação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim do ano de 2010 foi especialmente difícil para mim e os meus.  Mortes na família, doenças graves,  decisões urgentes e infecções sorrateiras culminaram no funil  esperançoso de Natal e Ano-Novo. O resultado foi um temor angustiado que  virou o ano de mãos dadas comigo e  se recusou a voltar a um nível tolerável depois de passadas as festas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo ansioso, cego e insistente, o choro que alimenta o choro,  levou muitos amigos a me aconselharem uma visita a um psiquiatra.  O nome que mais ouvi, antes mesmo  do telefone de um especialista, foi o  do milagroso Rivotril. A panaceia  me foi descrita como um unguento  milagroso, capaz de cortar a sinistrose pela raiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "O Erro de Descartes" (Companhia das Letras, 336 pág., R$ 63),  Antônio R. Damásio faz uma advertência contundente a respeito do  uso indiscriminado de antidepressivos. Segundo o neurologista português, abrir mão da tristeza é dar  adeus a uma das poderosas armas  evolutivas responsáveis por manter  a raça humana em estado de atenção. Anular a dor seria uma solução  tão estranha quanto desligar o radar para não sofrer com a antecipação da tempestade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei se o homem das cavernas, correndo diariamente o risco de  ser devorado por uma besta-fera, tinha mais ou menos ansiedade do  que um sedentário de meia-idade  que assiste às infindáveis hecatombes cotidianas pela TV. Talvez a luz  elétrica e o computador tenham nos  trazido mais frustrações do que amparo, talvez as paúras de uma vida  tão afastada da feroz mãe natureza  só se aplaquem mesmo mediante o  uso de medicamentos, não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre desconfiei das bulas  reguladoras do humor; do humor,  do sono e do apetite. E foi com tal  desconfiança que me dirigi à psiquiatra, uma mulher inteligente de  quem ouvi uma explicação bastante  convincente para os efeitos benéficos que um antidepressivo, ou um  ansiolítico, poderiam me trazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cérebro é um órgão dotado de  uma impressionante capacidade de  se remodelar. Graças à essa plasticidade, nos recuperamos de derrames  graves, aprendemos a tocar instrumentos e agimos com rapidez diante de situações-limite. Os neurônios  acionam novas sinapses, criam vias  alternativas, ligam e religam circuitos conforme a necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a persistência de um estado  melancólico, por exemplo, potencializa determinadas correntes neurais, fortalecendo uma rede funesta  que impede o surgimento de novas  saídas para o espírito. Como um rio  sobrecarregado em uma enchente,  a força das águas foge ao controle  da própria vontade e deságua na  chamada depressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O remédio interditaria o pessimismo vicioso e daria chance ao cérebro de se rearticular. Convencida a  derrubar a fundação do muro das  lamentações, experimentei o famoso Rivotril pela primeira vez, adiando a investida no antidepressivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei três dias sonolenta e algo  abobalhada, evitei dirigir. No terceiro dia, desestimulada e apática,  achei que estava pior que antes. Decidi não recorrer ao medicamento  na quarta noite e tive dificuldade  para dormir. Quando cogitei tomar  uma gota do elixir para ir ao encontro de Morfeu, os sinos de emergência badalaram soltos sob a pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tive problema de sono.  Qualquer droga, lícita ou ilícita, que  mexa com esse metabolismo me arrepia os cabelos. Fritei no lençol até  cinco da matina. Passei o dia seguinte imprestável e, no outro, depois de uma noite bem dormida e  sem sedativos, acordei refeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rivotril me ajudou. Ele agiu como um elefante branco que a gente  põe na sala e, no dia que tira, sente  um alívio inaudito; mas não resolveu. Sem o auxílio da farmacêutica,  recorri a um amigo que insiste em  estar vivo há mais de 74 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Finja! Crie um personagem e finja ser ele", me disse Domingos Oliveira. "Quem enfrenta a realidade  enlouquece, a única saída para a  sanidade é uma dose de alienação.  A arte é a única saída possível."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi bem pela arte. Meu escapismo atendeu pelo nome de Fernando de Noronha. O mar, os bichos marinhos, o sol e a natureza  agreste reverteram violentamente  os fluídos da minha psique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem que a psiquiatra avisou que  uma ação desse tipo também poderia dar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 128);font-size:1px;" &gt;&lt;b&gt;FERNANDA TORRES&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-405639603318327852?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/405639603318327852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/03/rivotril.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/405639603318327852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/405639603318327852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/03/rivotril.html' title='Rivotril'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-4g69mLvi5HE/TXjeTts7l2I/AAAAAAAABLg/OfG2kAnAO_k/s72-c/rivotril.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-3151958074932180546</id><published>2011-03-04T04:50:00.000-03:00</published><updated>2011-03-04T04:50:18.083-03:00</updated><title type='text'>Os genes do vício</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-IA9ykAnpxLU/TXCZn6ubwBI/AAAAAAAABK4/HufQGGbX_HA/s1600/Rosendo_vicio-703768.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-IA9ykAnpxLU/TXCZn6ubwBI/AAAAAAAABK4/HufQGGbX_HA/s200/Rosendo_vicio-703768.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580128849370005522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;É um comportamento mais forte que você, que vai contra seus interresses mais prezados, mas que dá um prazer imediatista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;ELA CHEGOU ao escritório do  advogado dizendo que queria  se separar. "Quantos anos a  senhora tem?" Tinha 75 , estava casada há 52. O advogado,  pasmo, quis saber o porquê.&lt;br /&gt;"O pai do meu marido era  alcoólatra. Por isso, ele jurou  que nunca ia pôr uma gota de  bebida na boca. Cumpriu até  três anos atrás, quando se  aposentou. Os amigos cervejeiros disseram que agora ele  podia, e ele passou a beber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, chega de porre e me  bate. Quero me separar!"  A história, verídica, é assustadora. O filho intuiu que  tinha uma herança maldita,  fez de tudo para que ela não o  atingisse, mas deu mole aos  47 do 2º tempo... e tomou gol!  Ouvi dizer, há tempos, que  havia um gene para o alcoolismo. Não acreditei. Depois  de conhecer essa história, fiquei embatucado. Anos de  clínica mais tarde, entendi  que hereditário não era o alcoolismo, mas o vício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois fui tomando contato  com uma multiplicidade de  vícios insuspeitados: tabagismo; consumismo; sado-masoquismo; jogos a dinheiro (cavalos lerdos; mulheres  ligeiras; roleta; pife-pafe;  bingo); drogas lícitas ou não;  "donjuanismo" (o vício da  conquista); "winner-loser"  (em tradução livre, o vício do  jogo "fodão-merda", em que  alguém precisa se afirmar como melhor humilhando o outro, por insegurança) etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é vício? É um comportamento compulsivo  (mais forte que você), repetitivo, que vai contra seus interesses mais prezados, que te  autodestrói, que te humilha  aos seus próprios olhos, mas  que dá um prazer imediatista, uma ilusão de grandeza,  uma sedução de que os problemas do mundo se foram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pode ser tão genético  quanto a depressão o é. A depressão é um mecanismo de  defesa contra os horrores do  mundo: se o estresse é grande, o sistema entra em pane e  ficar debaixo das cobertas  pode ser necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí pode entrar o vício como  uma espécie de remédio. De  fato, o alcoolismo é o remédio mais comum contra a depressão. É meio tragicômico,  mas vários pacientes recusam antidepressivos (porque  podem viciar) enquanto aceitam o álcool e a cocaína como remédios "naturais" com  que aliviam suas dores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não os recrimino. Eles viram seus pais caretas tomando Valium e não querem virar  pessoas iguais a eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um tanto trabalhoso convencê-los de que o antidepressivo é uma ferramenta  para que mudem suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque os antidepressivos  são não naturais, são "químicos" diferentes. Naturais  mesmo (atenção, naturebas)  são a depressão e os vícios,  uma dobradinha milenar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou me lembrando de  um amigo clínico que, perguntado por uma cliente com  infecção se ele não tinha algo  mais natural que o antibiótico para tratá-la, respondeu:  -Não há nada menos natural do que um antibiótico,  cuja tradução é contra a vida. Mas é contra a vida do  germe, e a favor da sua. Se a  senhora tem peninha dos germes, procurou o médico errado, mas arque com as consequências de fazer bem a eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;b&gt;FRANCISCO DAUDT&lt;/b&gt;, psicanalista e médico,  é autor de "Onde Foi Que Eu Acertei?",  entre outros livros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-3151958074932180546?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/3151958074932180546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/03/os-genes-do-vicio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3151958074932180546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3151958074932180546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/03/os-genes-do-vicio.html' title='Os genes do vício'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-IA9ykAnpxLU/TXCZn6ubwBI/AAAAAAAABK4/HufQGGbX_HA/s72-c/Rosendo_vicio-703768.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8778307298195622535</id><published>2011-02-24T06:20:00.000-03:00</published><updated>2011-02-24T06:25:39.354-03:00</updated><title type='text'>Disciplina</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-Fz5UkC0zm6g/TWYj64XmxuI/AAAAAAAABKY/hSlA2Y68ROc/s1600/dinheiro1.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Fz5UkC0zm6g/TWYj64XmxuI/AAAAAAAABKY/hSlA2Y68ROc/s200/dinheiro1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577184683015718626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A diferença entre sonhar&lt;br /&gt;e realizar está na ação que empregamos&lt;br /&gt;em direção  ao nosso sonho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;QUAL A DIFERENÇA entre um atleta excepcional e um medíocre? Entre um chef de  cozinha premiado e um simples cozinheiro? Entre um artista admirado e um ator  anônimo?&lt;br /&gt;Entre um sedentário obeso e uma barriga enxuta e bem definida?  Entre uma família próspera e outra com problemas financeiros?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nada de sorte,  genética ou dom. O que diferencia as conquistas dos fracassos é a dedicação, que  pode ser traduzida em disciplina para estabelecer metas e persegui-las.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A  diferença entre sonhar e realizar está na ação que empregamos em direção ao  sonho. Já dizia Peter Drucker que a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto alguns sonham com uma promoção, outros dedicam horas a cursos de  especialização para agregar valor a seu currículo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto alguns sonham em  viajar para o exterior, outros agendam suas férias e mergulham nas pesquisas de  promoções e parcelamentos de agências de viagem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Planejar é muito mais do  que organizar e fazer contas. Envolve questionar detalhes, ver e rever suas  escolhas várias vezes, estudar alternativas, debater dúvidas e soluções, enfim,  focar em seus objetivos e ajustar regularmente suas ações, com base em novos  conhecimentos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse pacote de ações pode ser traduzido como disciplina. Com  ela, ficam mais curtos os caminhos para alcançarmos todos os nossos objetivos  pessoais, sejam eles profissionais e financeiros ou não.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O fato é que  cultivar a disciplina em nossa rotina pessoal e familiar pode trazer grandes  ganhos. Pais disciplinados com a hora das refeições e do banho criam filhos  disciplinados em todas as áreas, da alimentação às finanças pessoais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esses  jovens serão bem menos propensos ao descontrole financeiro e serão mais capazes  de planejar a superação de dificuldades.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por outro lado, filhos de pais  indisciplinados terão maior dificuldade em se planejar, ou aprenderão com o  antiexemplo dos pais, sob algum grau de sofrimento que pode ser evitado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não  se deve confundir, porém, o fomento da disciplina com a anulação da  individualidade e da personalidade. Existem pessoas mais predispostas à  disciplina do que outras.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto o "mão santa" Oscar treinava arremessos  durante horas após o final dos treinos, o tetracampeão Romário insistia em fugir  dos treinos para brincar de bola com amigos. Sua disciplina em ser  indisciplinado criou uma posição única em campo, competente apesar da pouca  técnica.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Porém, é inegável que um aluno estudioso terá mais facilidade em  perscrutar detalhadamente contratos de financiamento na vida adulta, expondo-se  menos ao erro, do que aquele que nunca conseguiu se debruçar com dedicação sobre  textos simples.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso não quer dizer que pessoas indisciplinadas estejam  fadadas ao fracasso ou à pobreza.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com um punhado de criatividade e boas  escolhas, é possível terceirizar nossa disciplina.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para aqueles que não  conseguem se lembrar de pagar as contas ou de investir o valor mensal para a  futura faculdade do filho, existem conveniências como o débito automático ou a  aplicação programada em fundos de investimento.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se você não se dá bem com  contas e pensa que planejar o futuro é um bicho de sete cabeças, uma única  conversa sobre planos de previdência com um corretor de seguros experiente pode  resolver definitivamente seu problema.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outra solução para quem não consegue  concretizar planos devido a sua indisciplina é contar com a disciplina dos  outros.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Está difícil acordar cedo para frequentar a academia? Que tal  convidar um amigo para irem juntos?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma solução interessante para quem quer  investir em ações, mas não consegue acompanhar os fatos do mercado, é criar um  clube de investimento com amigos e discutir as estratégias em animadas mesas  regadas a cerveja.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que não pode servir de desculpa é sua propensão natural  à indisciplina. Um dia você perceberá que essa desculpa lhe custará caro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt; &lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;b&gt;GUSTAVO CERBASI&lt;/b&gt; é autor de "Casais Inteligentes Enriquecem  Juntos" (ed. Gente) e "Mais Tempo, Mais Dinheiro" (Thomas Nelson Brasil).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8778307298195622535?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8778307298195622535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/02/disciplina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8778307298195622535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8778307298195622535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/02/disciplina.html' title='Disciplina'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Fz5UkC0zm6g/TWYj64XmxuI/AAAAAAAABKY/hSlA2Y68ROc/s72-c/dinheiro1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-7025626188438298122</id><published>2011-02-16T11:16:00.002-02:00</published><updated>2011-02-16T11:26:04.557-02:00</updated><title type='text'>Liberdade e revolução</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-au2jiBqNFzk/TVvQHsm9UYI/AAAAAAAABKA/JnhMmaLZb2U/s1600/egito-praca-efe-20110204-700v450.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 128px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-au2jiBqNFzk/TVvQHsm9UYI/AAAAAAAABKA/JnhMmaLZb2U/s200/egito-praca-efe-20110204-700v450.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5574277794453344642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O fato de derrubarmos um governo opressivo&lt;br /&gt;não significa necessariamente&lt;br /&gt;que o próximo será melhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;NADA COMO uma boa revolução para deslumbrar os deslumbrados. Sempre foi assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1789, a França abria um novo capítulo na história do mundo e um jovem  parlamentar francês, Charles-Jean-François Depont (1767-1796), escrevia  ao seu amigo Edmund Burke (1729-1797), o parlamentar irlandês que fora  decisivo na causa independentista dos colonos americanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua missiva, Depont fazia uma pergunta retórica: Burke aprovava a  queda da Bastilha e a nova era de liberdade que prometia banhar a França  e a Europa? A pergunta era retórica porque Depont estava convencido de  que sim: quem, em juízo perfeito, se opõe à "liberdade"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta de Burke está contida em "Reflexões sobre a Revolução em  França" (1790), obra singular na história do pensamento político. E pode  ser resumida numa única palavra: depende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "liberdade", em abstrato, é um valor inestimável, responde Burke. Mas,  na prática, será que somos capazes de festejar a "liberdade" de um  louco que abandona a cela pronto para aterrorizar a vizinhança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A metáfora de Burke é demolidora precisamente porque dinamita a  "política de abstração" dos revolucionários franceses. Contra esses  valores, Burke faz uma apologia do ceticismo e da prudência: o fato de  derrubarmos um governo opressivo não significa necessariamente que o  próximo será melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jornalistas ocidentais que viajaram para o Cairo nunca leram Burke. E  pouco sabem sobre a história das revoluções na era moderna: na França,  Rússia e, claro, no Irã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso iraniano é particularmente importante porque existem semelhanças  de comportamento nos observadores ocidentais: em 1979, o Irã enterrava  uma monarquia opressiva e corrupta e a "intelligentsia", com igual  idealismo, olhava para o exilado Khomeini como "o Gandhi da Pérsia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escusado será dizer que Khomeini não foi o Gandhi da Pérsia, antes, o  patrono de uma teocracia violenta que hoje treina e financia grupos  terroristas como o Hamas, em Gaza, e o Hizbollah, no sul do Líbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significa que o caminho do Egito será o do Irã três décadas atrás?&lt;br /&gt;Ninguém sabe. Ou, como diria Burke, depende. E esse desconhecimento  deveria refrear o entusiasmo infantil que a imprensa e a televisão  despejam sobre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, o Egito não parece ter condições materiais, culturais ou  institucionais para garantir uma democracia liberal, respeitadora dos  direitos individuais e, fato crucial, em que a religião não domine a  vida política e imponha as suas regras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário: o único partido da oposição a Mubarak organizado e  disciplinado -a Irmandade Muçulmana- não garante esse quadro  "democrático" e "liberal". Basta olhar para o Hamas em Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, é importante recordar o básico: não existem democracias sem  democratas. Anne Applebaum, uma especialista na história do comunismo,  escrevia recentemente na "Spectator" que os povos que desejavam a  libertação do regime comunista na Europa do Leste identificavam-se com o  modelo democrático ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler os textos políticos de Václav Havel ou Lech Walesa é encontrar  apologias expressas a uma liberdade tutelada pela lei em que a dignidade  da pessoa humana e a iniciativa individual são respeitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe nenhum Václav Havel ou Lech Walesa no Egito de hoje. E é, no  mínimo, aberrante que os jornalistas e comentadores ocidentais confundam  os milhares de manifestantes da praça Tahir -muitos deles genuínos  democratas- com os 80 milhões de egípcios que estão longe, muito longe,  desse tipo de cosmopolitismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo as pesquisas conhecidas, realizadas pelo conhecido Pew Research  Center, em 2010, a maioria dos egípcios deseja uma maior participação do  Islã na vida política, não olha para a democracia com grande entusiasmo  e até apoia esmagadoramente os preceitos penais mais bárbaros da  sharia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Egito livrou-se de um ditador. Mas é possível e provável que o futuro  seja pior -para o Egito, o Oriente Médio e para nós, ocidentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que, nos delírios românticos dos últimos dias, a única coisa  sensata foi dita pelo vice-presidente Omar Suleiman na sua comunicação  ao país. Disse ele: "Espero que Deus nos ajude".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mais. Só Deus, agora, pode ajudar o Egito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;JOÃO PEREIRA COUTINHO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-7025626188438298122?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/7025626188438298122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/02/liberdade-e-revolucao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7025626188438298122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7025626188438298122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/02/liberdade-e-revolucao.html' title='Liberdade e revolução'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-au2jiBqNFzk/TVvQHsm9UYI/AAAAAAAABKA/JnhMmaLZb2U/s72-c/egito-praca-efe-20110204-700v450.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-3712473502212579120</id><published>2011-02-09T07:46:00.003-02:00</published><updated>2011-02-09T07:57:14.521-02:00</updated><title type='text'>Não é o dinheiro, estúpido</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TVJkqAyNLwI/AAAAAAAABJw/PvTQCF1Y5RU/s1600/jogando-dinheiro-fora.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 180px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TVJkqAyNLwI/AAAAAAAABJw/PvTQCF1Y5RU/s200/jogando-dinheiro-fora.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571626361938587394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado  a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar  jovens em seus primeiros passos  profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos  com os leitores da coluna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre digo que a atitude quente  é muito mais importante do que o  conhecimento frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acumular conhecimento é nobre  e necessário, mas sem atitude, sem  personalidade, você, no fundo, não  será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado  pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pensa só em dinheiro não  consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha.  Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não  passou 16 anos pintando a Capela  Sistina por dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E, geralmente, os que só pensam  nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica  pronto na vida foi antes construído  na alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, lembro-me de um  diálogo extraordinário entre uma  freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário  texano. O milionário, vendo-a tratar  dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no  mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito  pelo contrário. Digo apenas que  pensar e realizar têm trazido mais  fortuna do que pensar em fortuna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu segundo conselho: pense no  seu país. Porque, principalmente  hoje, pensar em todos é a melhor  maneira de pensar em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome  e a minoria morria de medo. Hoje o  país oferece oportunidades a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que  ricos e pobres vão enriquecer juntos  no Brasil. A inclusão é nosso único  caminho.  Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou  seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É preferível o erro à omissão; o  fracasso ao tédio; o escândalo ao  vazio. Porque já li livros e vi filmes  sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a  acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Colabore com seu biógrafo: faça,  erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade  de ter vivido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho consciência de que cada  homem foi feito para fazer história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Que todo homem é um milagre e  traz em si uma evolução. Que é mais  do que sexo ou dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes  e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações  numa mão e uma caixa de possibilidades na outra.  Não dê férias para os seus pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se sente e passe a ser analista  da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu  não disse? Eu sabia!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar  aquele outro tio muito inteligente e  fracassado contar tudo o que faria,  apenas se fizesse alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de  bar, de pessoas que fazem coisas  fantásticas toda sexta à noite, todo  sábado e todo domingo, mas que na  segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem  ansiar, não sabem perder a pose,  não sabem recomeçar. Porque não  sabem trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só o trabalho lhe leva a conhecer  pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja sempre você mesmo, mas  não seja sempre o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei  magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também  carioca, paulista, nova-iorquino, global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas o mundo só vai querer ouvir  você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o  mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;b&gt;NIZAN GUANAES&lt;/b&gt;, publicitário e presidente do Grupo  ABC&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-3712473502212579120?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/3712473502212579120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/02/nao-e-o-dinheiro-estupido.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3712473502212579120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/3712473502212579120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/02/nao-e-o-dinheiro-estupido.html' title='Não é o dinheiro, estúpido'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TVJkqAyNLwI/AAAAAAAABJw/PvTQCF1Y5RU/s72-c/jogando-dinheiro-fora.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-5833942616970958229</id><published>2011-02-04T10:11:00.003-02:00</published><updated>2011-02-04T10:15:23.551-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filmes'/><title type='text'>Todos os reis estão nus</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TUvtur3ekDI/AAAAAAAABJo/Wg4sIgdmzhI/s1600/O-Discurso-do-Rei.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 137px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TUvtur3ekDI/AAAAAAAABJo/Wg4sIgdmzhI/s200/O-Discurso-do-Rei.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569806750478929970" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Que Deus nos guarde de todos&lt;br /&gt;os que não enxergam sua própria nudez, &lt;br /&gt;sejam eles reis ou não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;JÁ ESTÁ em cartaz (pré-estreia) "O  Discurso do Rei", de Tom Hooper. O  filme foi indicado ao Oscar em doze  categorias; a atuação de Colin Firth  (o rei) é tão inesquecível quanto a de  Geoffrey Rush (o terapeuta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumo. Quando George 5º morreu, o filho primogênito lhe sucedeu  (com o nome de Eduardo 8º), mas  por um breve período: logo ele abdicou, por querer uma vida diferente  daquela que o ofício de rei lhe proporcionaria. Com isso, o cadete,  duque de York, tornou-se rei -inesperadamente e num momento decisivo:  era a véspera da Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O duque de York (e futuro George  6º) era tímido, temperamental e, sobretudo, gago -isso numa época em  que, graças ao rádio, a oratória dos  ditadores incendiava as praças do  mundo: na hora do perigo, para que  serve um rei se ele não consegue ser  a voz que fala para o povo e por ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme, imperdível, conta a história (verídica) da relação entre o rei e  seu terapeuta, Lionel Logue, um fonoaudiólogo australiano pouco ortodoxo. Eis algumas reflexões saindo  do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Qualquer terapia começa com  uma dificuldade prática: uma impotência, a necessidade de um conselho,  uma estranha tensão nos ombros, uma gagueira. A relação terapêutica se  constrói a partir dessa dificuldade: o terapeuta é quem saberá nos  livrar do transtorno, seja ele  fonoaudiólogo, terapeuta corporal,  eutonista, psi (de qualquer orientação) etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer queira quer não, a ação do terapeuta é dupla: relaxaremos o ombro,  exercitaremos a dicção ou endireitaremos o pensamento do paciente, mas,  de uma maneira ou de outra,  acabaremos mexendo nas fontes de  um mal-estar mais geral que talvez se  manifeste no transtorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Há, às vezes (mais vezes do que  parece), escondidas no nosso âmago, ambições&lt;br /&gt;envergonhadas ou vergonhosas, que não confessamos  nem a nós mesmos. Quando sua realização se aproxima, só podemos inventar jeitos de fracassar, porque,  no caso, não nos autorizamos a querer o que desejamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, detestamos a voz do  terapeuta que se aventura a nos dizer o que queremos mas não nos permitimos. Essa voz atrevida é a única  aliada de desejos que são nossos,  mas que encontram um adversário  até em nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) No trabalho psicoterapêutico, o  segredo de polichinelo é que, por  mais que suspendamos diplomas  em nossas salas de espera, somos  todos leigos e aventureiros. Não sei  se existem cursos ou estágios que ensinem a ouvir o que Logue ouve e entende do desejo escondido do duque  de York. Certamente não há formações que ensinem a coragem maluca  do terapeuta do rei, seu esforço para  se colocar, sem medo, ao serviço do  que o duque e futuro rei não quer saber sobre si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Pensando bem, Logue (como  Freud) tinha, sim, uma formação que  o qualificava como conhecedor da alma humana e especialmente da dos  reis: a leitura de Shakespeare.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Quase sempre, chega o dia em  que um paciente descobre que seu  terapeuta sabe muito menos do que  ele (o paciente) imaginava. O paciente pode até pensar que o terapeuta,  atrás de seu bricabraque de  saberes práticos, é um impostor. É  ótimo que isso aconteça, pois, geralmente, é sinal de que o paciente  descobriu que ele também é um impostor. No caso, o terapeuta não é  qualificado para ser terapeuta, exatamente como o rei não é qualificado  para ser rei. (Parêntese: em geral, é  assim que nasce uma amizade: os  dois se tornam amigos por aceitarem estar ambos nus, como o rei da  fábula - mesmo que seja só por um  instante.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há como ser terapeuta ou rei  sem alguma impostura. Todos carregamos máscaras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avançamos mascarados,  enfeitados por mentiras  que nos embelezam. Até aqui, tudo  bem: essa impostura é uma condição trivial e necessária da vida social.  Os melhores conhecem sua impostura e sabem que não estão à altura de sua  máscara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os piores se identificam com sua  máscara. Acreditar nas máscaras  que vestimos é um delírio que nos  torna perigosos. Não há diferença  entre o rei que acreditasse ser rei, o  terapeuta que acreditasse ser terapeuta e o anjo exterminador que  saisse atirando e matando, perfeitamente convencido de ser uma figura  do apocalipse. Os três teriam isto em  comum: acreditariam ser a máscara  que eles vestem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, que Deus nos guarde de todos os que não enxergam sua própria nudez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;CONTARDO CALLIGARIS  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-5833942616970958229?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/5833942616970958229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/02/todos-os-reis-estao-nus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5833942616970958229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5833942616970958229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/02/todos-os-reis-estao-nus.html' title='Todos os reis estão nus'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TUvtur3ekDI/AAAAAAAABJo/Wg4sIgdmzhI/s72-c/O-Discurso-do-Rei.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-4682732359777913268</id><published>2011-01-29T11:35:00.000-02:00</published><updated>2011-01-29T11:41:15.183-02:00</updated><title type='text'>O mecanismo da negação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TUQY4EMbIKI/AAAAAAAABJY/E5-rnvRn1Ho/s1600/dali_birth.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 170px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TUQY4EMbIKI/AAAAAAAABJY/E5-rnvRn1Ho/s200/dali_birth.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5567602390814367906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;MINHA CABEÇA entrou em parafuso quando soube, na  quinta-feira, que a casa de  um amigo na região serrana  do Rio havia sido varrida pela  tempestade do dia anterior,  matando uma família a quem  ele a tinha alugado. Imagino, com imensa dor, a dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por acaso eu não sei que os verões trazem enxurradas e, com elas, riscos de morte?&lt;br /&gt;Que grande surpresa é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o rompimento de um importante filtro do cérebro, algo como um "firewall" de  computador, um dos principais mecanismos de defesa que nos permitem viver e funcionar, chamado negação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai de nós se não houvesse a  negação. Quer experimentar? Você vai morrer, não?&lt;br /&gt;Pode ser hoje, por assalto, infarto. Aquela dor na barriga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser câncer. Vai viajar?&lt;br /&gt;Para Paris? Lembra o voo da  Air France? Onde está seu filho? Tem certeza? Ele está dirigindo? Ihh...&lt;br /&gt;E que tal ser velho pobre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus filhos vão interná-lo  num asilo, num depósito de  moribundos, babando numa  cadeira, olhando uma televisão preto e branco, enquanto  ninguém troca o fraldão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pode viver pensando nessas coisas? É aí que entra o antivírus negação. Ele  permite que o cérebro funcione sem travar. "Minha filha  dirige bem, pode voltar às 3h que não vai acontecer nada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O transporte aéreo é o mais seguro, muito mais do que atravessar uma rua."&lt;br /&gt;Ou, como nem poderia  passar pela cabeça do meu  amigo: "Temos esse terreno  há 70 anos e ele nunca foi  área de risco. Por que me preocupar agora?".&lt;br /&gt;Nem poderia, nem passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, sem saber, estava usando um modulador da negação chamado probabilidade.&lt;br /&gt;Não há nada garantido  nessa vida. Eu moro numa vila. Passam helicópteros por  cima. Quem me garante que  um dia desses... Ninguém,  certo? Mas as chances são  pequenas de eu acordar com um aparelho no telhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, se alguém  cruzar a rua fora da faixa  com os olhos vendados, suas  chances de morrer serão altas, mesmo que ele diga que  Santa Caropita o protege e que nada vai acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estará exagerando na  negação e desconsiderando  as probabilidades. Ou seja,  estará prejudicado no software de bom funcionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, o pobre coitado está com algum  parafuso solto ou andou bebendo água que passarinho  não fuma, ou coisas que tais,  capazes de provocar desarranjo no delicado equilíbrio  cerebral: avaliar a realidade  e saber o quanto é necessário  levá-la em conta e o quanto é necessário descartá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;b&gt;FRANCISCO DAUDT&lt;/b&gt;, psicanalista e médico&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-4682732359777913268?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/4682732359777913268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/01/o-mecanismo-da-negacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/4682732359777913268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/4682732359777913268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/01/o-mecanismo-da-negacao.html' title='O mecanismo da negação'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TUQY4EMbIKI/AAAAAAAABJY/E5-rnvRn1Ho/s72-c/dali_birth.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8077893232234487440</id><published>2011-01-23T12:12:00.002-02:00</published><updated>2011-01-23T12:16:41.218-02:00</updated><title type='text'>O aeroporto tá parecendo rodoviária</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TTw4MjA626I/AAAAAAAABJQ/gMjLvNmpaQw/s1600/aeroporto.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 145px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TTw4MjA626I/AAAAAAAABJQ/gMjLvNmpaQw/s200/aeroporto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565385027731774370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Se o Brasil continuar crescendo e distribuindo renda, quem é que vai empacotar nossas compras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;O FUNCIONÁRIO do supermercado  empacota minhas compras. A freguesa se aproxima com sua cesta e  pergunta: "Oi, rapazinho, onde fica  a farinha de mandioca?". "Ali, senhora, corredor 3." "Obrigada."  "Disponha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena seria trivial, não fosse um  pequeno detalhe: o "rapazinho" já  passava dos quarenta. Teria a mulher uma particularíssima disfunção  neurológica, chamada, digamos  etariofasia aguda? Mostra-se a ela  uma imagem do Papai Noel e outra  do Neymar, pergunta-se: "Quem é o  mais velho?", ela hesita, seu indicador vai e vem entre as duas fotos,  como um limpador de para-brisa e... Não consegue responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não me parece que  a mulher sofresse de uma doença  rara. Pelo contrário. A infantilização dos pobres e outros grupos socialmente desvalorizados é recurso  antigo, que funciona naturalizando  a inferioridade de quem está por  baixo e, de quebra, ainda atenua a culpa de quem tá por cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, se fulano é apenas um  "rapazinho", faz sentido que ele nos  sirva, nos obedeça e, em última instância, submeta-se à tutela de seus  senhores, de suas senhoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos EUA, até a metade do século  passado, os brancos chamavam os  negros de "boys". Em resposta, surgiu o "man", com o qual os negros  passaram a tratar-se uns aos outros, para afirmarem sua integridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, na segunda década do século XXI, o expediente persiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz sentido. Em primeiro lugar, porque persiste a desigualdade, mas  também porque todo recurso que  escamoteie os conflitos encontra  por aqui solo fértil; combina com  nosso sonso ufanismo: neste país, todo mundo se ama, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando nisso, enquanto pagava minhas compras, já começando  a ficar com raiva da mulher, imaginei como chamaria o funcionário do  supermercado, se estivesse no lugar  dela. Então, me vi dizendo: "Ei,  "amigo", você sabe onde fica a farinha de mandioca?", e percebi que,  pela via oposta, havia caído na mesma arapuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de reafirmar a diferença,  reduzindo-o ao status de criança,  tentaria anulá-la, promovendo-o ao  patamar da amizade. Mas, como  nunca havíamos nos visto antes, a  máscara cairia, revelando o que eu  tentava ocultar: a distância entre  quem empurra o carrinho e quem empacota as compras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Rapazinho" e "amigo" -ou "chefe", "meu rei", "brother", "queridão"- são dois lados da mesma  moeda: a incapacidade de ver, naquele que me serve, um cidadão, um igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é de se admirar que, nesta  sociedade ainda marcada pela  mentalidade escravocrata, haja  uma onda de preconceito com o  alargamento da classe C, que tornou-se explícito nas manifestações  de ódio aos nordestinos, via Twitter e Facebook, no fim do ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o bordão que melhor exemplifica o susto e o desprezo da classe A pelos pobres, ou ex-pobres que  agora têm dinheiro para frequentar  certos ambientes antes fechados a  eles, é: "Credo, esse aeroporto tá  parecendo uma rodoviária!". De  tão repetido, tem tudo para se tornar o "Você sabe com quem está falando?!" do início do século XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Brasil continuar crescendo e  distribuindo renda, os rapazinhos,  que horror!, ganharão cada vez  mais espaço e a coisa só deve piorar. É preocupante. Nesse ritmo,  num futuro próximo, quem é que vai empacotar nossas compras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;&lt;b&gt;ANTONIO PRATA &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8077893232234487440?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8077893232234487440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/01/o-aeroporto-ta-parecendo-rodoviaria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8077893232234487440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8077893232234487440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/01/o-aeroporto-ta-parecendo-rodoviaria.html' title='O aeroporto tá parecendo rodoviária'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TTw4MjA626I/AAAAAAAABJQ/gMjLvNmpaQw/s72-c/aeroporto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-5158209315271367424</id><published>2011-01-20T21:10:00.001-02:00</published><updated>2011-01-20T21:13:57.931-02:00</updated><title type='text'>Picos de felicidade estão na infância e na velhice</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TTjBlYcmLqI/AAAAAAAABJI/kXPFnEvM3Uo/s1600/j_4091.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TTjBlYcmLqI/AAAAAAAABJI/kXPFnEvM3Uo/s200/j_4091.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564410187577962146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Você tem entre 40 e 50 anos e está se sentindo no fundo do poço. Você, a torcida  do Flamengo, do Corinthians, do Manchester e do Milan. A crise da meia-idade  está nas estatísticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso muita gente já imaginava. Difícil é imaginar que  quanto mais os anos forem passando, mais feliz você será. E que isso também está  estatisticamente provado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os números apareceram quando, no final do século  20, um ramo da economia começou a estudar e a medir quantitativamente a  felicidade, a partir de pesquisas populacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os principais fatores  observados foram gênero (mulheres são, em média, mais felizes), personalidade  (neurótica ou extrovertida), circunstâncias (relacionamentos afetivos, educação,  renda) e idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria lógico concluir que, no último quesito, a felicidade é  uma linha que começa no alto, nos anos dourados da juventude, e entra em queda  contínua na medida em que também caem cabelos, vigor físico, estrógeno e  testosterona, entres outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não foi isso o que as pesquisas mostraram. A  relação entre felicidade e idade é uma curva em "U": começa alta, atinge o ponto  mais baixo na faixa entre 40 e 50 anos e parte para uma linha ascendente na  velhice -agora, chamada de terceira idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geração que passa a ocupar o  lugar de terceira idade tem a expectativa de passar muito anos nessa fase da  vida. Quem não acreditava em ninguém com mais de 30 anos chegou à faixa que vai  dos 46 aos 65.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Uma característica dessa geração é o caráter de inovação e  transgressão. A cada nova etapa da vida (adolescência, vida adulta), essas  pessoas mudaram radicalmente o modelo anterior, e isso deve acontecer na fase do  envelhecimento", diz a psicóloga Luna Rodrigues Freitas Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silva fez sua  tese de mestrado em medicina social, na Uerj (Universidade Estadual do Rio de  Janeiro), sobre a experiência de envelhecer da geração que nasceu entre 1946 e  1964.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Está sendo criado um novo modelo para a velhice, que tem a ver com a  busca de atividades que tragam satisfação", diz ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa busca reflete outra  característica geracional: a ideia de deixar uma marca pessoal. "A terceira  idade pode se apresentar como o momento certo para aprofundar as características  individuais", acredita a psicóloga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo, dinheiro e desobrigação de  constituir família seriam condições ideias para buscar alternativas de  atividades e criar novos laços afetivos, eróticos ou  não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;JUVENTUDE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Silva, querer preservar a juventude para  realizar renovações é positivo, mas a obrigação de permanecer jovem e não  aceitar a transformação do tempo é complicada e traz sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o  maior desafio dessa geração, marcada por ideais de liberdade, seja o de manter a  autonomia para fazer tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O ideal de saúde é mais um entre outros que  a gente compartilha. Só que o discurso da prevenção chegou um pouco tarde para  quem está beirando os 50. Com a obrigação social de ser saudável, corre-se atrás  do prejuízo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;IARA BIDERMAN&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-5158209315271367424?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/5158209315271367424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/01/picos-de-felicidade-estao-na-infancia-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5158209315271367424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5158209315271367424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/01/picos-de-felicidade-estao-na-infancia-e.html' title='Picos de felicidade estão na infância e na velhice'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TTjBlYcmLqI/AAAAAAAABJI/kXPFnEvM3Uo/s72-c/j_4091.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-1936518245516864256</id><published>2011-01-13T13:00:00.000-02:00</published><updated>2011-01-13T13:12:40.040-02:00</updated><title type='text'>O nosso mal-estar amoroso</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TS8V_8Jd9hI/AAAAAAAABG4/i9bBhVHBZDY/s1600/homem-e-mulher.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TS8V_8Jd9hI/AAAAAAAABG4/i9bBhVHBZDY/s200/homem-e-mulher.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5561688253047633426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Faltam homens ou mulheres?&lt;br /&gt;E quem está querendo só pegação:&lt;br /&gt;os homens ou as mulheres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Graças ao  IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio&lt;b&gt;&lt;a href="http://migre.me/1hb92"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;), aprendemos que, em média, no país, há 105 homens solteiros  por cada cem mulheres com o mesmo estado civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, em cada Estado a situação  é diferente. No Distrito Federal há  mais solteiras do que solteiros, no  Rio de Janeiro dá empate e Santa  Catarina é o paraíso das mulheres  (122 solteiros por cada cem solteiras). De qualquer forma, no Brasil  como um todo, é impossível afirmar  que "faltam homens no mercado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Folha de São Paulo  entrevistou algumas mulheres; uma  delas comentou: pouco importa que  haja mais homens do que mulheres,  o problema é que os homens, depois  de um encontro ou dois, dão "um  chá de sumiço". Ou seja, pode haver  muitos homens, mas eles só querem  pegação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um leitor  escreveu à ombudsman do jornal  para protestar: segundo ele, quem  não quer nada sério são as mulheres, que são "fúteis e fáceis", salvo  quando o homem começa "a conversar sobre algo sério", aí ELAS  dão o tal chá de sumiço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, faltam homens ou mulheres? E, sobretudo, números à parte, quem está querendo só pegação:  os homens ou as mulheres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito na queixa dos dois gêneros. Resta entender como é possível  que a maioria tanto dos homens  quanto das mulheres sonhe com relacionamentos fixos e duradouros,  mas encontre quase sempre parceiros que querem apenas brincar por  uma noite ou duas. Se homens e mulheres, em sua maioria, querem namorar firme, como é que eles não se  encontram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá alguém (sempre há) para  culpar nosso "lastimável" hedonismo -assim: todos esperamos "naturalmente" encontrar uma alma  gêmea, mas a carne é fraca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens e mulheres, desistimos  da laboriosa construção de afetos  nobres e duradouros para satisfazer  nossa "vergonhosa" sede de prazeres imediatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ditos prazeres efêmeros nos  frustram, e voltamos de nossas baladas (orgiásticas) lamentando a  falta de afetos profundos e eternos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, esses afetos não podem vingar se passamos nosso tempo nas  baladas, mas os homens preferem dizer que é por culpa das mulheres e as  mulheres, que é por culpa  dos homens: são sempre os outros  que só querem pegação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, não acho que sejamos especialmente hedonistas. E o hedonismo  não é necessário para entender o que acontece hoje entre homens e  mulheres. Tomemos o exemplo de um jovem com quem conversei recentemente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Com toda sinceridade, ele afirma procurar uma mulher com quem  casar-se e constituir uma família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Quando encontra uma mulher  que ele preze, o jovem sofre os piores  tormentos da dúvida: será que ela  gostou de mim? Por que não liga, se  ontem a gente se beijou? Por que ela  leva tanto tempo para responder  uma mensagem?&lt;br /&gt;Essa mistura de espera frustrada  com desilusão é, em muitos casos, a  razão de seu pouco sucesso na procura de um amor, pois, diante das  mulheres que lhe importam, ele ocupa, inevitavelmente, a posição  humorística da insegurança insaciável: "Tudo bem, você gosta de mim,  mas gosta quanto, exatamente?" Se  uma mulher se afasta dele por causa desse comportamento, ele pensa  que a mulher só queria pegação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Quando, apesar dessa dificuldade, ele começa um namoro com  uma mulher de quem ele gostou e  que também gostou dele, muito rapidamente ele "descobre" que, de  fato, essa nova companheira não é  bem a mulher que ele queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Nessa altura, o jovem interrompe a relação, que nem teve tempo de  se transformar num namoro, e a mulher interpreta a ruptura como prova de que ele só queria pegação.&lt;br /&gt;Esse padrão de comportamento  amoroso pode ser masculino ou feminino. Ele é típico da cultura urbana  moderna, em que cada um precisa, desesperadamente, do apreço e  do amor dos outros, mas, ao mesmo  tempo, não quer se entregar para esses outros cujo amor ele implora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, "ficamos" e "pegamos", mas sempre lamentando os  amores assim perdidos, ou seja,  procuramos e testamos ansiosamente o desejo dos outros por nós,  mas sem lhes dar uma chance de pegar (e prender) nossa mão. Esse é o  roteiro padrão de nosso mal-estar  amoroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem gosta de diagnóstico,  é um roteiro que tem mais a ver com  uma histeria sofrida do que com o  hedonismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTARDO CALLIGARIS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-1936518245516864256?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/1936518245516864256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/01/o-nosso-mal-estar-amoroso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/1936518245516864256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/1936518245516864256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2011/01/o-nosso-mal-estar-amoroso.html' title='O nosso mal-estar amoroso'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TS8V_8Jd9hI/AAAAAAAABG4/i9bBhVHBZDY/s72-c/homem-e-mulher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-7671668994500029362</id><published>2010-12-30T17:08:00.002-02:00</published><updated>2010-12-30T17:20:17.584-02:00</updated><title type='text'>A passagem do ano</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TRzbQgRg-VI/AAAAAAAABFo/WKPOiJLRD98/s1600/Feliz-2011-Ano-Novo-57.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 104px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TRzbQgRg-VI/AAAAAAAABFo/WKPOiJLRD98/s200/Feliz-2011-Ano-Novo-57.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5556557116856138066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O último dia do ano  &lt;div class="MsoNormal"&gt;não é o último dia do tempo.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;Outros dias virão&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da  vida.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;Beijarás bocas, rasgarás papéis,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;farás viagens e tantas celebrações&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com  sinfonia e coral,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;os irreparáveis uivos &lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;do lobo, na solidão.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;O último dia do tempo &lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;não é o último dia de tudo.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;Fica sempre uma franja de vida&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;onde se sentam dois homens.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;Um homem e seu contrário,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;uma mulher e seu pé,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;um corpo e sua memória,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;um olhar e seu brilho,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;uma voz e seu eco,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;e quem sabe até se Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;Recebe com simplicidade este presente do acaso.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;Mereceste viver mais um ano.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos  séculos.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;Teu pai morreu, teu avô também.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras expreitam a  morte,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;e de copo na mão&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;esperas amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;O recurso de se embriagar.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;O recurso da dança e do grito, &lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;o recurso da bola colorida,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;o recurso de Kant e da poesia,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;todos eles...e nenhum resolve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;Surge a manhã de um novo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;As coisas estão limpas, ordenadas.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;O corpo gasta renova-se em espuma.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;Todos os sentidos alerta funcionam.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;A boca está comendo vida.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;A boca está entupida de vida.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;A vida escorre da boca,&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt;lambuza as mãos, a calçada.&lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div class="MsoNormal" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;A vida é gorda, oleosa, mortal,  sub-reptícia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Drummond de Andrade&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; (1902-1987)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-7671668994500029362?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/7671668994500029362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/passagem-do-ano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7671668994500029362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7671668994500029362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/passagem-do-ano.html' title='A passagem do ano'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TRzbQgRg-VI/AAAAAAAABFo/WKPOiJLRD98/s72-c/Feliz-2011-Ano-Novo-57.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-5812399541684455782</id><published>2010-12-26T10:00:00.000-02:00</published><updated>2010-12-26T10:01:25.460-02:00</updated><title type='text'>Liberalismo e religião</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TRcuba9PknI/AAAAAAAABFI/Hs4lsSmcoL4/s1600/m%25C3%25A3os.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 108px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TRcuba9PknI/AAAAAAAABFI/Hs4lsSmcoL4/s200/m%25C3%25A3os.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5554959714012336754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A quem pode interessar o conservadorismo&lt;br /&gt;senão à plutocracia americana,&lt;br /&gt;às corporações e bilionários?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;NO INTERESSANTE artigo "Patologias do indivíduo" ,  Vladimir Safatle afirma que "a vida  contemporânea demonstrou que individualismo e religiosidade, liberalismo  e restrições religiosas dogmáticas, longe de serem antagônicos,  transformaram-se nos dois polos  complementares e paradoxais do  mesmo movimento pendular".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se, para ele, do movimento pendular do  pensamento conservador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro momento, a vitória  do Partido Republicano nas recentes eleições americanas -que  provavelmente até ocasionou o seu artigo- parece dar-lhe razão. Ocorre  porém que, justamente nos Estados  Unidos, o "pensamento conservador" se define em oposição ao "pensamento  liberal", de modo que a vitória dos republicanos sobre os democratas foi  tomada por todos como uma vitória dos conservadores  CONTRA os liberais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que diferencia o conservadorismo americano do europeu é que os  Estados Unidos não tiveram uma  aristocracia. Principalmente depois  da Revolução Francesa, o conservadorismo europeu, nostálgico do  "ancien régime", definia-se contra  a Ilustração, a secularização, o liberalismo e o individualismo, que considerava alienantes, e exaltava os  valores da comunidade, da autoridade, da hierarquia e do sagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Estados Unidos, porém, já surgiram com a afirmação tanto da separação  entre o Estado e a religião  quanto das liberdades individuais.  A divergência entre conservadores  e liberais americanos se dá principalmente no sentido e no alcance  que cada um deles atribui a cada  um desses pontos. O primeiro é um  ponto fundamental para os liberais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos conservadores, basta  lembrar a recente demonstração de  ignorância da candidata republicana ao Senado pelo Estado de Delaware,  Cristine O'Donnell, que reconheceu publicamente desconhecer  que a separação entre o Estado e a  religião se encontra estabelecida na  famosíssima primeira emenda da  Constituição dos EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às liberdades individuais, os liberais tendem, cada vez  mais, a entendê-las no sentido mais  amplo e universal possível, considerando que compete à sociedade,  por meio do aparelho de Estado, garantir que, em princípio, todos os  cidadãos tenham a oportunidade de  exercê-las plenamente, oferecendo-lhes, para tanto, as condições  necessárias de saúde pública, educação, renda mínima etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o famoso  economista liberal Paul Krugman recentemente declarou, o termo "liberal"  nos Estados Unidos  significa mais ou menos o mesmo  que "social-democrata" significa  na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já os conservadores americanos,  opondo-se à interpretação ampla  das liberdades individuais, tentam  reduzi-las basicamente à garantia  do "laissez-faire", isto é, da ausência ou da minimização da intervenção  do Estado na sociedade e na  economia. Para eles, qualquer interpretação mais ampla das liberdades  individuais é suspeita, e "social-democracia" é sinônimo de  "comunismo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem pode interessar diretamente tal conservadorismo,  senão à plutocracia americana, aos grandes bancos, corporações e  bilionários? Pode-se facilmente entender como é que, contra  qualquer mudança, esses conservadores deem graças a Deus pela  sobrevivência e expansão da religião  e de pretensos "valores genuinamente americanos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estranho é que os republicanos  tenham sido capazes de seduzir para esse conservadorismo grande  parte da população interiorana e  branca norte-americana, composta, em grande parte, de subempregados,  desempregados e ameaçados de desemprego, exatamente em  consequência da política republicana de "laissez-faire" para os grandes  monopólios também na agricultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, os membros do  Tea Party preferem explicar de outra maneira os seus problemas.&lt;br /&gt;Dado que foi a partir dos anos  1960 que tiveram início não somente as mais importantes ampliações  dos direitos -das liberdades- dos  negros, das minorias em geral, das  mulheres etc., mas também o declínio econômico dessa população,  consideram que este declínio foi  causado pela ampliação daqueles  direitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, tendo os anos 1950  como uma época áurea, culpam o liberalismo cosmopolita por tê-la  destruído, ao minar os seus "valores genuinamente americanos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, é preciso reconhecer que a relação entre o liberalismo  e a religião é um tanto mais complexa do que a que Safatle esboçou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANTONIO CICERO&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-5812399541684455782?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/5812399541684455782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/liberalismo-e-religiao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5812399541684455782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/5812399541684455782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/liberalismo-e-religiao.html' title='Liberalismo e religião'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TRcuba9PknI/AAAAAAAABFI/Hs4lsSmcoL4/s72-c/m%25C3%25A3os.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8930109612794094758</id><published>2010-12-22T20:40:00.000-02:00</published><updated>2010-12-22T20:43:50.065-02:00</updated><title type='text'>Basta tirar os sapatos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TRJ-vSUJDdI/AAAAAAAABE0/PD8hQqyWMwY/s1600/van-gogh-shoes.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 161px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TRJ-vSUJDdI/AAAAAAAABE0/PD8hQqyWMwY/s200/van-gogh-shoes.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553640641336511954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ficar descalço chama a atenção&lt;br /&gt;para furos nas nossas meias.&lt;br /&gt;Mas a vulnerabilidade nos humaniza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;"GENTE INTERESSANTE" não é um clube exclusivo.&lt;br /&gt;Qualquer um pode entrar, porque todos são interessantes para alguém. O  grau de interesse depende do que a pessoa revela de si, e não do quanto  ela mostra. Não precisa fazer um striptease. Basta  tirar os sapatos e esperar os resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, tirar os sapatos traz riscos: chama a atenção para os buracos nas nossas meias.&lt;br /&gt;Mas ser vulnerável humaniza  e pode convencer o outro a  também tirar os sapatos. A  maioria precisa de um empurrãozinho para fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas festas, uso álcool. Nas  minhas crônicas, tiro bem  mais do que os sapatos, porque o público está distante e normalmente é simpático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, aos leitores já revelei minha transa com uma  prostituta, a vez que botei no  jornal um classificado amoroso, minhas dificuldades de  lidar com a adolescência dos  meus enteados, meu derrame  e alguns dos meus defeitos  (mas não os piores). Eu já escrevi até sobre meu pelo corporal. Mas, mesmo assim, eu  nunca tiro tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas essas confissões  têm o propósito de provocar  alguma reação: risos, lágrimas, raiva ou reflexão. Enfim, comover aqueles que  conseguem se identificar comigo e se sentir menos alienados, menos solitários. Às  vezes, essa cumplicidade se  confirma em um e-mail que  diz: "Sua crônica expressou  algo que sempre senti e queria dizer, mas nunca consegui"."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco tempo, eu contei  a um amigo que, durante  uma viagem recente à minha  cidade natal, visitei, pela primeira vez, o túmulo da minha  mãe, que morreu quando eu  tinha dez anos. E quando vi a  lápide me emocionei tanto  que a abracei como se fosse  seu corpo. Daí ele me contou  que há dois anos, no Peru, ele  visitou a montanha onde  ocorreu o acidente aéreo que  matou seus pais quando ele  tinha 13 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando viu  uma cruz enorme fincada no  lugar do desastre, ele se debruçou no solo diante dela e  abriu os braços para dar nos  seus pais o mesmo abraço  simbólico que dei em minha  mãe. Foi uma das raras vezes que ele se abriu comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tirou os sapatos porque eu tirei também. E quando duas pessoas começam a se  expor, ambas ficam mais interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pessoa pode ser interessante antes de abrir a boca. Pode ser também que ela  nunca tire os sapatos e só revele que prefere se esconder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem não corre o risco  de se expor também paga um  preço. Afinal, uma pérola só  tem valor fora da ostra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;b&gt;MICHAEL KEPP&lt;/b&gt;,&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8930109612794094758?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8930109612794094758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/basta-tirar-os-sapatos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8930109612794094758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8930109612794094758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/basta-tirar-os-sapatos.html' title='Basta tirar os sapatos'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TRJ-vSUJDdI/AAAAAAAABE0/PD8hQqyWMwY/s72-c/van-gogh-shoes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8489467190768935679</id><published>2010-12-17T15:50:00.002-02:00</published><updated>2010-12-17T16:02:56.217-02:00</updated><title type='text'>Falta sexo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TQulmFhxCMI/AAAAAAAABEk/UvubPnIAjjE/s1600/prof_escola.gif"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 174px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TQulmFhxCMI/AAAAAAAABEk/UvubPnIAjjE/s200/prof_escola.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551713039401683138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A escola deve tratar&lt;br /&gt;o tema do sexo para  garantir aos jovens&lt;br /&gt;um desenvolvimento  sexual saudável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;A MÃE de um adolescente me  contou que o maior interesse  dele atualmente é tudo o que  envolve a sexualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele só pensa naquilo, brincou ela. Por isso, essa mãe  tem uma pergunta: ela quer  saber por que razão a escola  não trabalha esse tema de  maneira séria com os alunos  dessa idade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela ainda disse mais: até  o dia em que falou comigo,  próximo ao 1º de dezembro,  quando se celebra o Dia Mundial da Luta contra a Aids,  ninguém na escola havia dito  nada a esse respeito, segundo  lhe informou o filho. E o garoto frequenta o primeiro ano  do ensino médio de uma escola particular muito bem  conceituada na cidade de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa sempre é uma boa  conversa já que, de fato, a escola não tem mesmo tratado  o tema da sexualidade, embora ele esteja previsto nos  Parâmetros Curriculares Nacionais como um tema transversal que a escola deve e  precisa trabalhar de modo planejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos que as doenças  sexualmente transmissíveis e  a Aids estão presentes na vida dos jovens de maneira  bem perigosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Estado de São Paulo,  por exemplo, 36,1 % dos casos notificados de DST concentram-se na faixa de idade  de 13 a 24 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudos realizados em diversos países apontam que a  maioria dos portadores jovens do vírus HIV contraiu a  infecção na adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário um trabalho  sistemático e sério de educação sexual, para garantir aos  jovens o direito que eles têm  de um desenvolvimento sexual saudável. Com tantas informações que apontam essa  necessidade, a pergunta que  fica é: por que a escola não  tem cumprido sua parte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos algumas pistas e a  primeira delas é, certamente,  a falta de formação da parte  dos educadores formais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos deles, inclusive, preocupam-se com o tema e até o  abordam com seus alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que, quando  fazem isso, estão sozinhos e  por isso cometem atos desastrosos -como por exemplo  passar seus valores pessoais  e religiosos aos alunos, dar  conselhos, julgar e até incentivar diretamente o que consideram atos  preventivos, como a abstenção sexual ou uso de preservativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se as escolas dessem  formação a seus docentes isso não ocorreria. Muitas delas formam seus professores  para assuntos do conhecimento dos mais diversos tipos, oferecem capacitação  para novas metodologias e  teorias etc. Mas o tema da sexualidade, poucas priorizam  nessa formação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo ponto que atrapalha a escola é a interferência dos pais. Algumas até  mesmo afirmam que não têm  um programa de educação  sexual para os seus alunos  porque os pais deles não  aceitam isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não cabe aos pais essa interferência na escola, e esta  não deveria se submeter a tal  tipo de intromissão, já que os  mais novos têm direitos que  precisam ser assegurados,  independentemente de o que  os pais deles pensam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe aos pais, isso sim,  avaliar se o trabalho realizado é condizente com a idade  dos alunos e se há fundamentação consistente para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jovens, hoje, carecem  de liberdade, notadamente  em relação à sexualidade.&lt;br /&gt;Eles são levados a acreditar  que praticar o sexo é ser livre  e que fazem isso por escolha  própria. Não fazem: são praticamente levados a isso pela  hiperestimulação erótica de nossa sociedade.&lt;br /&gt;Pois seria na escola que  eles teriam a oportunidade  de construir um pensamento  crítico a esse respeito de modo a poder, de verdade, ter  escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim: qual a diferença entre sexo e sexualidade?&lt;br /&gt;A escola, principalmente,  deveria saber fazer essa diferença para então, com profissionalismo, planejar um trabalho de educação sexual  com seus alunos e, dessa maneira, contribuir com o desenvolvimento pessoal e social dos mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;b&gt;ROSELY SAYÃO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8489467190768935679?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8489467190768935679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/falta-sexo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8489467190768935679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8489467190768935679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/falta-sexo.html' title='Falta sexo'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TQulmFhxCMI/AAAAAAAABEk/UvubPnIAjjE/s72-c/prof_escola.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-1124852420382981973</id><published>2010-12-13T21:30:00.000-02:00</published><updated>2010-12-13T21:35:39.192-02:00</updated><title type='text'>QUEM QUER BRINCAR DE ESCOLHINHA?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TQatg_T5lGI/AAAAAAAABEc/KfrCAifapOw/s1600/pulando%2Bcorda.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 123px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TQatg_T5lGI/AAAAAAAABEc/KfrCAifapOw/s200/pulando%2Bcorda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550314373043033186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="font-style: italic;"&gt;Brincadeira deixou de ser popular&lt;br /&gt;porque a escola tem exercido ema função  hoje desnecessária&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DURANTE MUITO tempo as crianças, principalmente as  pequenas, gostavam muito de brincar de escolinha. Você mesmo, caro leitor, deve  se lembrar de ter participado desse tipo de brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante era  observar a imagem social que a escola tinha e que se manifestava no ato lúdico  das crianças: em geral, o papel de professora -sim, a educação formal é do  gênero feminino- era ocupado de modo bem firme, exigente e até severo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  criança nesse papel impunha a seus pares que ocupavam o papel de aluno uma  disciplina rigorosa, um esforço enorme para fazer a lição corretamente e até  aplicava castigos. O mais curioso dessa situação é que a maior parte dessas  crianças nunca havia frequentado escola anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significa que,  mesmo que não correspondesse à realidade, essa era a ideia que as crianças  faziam de escola. E por que essa brincadeira era tão popular? Porque as crianças  tinham vontade de ir para a escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças de hoje não brincam mais de  escolinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, testemunhei uma situação que comprova isso de modo  peculiar. Um grupo de crianças com mais ou menos quatro anos estava em busca de  uma brincadeira quando um adulto propôs a escolinha. Uma garota respondeu de  imediato que isso seria muito chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais as brincadeiras preferidas pelas  crianças pequenas hoje? Elas gostam de brincar de escritório, de banco, de  shopping!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pensamento apressado pode ser o de que a escola não é divertida,  por isso tem sido recusada pelas crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando melhor, pode ser porque a  escola tem exercido, de modo geral, uma função hoje desnecessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde se  pode aprender hoje conteúdos que só na escola se aprendia antes? Em qualquer  lugar, não precisa mais ser na escola, não é verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprende-se, por  exemplo, em revistas, na internet, em jornais, na televisão etc.&lt;br /&gt;Talvez por  isso a escola seja considerada chata pelas crianças: porque ela não encontrou  ainda sua nova função na atualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta época do ano, muitos pais estão em  busca de uma boa escola para seus filhos. Alguns se orientam pelos rankings  escolares, outros pelo espaço físico disponível, outros ainda pelas atividades  oferecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São poucos os pais que perguntam se a escola ensina a criança a  ocupar o papel de aluno, principalmente nos primeiros anos do ensino  fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nesse período que a criança precisa aprender na escola a se  esforçar para aprender, a repetir suas lições até dar o melhor de si, a saber  ter postura física que facilite seu aprendizado, a ter disciplina para o  trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era exatamente isso o que as antigas brincadeiras de escola  evidenciavam: exigência, rigor, disciplina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vale lembrar que a escola não  pode apenas esperar que seus alunos cheguem lá já sabendo como fazer ou  simplesmente cobrar ou reclamar. Não: como não há mais uma imagem social comum  de escola, é a própria que precisa ensinar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheço pais que reclamam na  escola quando seus filhos dizem que a professora exige demais ou é brava. Quando  essa é a imagem da professora mas a criança aprende, está tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A função  do professor não é ser legal, bonzinho ou camarada: é ensinar. E professores  rabugentos também ensinam muito bem. Aliás, aprender a se relacionar com vários  tipos de adultos é uma grande lição de vida para as crianças, que não precisam  nem devem ser poupadas de situações difíceis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se conseguirmos reconstruir a  imagem social da escola atualizando sua função, quem sabe as crianças poderão  voltar a ter vontade de brincar de escolinha, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt; &lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;b&gt;ROSELY SAYÃO&lt;/b&gt; é psicóloga&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-1124852420382981973?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/1124852420382981973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/quem-quer-brincar-de-escolhinha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/1124852420382981973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/1124852420382981973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/quem-quer-brincar-de-escolhinha.html' title='QUEM QUER BRINCAR DE ESCOLHINHA?'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TQatg_T5lGI/AAAAAAAABEc/KfrCAifapOw/s72-c/pulando%2Bcorda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-2692122346033431597</id><published>2010-12-01T11:21:00.002-02:00</published><updated>2010-12-01T11:28:06.518-02:00</updated><title type='text'>Nem marido, nem namorado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TPZNRKb8ZAI/AAAAAAAABEM/nehN-iYDfHo/s1600/caneca%2Bprof%2Bmarido_namorado.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 165px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TPZNRKb8ZAI/AAAAAAAABEM/nehN-iYDfHo/s200/caneca%2Bprof%2Bmarido_namorado.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545704948408017922" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="font-style: italic;"&gt;Apesar de tantas mudanças,&lt;br /&gt;ainda faltam bons nomes&lt;br /&gt;para definir os novos  formatos&lt;br /&gt;de relacionamento amoroso &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;MUITAS mulheres dizem que não  sabem como definir o homem com quem estão tendo uma relação afetiva e  sexual.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Algumas moram junto, mas não são casadas legalmente. Outras moram  sozinhas, mas têm um compromisso estável. Outras ainda moram no mesmo  apartamento, mas cada um tem seu quarto, banheiro, computador, telefone,  televisão etc.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Elas dizem que não gostam de chamá-los de "marido", porque  indicaria um nível de compromisso que não assumiram. Acham a palavra "namorado"  pior ainda, consideram esquisito dizer que estão namorando depois de certa  idade. "Namorido" (mistura de namorado e marido) dizem, é ridículo, apesar de o  termo estar na moda em alguns meios.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma psicóloga de 47 anos diz: "Estou com  uma pessoa há mais de dez anos. Eu acho estranho dizer que é meu "marido",  porque não moramos juntos. "Namorado" é coisa para adolescente. "Companheiro"  parece que sou do Partido Comunista. "Parceiro" parece que ele é meu sócio num  negócio. Ele diz para todo mundo: esta é a minha mulher. Adoraria fazer como ele  e dizer, apenas, 'este é o meu homem'".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Apesar de décadas de mudanças nas  relações de gênero, nas famílias e nos casamentos, não foi inventado um bom nome  para definir os homens e as mulheres que vivem novas conjugalidades.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O fato  de não existir um nome indica que essas relações não são plenamente reconhecidas  socialmente. Daí a necessidade de homens e mulheres usarem velhas definições,  talvez como forma de tornar os novos arranjos conjugais mais legítimos,  reconhecidos ou seguros.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Trata-se de um problema de classificação. Não  conseguimos nomear adequadamente novas formas de compromisso amoroso sem  recorrer a categorias anacrônicas, que estão muito longe de serem  adequadas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma antropóloga de 50 anos diz que o Facebook está mais antenado  com os relacionamentos atuais. "Lá tem como opções: solteira, em um  relacionamento sério, em um noivado, casada, em um relacionamento enrolado,  amizade colorida, viúva, separada, divorciada. Eu me classifico como tendo um  relacionamento sério. Mas na vida real como posso apresentá-lo aos meus amigos?  Este é fulano, o meu relacionamento sério?"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Caros leitores e leitoras, alguma  sugestão? Enviem suas ideias para o meu e-mail e, quem sabe, conseguimos  descobrir uma definição mais satisfatória para as novas formas de conjugalidade.  Mas, por favor, nada de namorido!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt; &lt;span style="font-size:-1;"&gt;&lt;b&gt;MIRIAN GOLDENBERG&lt;/b&gt;, antropóloga &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-2692122346033431597?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/2692122346033431597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/nem-marido-nem-namorado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2692122346033431597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2692122346033431597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/12/nem-marido-nem-namorado.html' title='Nem marido, nem namorado'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TPZNRKb8ZAI/AAAAAAAABEM/nehN-iYDfHo/s72-c/caneca%2Bprof%2Bmarido_namorado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8144872163783027452</id><published>2010-11-27T16:52:00.002-02:00</published><updated>2010-11-27T16:57:25.986-02:00</updated><title type='text'>Tristeza não tem fim, felicidade sim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TPFUFkgIPII/AAAAAAAABEA/vqm220WSWHQ/s1600/felicidade2.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 149px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TPFUFkgIPII/AAAAAAAABEA/vqm220WSWHQ/s200/felicidade2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5544305070944304258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; 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 &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas tem a vida breve&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Precisa que haja vento sem parar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A felicidade é como a gota&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;De orvalho numa pétala de flor&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Brilha tranqüila&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;depois de leve oscila&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E cai como uma lágrima de amor&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;HOMENS E LOBOS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;EXISTEM MOMENTOS em que fico horas a olhar para o meu gato. Com inveja, sempre com inveja. Só Deus sabe o que existe na cabeça de um felino.Mas acompanho as rotinas dele e sei, filosoficamente falando, que ele é feliz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;Nós, humanos, seres temporais por excelência, vivemos aprisionados à ideia do nosso próprio fim. E, como se não bastasse essa terrível condenação, somos também incapazes de habitar cada momento inteiramente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;O presente, em nós, está sempre carregado de passado e de futuro: do que fomos, das memórias que temos, do caminho e das escolhas que fizemos; e daquilo que gostaríamos de ser, ou ter, ou fazer. O presente, para nós, não é um lugar para estar. É uma breve passagem a caminho de outra breve passagem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;Sempre e sempre e sempre até a despedida final. Por isso, aconselho: se quiserem entender a natureza da felicidade, comprem um gato. E acompanhem a forma como ele cumpre as suas rotinas com entrega contida e total.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;Ele não espera nada, ele não deseja nada. A felicidade, para ele, não existe por adição: de objetos, experiências, lugares. Mas por repetição: ele repete as experiências que são significativas. E, em cada repetição, existe a certeza da mesma felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;A modernidade ofereceu-se aos Homens como projeto de construção secular. Por meio da Razão, seria possível conquistar a "sorte" que tanto afligia os gregos e realizar na Terra o que a cristandade medieval apenas prometia para o Reino dos Céus. A felicidade seria uma construção individual e progressiva rumo a um fim determinado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;Paradoxalmente, essa ideia libertadora apenas trouxe o seu reverso: se a felicidade era responsabilidade nossa, a infelicidade também. E, adicionalmente, se a felicidade era convertida em projeto, ela seria igualmente convertida em insatisfação interminável: jamais estaremos onde queremos estar; jamais seremos o que queremos ser; jamais teremos o que queremos ter.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;A felicidade moderna converteu-se numa vigília permanente: a vigília de Homens insatisfeitos; de Homens esmagados pelos seus próprios ideais de felicidade e perfeição.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;Vivemos mergulhados no tempo e nas nossas próprias teleologias pessoais. E a forma como desejamos sempre momentos que são posteriores ao momento presente impede-nos de viver qualquer momento de forma real e total.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;A infelicidade humana não nasce da nossa ignorância ou da nossa imperfeição. Muito menos da ignorância ou da imperfeição das nossas sociedades. A infelicidade humana é um produto da nossa específica temporalidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;Resta uma questão final: serão os Homens superiores aos animais? Depende do que entendemos por "superioridade".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;Sim, um lobo jamais pintaria o teto da Capela Sistina. Mas será a Capela Sistina uma necessidade para um lobo? Ou, pelo contrário, será antes uma necessidade para nós? Uma forma de completarmos a parte que nos falta das várias partes que nos faltam?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;JOÃO PEREIRA COUTINHO&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;/span&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;“Para mim, o perdedor é aquele que não conseguiu viver sua vida com toda a intensidade que ela merece.O que não tem nada a ver com felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;O projeto de sermos felizes é profundamente errado, concebido para nos manter na insatisfação, o que é absolutamente necessário na sociedade de consumo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;O ganhador é quem teve uma alta qualidade de experiência, seja qual for, que tenha sido intensamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;A felicidade, eu sou contra.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;CONTARDO CALLIGARIS&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;“As pessoas felizes jamais deram qualquer contribuição para o desenvolvimento da cultura.Aliás, seria bobagem se elas tentassem dar contribuição, porque, se elas estão felizes, tratem de gozar sua felicidade!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;Mas a contribuição vem de alguma forma daquelas pessoas que sofreram.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;As obras de arte, a 9ª sinfonia de Betowen: se você imaginar que Betowen estava completamente surdo e ele, da sua surdez faz aquela obra fantástica, que a letra do coral é “alegria, oh alegria!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;RUBEM ALVES&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7.5pt;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8144872163783027452?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8144872163783027452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/tristeza-nao-tem-fim-felicidade-sim.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8144872163783027452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8144872163783027452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/tristeza-nao-tem-fim-felicidade-sim.html' title='Tristeza não tem fim, felicidade sim'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TPFUFkgIPII/AAAAAAAABEA/vqm220WSWHQ/s72-c/felicidade2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-2638304594526074910</id><published>2010-11-24T11:09:00.002-02:00</published><updated>2010-11-24T11:14:29.924-02:00</updated><title type='text'>Ataques e justificativas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TO0PoCNzYII/AAAAAAAABD4/lSm3sAX3blE/s1600/violencia.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 190px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TO0PoCNzYII/AAAAAAAABD4/lSm3sAX3blE/s200/violencia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5543103896826896514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="font-style: italic;"&gt;As relações estão coisificadas. Não é qualquer um que é visto como ser humano&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; FOMOS INFORMADOS de  que cinco jovens de classe  média, com comportamento  violento, atacaram outros  três na avenida Paulista, em  São Paulo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O fato logo foi seguido por  comentários e explicações  por parte de pessoas próximas às envolvidas: justificativas que tentavam amenizar a  situação. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O acontecimento foi associado à homofobia, e essa relação está sob investigação.  Mas, vejamos as declarações  de pais de alguns dos agressores. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um afirmou a um jornal  que tudo não passou de "uma  grande confusão" e foi além:  disse que não se tratava de  um ato homofóbico, e sim de  uma briga comum. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ah, bom! Se não há homofobia no meio, tudo fica menos sério, não é?  Outro pai chamou os jovens agredidos de "supostas  vítimas" e não aceita o fato  de a versão deles ter sido  apresentada à polícia sem a  presença dos advogados dos  que praticaram a agressão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro reconhece que o filho  tem "pavio curto" e afirma  que, por isso, o jovem teria  reagido com briga a uma  "cantada" um pouco agressiva da parte dos jovens que foram atacados. Ah, bom, se foi reação, não  foi tão grave assim.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A mãe de um deles afirmou  que os encontrou chorando  (eles estão, no momento em  que escrevo este texto, recolhidos) e os chamou de  "crianças". Ela disse também  que não sente vergonha, mas  que está sensibilizada com o  fato de os outros jovens estarem machucados.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um pai declarou a mesma  coisa: que os garotos "estavam chorando" quando os  viu. Ah, bom, se os agressores  estão sofrendo, devemos nos  preocupar com eles.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já temos o suficiente para  refletir a respeito desse fato  que nos remete a outros semelhantes já noticiados.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que a educação que praticamos em casa e nas escolas tem a ver com isso? Como  o comportamento no mundo  adulto estimula acontecimentos desse tipo?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Educar tem sido cada vez  mais difícil. Você deve ter  considerado, caro leitor, como muitas pessoas e eu, que o  avanço do conhecimento e  das tecnologias facilitariam o  processo educativo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Engano nosso: a cada dia,  novos dispositivos, ideias e  valores são incorporados à vida dos mais novos -e isso  exige novas atitudes educativas de nossa parte.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Educar na atualidade exige um conhecimento crítico e  uma compreensão do mundo  e da realidade para que os  atos educativos possam conter, pelo menos em sua intenção, possibilidades de mudanças para os mais novos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O ocorrido aponta, entre  outras coisas, que as relações  com os outros estão "coisificadas", desumanizadas. Não  é qualquer outro que é visto  como ser humano. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os que não são reconhecidos como parte do grupo ao  qual a pessoa pertence, em  geral bem pequeno, são vistos como estorvo, fonte de  problemas e geradores de insegurança e, logo, de desconfiança. Isso  impede a solidariedade, a colaboração e estimula a xenofobia.  Índios, empregadas domésticas, prostitutas e homossexuais já foram  tratados  por jovens como "coisas" e  não como seres humanos, em  um passado recente. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto as escolas se  preocuparem com a competição nos diversos "rankings"  publicados, enquanto as famílias se preocuparem apenas com o futuro  pessoal de  seus filhos, e enquanto ambas as instituições não apostarem na  recuperação da vida coletiva e social, nossos filhos terão poucas  chances de  uma existência digna. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em tempo: mesmo que seu  filho frequente uma escola  privada renomada e conceituada, você não tem motivos  para ficar tranquilo. Lá dentro também ocorrem exclusões, humilhações, enfrentamentos, furtos e abusos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;b&gt;ROSELY SAYÃO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-2638304594526074910?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/2638304594526074910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/ataques-e-justificativas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2638304594526074910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2638304594526074910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/ataques-e-justificativas.html' title='Ataques e justificativas'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TO0PoCNzYII/AAAAAAAABD4/lSm3sAX3blE/s72-c/violencia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-7970388160696405052</id><published>2010-11-19T05:40:00.002-02:00</published><updated>2010-11-19T05:45:12.673-02:00</updated><title type='text'>Felicidade e alegria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TOYqtvQGvxI/AAAAAAAABDw/ZXu4Dvs1pjY/s1600/alegria.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TOYqtvQGvxI/AAAAAAAABDw/ZXu4Dvs1pjY/s200/alegria.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541163356792471314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;Ser alegre (muito melhor do que ser feliz)&lt;br /&gt;é gostar de viver mesmo&lt;br /&gt;quando a vida nos castiga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;QUANDO EU era criança ou adolescente, pensava que a felicidade só  chegaria quando eu fosse adulto, ou  seja, autônomo, respeitado e reconhecido pelos outros como dono exclusivo do meu nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariando essa minha previsão, alguns adultos me diziam que  eu precisava aproveitar bastante  minha infância ou adolescência para ser feliz, pois, uma vez chegado à  idade adulta, eu constataria que a  vida era feita de obrigações, renúncias, decepções e duro labor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sorte, 1) meus pais nunca disseram nada disso; eles deixaram a  tarefa de articular essas inanidades  a amigos, parentes ou pedagogos  desavisados; 2) graças a esse silêncio dos meus pais, pude decretar o  seguinte: os adultos que afirmavam  que a infância era o único tempo feliz da vida deviam ser, fundamentalmente, hipócritas; 3) com isso, evitei  uma depressão profunda pois, uma  vez que a infância e a adolescência,  que eu estava vivendo, não eram paraíso algum (nunca são), qual esperança me sobraria se eu acreditasse  que a vida adulta seria fundamentalmente uma decepção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei à conclusão de que, ao  longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: 1) quando a gente é  criança ou adolescente, a felicidade  é algo que será possível no futuro, na  idade adulta; 2) quando a gente é  adulto, a felicidade é algo que já se  foi: a lembrança idealizada (e falsa)  da infância e da adolescência como  épocas felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, a felicidade é uma quimera que seria sempre própria de  uma outra época da vida -que ainda não chegou ou que já passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No filme de Arnaldo Jabor, "A Suprema Felicidade", que está em cartaz  atualmente, o avô (extraordinário Marco Nanini) confia ao neto  que a felicidade não existe e acrescenta que, na vida, é possível, no  máximo, ser alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, concordo com o avô do filme. E há mais: para aproveitar a vida, o que importa é a alegria, muito  mais do que a felicidade. Então, o  que é a alegria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser alegre não significa necessariamente ser brincalhão. Nada contra ter a piada pronta, mas a alegria  é muito mais do que isso: ser alegre  é gostar de viver mesmo quando as  coisas não dão certo ou quando a vida nos castiga. É possível, aliás, ser  alegre até na tristeza ou no luto, da  mesma forma que, uma vez que somos obrigados a sentar à mesa  diante de pratos que não são nossos  preferidos ou dos quais não gostamos, é melhor saboreá-los do que  tragá-los com pressa e sem mastigar. Melhor, digo, porque a riqueza  da experiência compensa seu caráter eventualmente penoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa alegria, de longe preferível à  felicidade, é reconhecível sobretudo  no exercício da memória, quando  olhamos para trás e narramos nossa vida para quem quiser ouvir ou  para nós mesmos. Alguém perguntará: é reconhecível como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, para quem consegue ser  alegre, a lembrança do passado  sempre tem um encanto que justifica a vida. Tento explicar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que nossa vida se justifique,  não é preciso narrar o passado de  forma que ele dê sentido à existência. Não é preciso que cada evento  da vida prepare o seguinte. Tampouco é preciso que o desfecho final  seja sublime (descobri a penicilina,  solucionei o problema do Oriente  Médio, mereci o Paraíso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para justificar a vida, bastam as  experiências (agradáveis ou não)  que a vida nos proporciona, à condição que a gente se autorize a vivê-las plenamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, nossa alegria encanta o  mundo, justamente, porque ela enxerga e nos permite sentir o que há  de extraordinário na vida de cada  dia, como ela é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que não consegui explicar  o que são a alegria e o encanto da vida. Talvez eles possam apenas ser  mostrados: procure-os em "Amarcord" (1973), de Federico Fellini, em  "Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas" (2003), de Tim Burton  ou no filme de Jabor. "A Suprema  Felicidade" me comoveu por isto,  por ter a sabedoria terna de quem  vive com alegria e, portanto, no encantamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Max Weber (1864-1920), a racionalidade do mundo industrial teria acabado com o encanto do mundo. Ultimamente, bruxos,  vampiros, lobisomens, deuses e espíritos andam por aí (e pelas telas  de cinema); aparentemente, eles  nos ajudam a reencantar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ótimo, mas, para reencantar o  mundo, não precisamos de intervenções sobrenaturais. Para reencantar o mundo, é suficiente descobrir  que o verdadeiro encanto da vida é  a vida mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTARDO CALLIGARIS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-7970388160696405052?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/7970388160696405052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/felicidade-e-alegria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7970388160696405052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/7970388160696405052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/felicidade-e-alegria.html' title='Felicidade e alegria'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TOYqtvQGvxI/AAAAAAAABDw/ZXu4Dvs1pjY/s72-c/alegria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-2377710392516636226</id><published>2010-11-15T15:00:00.000-02:00</published><updated>2010-11-15T15:07:06.224-02:00</updated><title type='text'>Cinderela criteriosa procura</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TOFocT5YNpI/AAAAAAAABDo/5NPKP-L98D4/s1600/homem_mulher.gif"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 170px; height: 177px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TOFocT5YNpI/AAAAAAAABDo/5NPKP-L98D4/s200/homem_mulher.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539823852228982418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O que não seduz uma mulher: homem que recita seu currículo, traduz cardápios ou descreve a sua  BMW&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANOS ATRÁS, uma colunista  do "NY Times" disse que as  mulheres queriam "vaqueiros  viris que não distingam entre  Flaubert e "flambé'".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes desse tapa na cara  do feminismo, li que algumas  queriam homens para compartilhar a cozinha e as trocas de fraldas, e  outras buscavam tipos tradicionais e segurança financeira. Mas, para  mim, o que as mulheres  querem se resume em duas  palavras: uma narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa história, porém, tem  de diferenciar esse homem  dos outros. De que outro modo a mulher pode determinar  suas chances de construir (ou  conduzir) um relacionamento  com ele -o objetivo dela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início, contei às cariocas por que troquei os EUA  pelo Rio, como meus tropeços  em português levavam a mal-entendidos, e até como eu  descobri que era daltônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas, intrigadas com essas  histórias, queriam saber se eu  era receptivo aos seus sonhos, que esperavam encaixar nos meus. Essa sintonia,  tipo "a gente se completa", é  a raiz da ficção romântica, de  Cinderela a "Orgulho e Preconceito", e molda as expectativas amorosas femininas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No conto de fadas, a sintonia é simbólica: um sapato  cabe no pé da heroína; no romance, é psicológica: os protagonistas se apaixonam, um  ajuda o outro a ver seu próprio orgulho e preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que também seduz uma  mulher é ela sentir-se fruto de  uma grande história de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não seduz uma mulher são homens recitando o  currículo, traduzindo cardápios em francês ou descrevendo a sua BMW, porque essas são listas, não histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulheres são criteriosas. A  plumagem de um macho pode levar a um caso, mas raramente a um casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narrativas são afrodisíacas para ambos. É a premissa do filme de 2004, "Antes  do Pôr do Sol", versão moderna da Cinderela em que herói  e heroína se contam histórias  e se tornam protagonistas da  história um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois de um breve e  mágico encontro entre o  americano Jesse e a francesa  Celine, ela se apaixona pelo  livro que ele escreveu sobre o  momento (e sobre ela) e vai à  livraria em Paris onde ele o  está autografando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na "cidade do amor", eles se rendem  a uma orgia verbal, troca intensa de experiências e  ideias, expressa em anedotas, que revive a magia. Celine canta para Jesse uma música narrando como aquele  encontro mexeu com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse "pas de deux" de  palavras, não há beijos nem  toques, só duas pessoas seduzindo uma à outra com histórias que se entrelaçam, como dois filamentos de DNA,  girando em volta um do outro  para construir nova história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A premissa é tão cativante  que não condena Jesse, infeliz no casamento, pelo adultério que está  prestes a cometer. Por quê? Traição é episódio menor no que promete ser  uma longa e rica narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr noshade="noshade"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:-1;"&gt; &lt;b&gt;MICHAEL KEPP&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-2377710392516636226?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/2377710392516636226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/cinderela-criteriosa-procura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2377710392516636226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/2377710392516636226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/cinderela-criteriosa-procura.html' title='Cinderela criteriosa procura'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TOFocT5YNpI/AAAAAAAABDo/5NPKP-L98D4/s72-c/homem_mulher.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-201265897156819804</id><published>2010-11-10T08:52:00.002-02:00</published><updated>2010-11-10T08:55:52.848-02:00</updated><title type='text'>Vamos esperar os cadáveres para agir contra o celular?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNp6JuDwO2I/AAAAAAAABDg/8oIigplNGsk/s1600/h0711201001.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 146px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNp6JuDwO2I/AAAAAAAABDg/8oIigplNGsk/s200/h0711201001.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5537872999206632290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PESQUISADORA AMERICANA QUE ENCABEÇA  MOVIMENTO PARA CONTROLAR O USO DOS  CELULARES AFIRMA QUE RADIAÇÃO EMITIDA PELOS  APARELHOS É UMA "BOMBA-RELÓGIO"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;p&gt;  A epidemiologista Devra  Davis lidera uma cruzada para fazer as pessoas deixarem  o celular longe de suas cabeças. Convencida de que a radiação emitida pelo aparelho  lesa a saúde, ela escreveu  "Disconnect" (sem edição no  Brasil), cuja base são pesquisas que começam a mostrar  os efeitos dessa radiação no  organismo. Nesta entrevista,  ela também perguntou: "Vamos esperar as mortes começarem antes de mudar a relação com o celular?".&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;center&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;b&gt;Folha - Quais os riscos para a  saúde de quem usa celular?&lt;/b&gt;  &lt;b&gt;Devra Davis&lt;/b&gt; - Se você segurá-lo perto da cabeça ou do  corpo, há muitos riscos de  danos. Todos os celulares  têm alertas sobre isso. As fabricantes sabem que não é  seguro. Os limites [de radiação] definidos pelo FCC [que  controla as comunicações  nos EUA] são excedidos se  você deixa o celular no bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;b&gt;Quais os riscos, exatamente?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O risco de câncer é muito  real, e as provas disso vão se  avolumar se as pessoas não  mudarem a maneira como  usam os telefones. Trabalhei  nas pesquisas sobre fumo  passivo e amianto. Fiquei  horrorizada ao perceber que  só tomamos atitude depois  de provas incontestáveis de  que danificavam a saúde.&lt;br /&gt;Reconheço que não temos  provas conclusivas nesse  momento. Escrevi o livro na  esperança de que meu status  como cientista tenha peso, e  as pessoas entendam que há  ameaça grave à saúde e podemos fazer algo a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;b&gt;Mas há estudo em humanos  que dê provas categóricas?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Quando você diz "provas",  você quer dizer cadáveres?  Você acha que só devemos  agir quando já tivermos prova? Terei que discordar.&lt;br /&gt;Hoje temos uma epidemia  mundial de doenças ligadas  ao fumo. O Brasil também  tem uma epidemia de doenças relacionadas ao amianto.  Só recentemente vocês agiram para controlar o amianto  no Brasil, apesar de ele ainda  ser usado. Ninguém vai dizer  que nós esperamos o tempo  certo para agir contra o tabaco ou o amianto. Estou colocando minha  reputação científica em risco, dizendo: temos evidências fortes em  pesquisas feitas em laboratório mostrando que essa radiação danifica  células vivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;b&gt;Qual a maior evidência disso?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A radiação enfraquece o  esperma. Sabemos por pesquisas com humanos. As  amostras de esperma foram  dividas ao meio. Uma metade foi mantida sozinha, morrendo naturalmente. A outra  foi exposta a radiação de celulares e morreu três vezes  mais rápido. Homens que  usam celulares por quatro  horas ao dia têm a metade da  contagem de esperma em relação aos demais.&lt;p&gt;  &lt;b&gt;Crianças correm mais perigo?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O crânio das crianças é  mais fino, seus cérebros estão se desenvolvendo. A radiação do celular  penetra  duas vezes mais. E a medula  óssea de uma criança absorve dez vezes mais radiação  das micro-ondas do celular. É uma bomba-relógio. A  França tornou ilegal vender  celular voltado às crianças.  Nos EUA, temos comerciais  encorajando celular para  crianças. É terrível. Fico horrorizada com a tendência de  as pessoas darem celulares  para bebês e crianças brincarem. Sabemos que pode haver um vício no  estímulo causado pela radiação de micro-ondas. Ela estimula receptores  de opioides no cérebro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;   &lt;b&gt;Jovens usam muitos gadgets  que emitem radiação.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sim, e eles não estão a par  dos alertas que vêm com esses aparelhos. Não é para  manter um notebook ligado  perto do corpo. As empresas  colocam os avisos em letras  miúdas para reduzir sua responsabilidade quando as  pessoas ficarem doentes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;   &lt;b&gt;É possível comparar a radiação de celular à fumaça?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sim. O tabaco é um risco  maior. Mas nunca tivemos  100% da população fumando. Agora, temos 100% das  pessoas usando celular. Então, ainda que o risco relativo  não seja tão grande, o impacto pode ser devastador.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;   &lt;b&gt;Nos maços de cigarro, há  aquelas fotos horríveis. Esse  é o caminho para o celular?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Isso é o que foi proposto no  Estado do Maine (EUA). Está  se formando um grande movimento para alertar as pessoas a respeito dos  celulares.  Isso é o que aconteceu com o  fumo passivo. Vamos começar a ver limites para a maneira e os locais  onde as pessoas usam celular. A maioria  não sabe que, se você está  tentado conversar num celular em um elevador, a radiação está rebatendo  nas paredes e fica mais intensa em você e em quem estiver perto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Além de usar fones, o que é  possível fazer para prevenir?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Enviar mensagens de texto  é mais seguro do que falar.  Ficar com o celular nas mãos,  longe do corpo, é bom, e  mantê-lo desligado também.&lt;/p&gt;  &lt;b&gt;Mas celular é um vício!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sim. Temos que usá-lo de  forma mais inteligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:+1;color:#000080;"&gt;RAIO-X&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;b&gt;FORMAÇÃO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; Doutora em estudos  científicos pela Universidade  de Chicago e mestre em saúde  pública pela Johns Hopkins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;b&gt;ATIVISMO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; É fundadora da ONG  Environmental Health Trust,  que faz campanhas sobre  riscos do tabaco, amianto e  dos celulares para a saúde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;b&gt;LIVROS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; "When Smoke Ran Like Water"  (2002), sobre poluição, "The  Secret History of the War on  Cancer" (2007), sobre as  causas ambientais do câncer,  e "Disconnect" (2010)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;Pesquisa liga proximidade de antena a maior risco de câncer&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Quem vive a até 100 m de  antena de celular tem 33%  mais risco de morrer de câncer do que a população geral,  diz pesquisa da Universidade  Federal de Minas Gerais.&lt;br /&gt;A engenheira Adilza Condessa Dode, 52, cruzou dados  sobre mortes por tumores entre 1996 e 2006 em Belo Horizonte com áreas onde essas  pessoas moravam e a localização das antenas de celular.&lt;br /&gt;Ela elegeu tumores já associados esse tipo de radiação:  próstata, mama, pulmão, intestino, pele e tireoide.&lt;br /&gt;Em um raio de até mil metros das antenas, o risco foi  maior. " O celular você desliga. A antena, não."&lt;br /&gt;O médico Edson Amaro Jr.,  professor de radiologia da  USP, pondera que o estudo  não é fechado. Isto é, não foram controlados os hábitos  de quem morava perto das  antenas. "Esse tipo de estudo  não é o ideal, mas também  não há muitas alternativas."&lt;br /&gt;O engenheiro Alvaro Augusto Salles, professor de telecomunicações na Universidade Federal do Rio Grande  do Sul, criou um modelo do  cérebro baseado na tomografia de uma criança para simular efeitos da radiação.&lt;br /&gt;Ele explica que as ondas  têm efeitos térmicos (por isso  a orelha esquenta quando se  usa o celular) e não térmicos.  Esses podem causar quebras  nas fitas que formam a dupla-hélice do DNA, levando a  mutações e a tumores.&lt;br /&gt;Os riscos são maiores nas  crianças, cujos tecidos estão  se reproduzindo mais rápido.&lt;br /&gt;Salles diz que, quando  usamos o celular encostado  na orelha, 75% da energia  que seria usada na conexão é  absorvida pela cabeça.&lt;br /&gt;Para o engenheiro, se os  celulares usarem antenas  que direcionem a energia para o lado oposto ao da cabeça, o risco cairá muito. "O futuro é essa tecnologia, mas  está demorando. São 5 bilhões de usuários. Mesmo  que o risco seja pequeno,  muitos podem ser afetados."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Aparelho é só uma das fontes de ondas nocivas, lembra médico&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O celular não deve ser isolado como causa de problemas, lembra Edson Amaro  Jr., professor de radiologia da  Faculdade de Medicina da  USP . "O homem polui o ambiente com todas as formas  de ondas eletromagnéticas."&lt;br /&gt;Já é sabido há anos que o  sol é causa de câncer de pele.  "Você se expor ao sol em situações extremas equivale a  fazer exames de raio-X."&lt;br /&gt;O que diferencia os tipos  de radiação é a frequência.  Quanto maior a frequência,  maior a energia, e maiores os  riscos de efeitos nocivos.&lt;br /&gt;Conclusão: "Se você não  precisa, não use celular, e se  você não precisa, não se exponha ao sol", diz Amaro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-201265897156819804?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/201265897156819804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/vamos-esperar-os-cadaveres-para-agir.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/201265897156819804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/201265897156819804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/vamos-esperar-os-cadaveres-para-agir.html' title='Vamos esperar os cadáveres para agir contra o celular?'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNp6JuDwO2I/AAAAAAAABDg/8oIigplNGsk/s72-c/h0711201001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-8436833232626931115</id><published>2010-11-07T10:20:00.000-02:00</published><updated>2010-11-07T10:29:28.306-02:00</updated><title type='text'>Tabu da virgindade feminina</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNabU82u7gI/AAAAAAAABDY/5YRWwQWWt6k/s1600/o-que-muda-com-a-perda-da-virgindade1.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 151px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNabU82u7gI/AAAAAAAABDY/5YRWwQWWt6k/s200/o-que-muda-com-a-perda-da-virgindade1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536783576133987842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b style="font-style: italic;"&gt;Possibilidade de juntar patrimônio fez com que pais quisessem gerir vida  sexual das filhas&lt;/b&gt;&lt;b style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Casamentos viraram, há 10 mil anos, moeda de  troca entre famílias; urbanização recente teve efeito contrário &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi há 10 mil anos que o hímen se tornou importante.&lt;br /&gt;Essa é a conclusão de  Peter Stearns, grande especialista em história sexual da Universidade George  Mason (EUA).&lt;br /&gt;Seu livro "História da Sexualidade", recém-lançado no Brasil  pela editora Contexto, compara a vida típica de tribos nômades que vivem de caça  e coleta com a das primeiras sociedades humanas pós-agricultura.&lt;br /&gt;É  inevitável, diz, perguntar: por que, de repente, a sexualidade feminina passou a  ser vigiada e elas muitas vezes perderam até a chance de escolher seus  parceiros?&lt;br /&gt;Era diferente entre quem não plantava. "Grupos caçadores-coletores  tinham fascínio pela sexualidade. A bissexualidade era comum."&lt;br /&gt;Houve a  mudança porque, com a possibilidade de acumular patrimônio (caçadores não juntam  excedente nem terras), filhas viraram moeda de troca entre famílias. Surgiu a  herança e o dote.&lt;br /&gt;Com a residência fixa e as famílias agrupadas, ficou fácil,  especialmente para pais, supervisionar os outros.&lt;br /&gt;Era importante zelar para  que as filhas não engravidassem de gente indesejada -e para que os filhos também  não engravidassem qualquer uma, mas sem testes de DNA esse problema era  menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;AMOR SÉRIO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que restritivas, civilizações antigas  tratavam de sexo com naturalidade. Um mito egípcio dizia que o deus Atum se  masturbava na água e acabou ejaculando o Nilo.&lt;br /&gt;Isso prosseguiu com as  sociedades clássicas. A Grécia foi muito tolerante com homossexuais. Rapazes  eram "tutorados" por homens mais velhos na sexualidade.&lt;br /&gt;"Platão disse ser  mais provável que o amor sério surgisse entre homens, pois podia envolver uma  mistura de sexo e interessante conversação intelectual", diz Stearns.&lt;br /&gt;Isso  mostra que mulheres ainda eram reprimidas -ainda que os romanos valorizassem seu  prazer, por exemplo.&lt;br /&gt;Com a ascensão do cristianismo, porém, a maneira de  lidar com o sexo endureceu. Na Idade Média, as cidades diminuem -e, em geral,  quanto mais urbano um povo, mais liberal sexualmente.&lt;br /&gt;Se religiões clássicas  contavam aventuras sexuais dos deuses, Jesus nasceu de uma virgem. O sexo se  aproxima do pecado. A homossexualidade cai na clandestinidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;CIDADES  PROMÍSCUAS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a Idade Média acabando, aos poucos as cidades voltaram a  crescer. A industrialização, a partir do século 18, acelerou o processo.&lt;br /&gt;Com  o trabalho urbano, herdar terras deixa de ser vital. "Se o pai não podia  assegurar herança, havia menos motivos para que os filhos aceitassem plenamente  sua autoridade", diz Stearns. O anonimato das cidade grandes também oferece  menor controle sobre a vida alheia.&lt;br /&gt;Países da Europa, EUA e Brasil só viraram  majoritariamente urbanos no século 20. O sexo acompanhou e dominou a cultura,  seja em Hollywood ou nas revistas, e a virgindade perdeu espaço.&lt;br /&gt;A  homossexualidade passou a ser vista com mais naturalidade, e países como a  Espanha legalizaram o casamento gay recentemente.&lt;br /&gt;Com métodos  anticoncepcionais eficientes, o sexo pelo prazer disparou. As mulheres no  mercado de trabalho se tornam menos dependentes das ordens paternas.&lt;br /&gt;É um  processo que ainda está acontecendo. Ainda hoje, por exemplo, metade do mundo  vive em áreas rurais.&lt;br /&gt;"Não sabemos se o mundo todo vai se industrializar. É  difícil dizer que o padrão moderno de sexualidade triunfará, apesar de ser  tentador dizer que no futuro teremos ainda mais aceitação do sexo pelo prazer",  diz Stearns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Regiões islâmicas eram bem mais tolerantes do que Ocidente  &lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;p&gt;É papel do homem fazer a mulher chegar primeiro ao orgasmo. Elas, porém,  devem raspar pelos pubianos, para que fiquem atraentes. Homossexuais são  aceitos.&lt;br /&gt;Trata-se de uma descrição de uma sociedade bastante liberal, e pode  surpreender saber que estamos falando das regiões islâmicas nos séculos após a  difusão da religião, por volta do ano 600.&lt;br /&gt;"O Oriente Médio era uma sociedade  mais urbanizada e, em muitos sentidos, mais sofisticada que a Europa", diz  Stearns. Era, também, mais liberal com o sexo -vide "As mil e uma noites", com  histórias eróticas.&lt;br /&gt;Apesar da virgindade feminina ser fortemente valorizada,  um livro islâmico de 984 já reclamava que "hoje, quando um homem ama uma mulher,  não tem outra coisa em mente a não ser erguer as pernas dela".&lt;br /&gt;Para Stearns,  isso pode ter sido revertido a partir do século 19, em parte, como reação à  liberalização ocidental.&lt;br /&gt;Mesmo falando mais de sexo, mulheres sempre foram  bastante reprimidas no Islã. O adultério é um dos principais crimes- mas eles  podem se casar com várias.&lt;br /&gt;"A mudança nas condições da mulher no ocidente  provocou mais ênfase, entre os islâmicos, no lado restritivo e punitivo", disse  Stearns à &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt;. "Pegas de surpresa nessa transição, muitas regiões  adotaram uma postura de desconfiança." Ganharam força, então, a burca, o Talibã  e apedrejamentos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2329732402340088026-8436833232626931115?l=palcogeral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palcogeral.blogspot.com/feeds/8436833232626931115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/tabu-da-virgindade-feminina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8436833232626931115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2329732402340088026/posts/default/8436833232626931115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palcogeral.blogspot.com/2010/11/tabu-da-virgindade-feminina.html' title='Tabu da virgindade feminina'/><author><name>MAURO</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03895135920139593427</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH6KBLPtmI/AAAAAAAABC4/3kn78JcwxJM/S220/Sem+t%C3%ADtulo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNabU82u7gI/AAAAAAAABDY/5YRWwQWWt6k/s72-c/o-que-muda-com-a-perda-da-virgindade1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2329732402340088026.post-7075067256452989202</id><published>2010-11-03T22:00:00.000-02:00</published><updated>2010-11-03T22:10:19.225-02:00</updated><title type='text'>Bem-estar é o novo luxo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH5sH7smDI/AAAAAAAABCw/YIav2kXZfQo/s1600/logo+bem+estar.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 200px; height: 56px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_d5pyiXP5fJQ/TNH5sH7smDI/AAAAAAAABCw/YIav2kXZfQo/s200/logo+bem+estar.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535479953454045234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O sociólogo francês Gilles Lipovetsky conta como a era do hiperconsumo  está transformando nossos conceitos e vontades&lt;/b&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O  sociólogo francês Gilles Lipovetsky, 66, tornou-se popular por escolher o  consumo, a moda e o luxo como objetos de estudo. De jeans e sandálias, o autor  de "A Felicidade Paradoxal" e "O Império do Efêmero" recebeu a reportagem na  cobertura de um prédio na zona sul de São Paulo, onde foi hospedado.&lt;br /&gt;Na  cidade para um fórum mundial de turismo, Lipovetsky veio falar sobre o "consumo  de experiência".&lt;br /&gt;Abaixo, fala também da obsessão pela saúde e afirma:  bem-estar é o novo luxo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;center&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/ep.gif" /&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; O  que é "consumo de experiência"?&lt;br /&gt;Gilles Lipovetsky -&lt;/b&gt; Vai além dos  produtos que podem me trazer esse ou aquele conforto, ou me identificar com essa  ou aquela classe. As razões para escolher um celular, hoje, vão além das  especificações. Queremos ouvir música, tirar fotos, receber e-mails, jogar. Ter  vivências, sensações, prazeres. É um consumo emocional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Então, o que é  o luxo, hoje?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O luxo, apesar de ainda existir na forma tradicional,  também está mudando.&lt;br /&gt;Quando buscamos um hotel de luxo hoje, não queremos  torneiras de ouro, lustres. O luxo está nas experiências de bem-estar que o  lugar pode oferecer. Spa, sala de ginástica, serviço de massagem. O bem-estar é  o novo luxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Como consumir bem-estar?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 60 e 70, quando  o consumo de massa possibilitou que famílias de classe média se equipassem com  produtos, o bem-estar ainda era medido em termos de quantidade. Hoje, o que está  na cabeça das pessoas é o bem-estar qualitativo: a tal qualidade de vida. O que  inclui a qualidade estética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Qual a relação entre busca de bem-estar e  uma sociedade mais e mais "medicalizada"?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A obsessão com a saúde e a  prevenção é o lado obscuro do hiperconsumismo, gerador de ansiedade quase  higienista. A quantidade de informação disponível torna o consumo complicado. Na  alimentação, os consumidores estão ávidos pela leitura dos rótulos: quais são os  ingredientes, de onde vêm, podem causar câncer, engordar? Há 40 anos, íamos ao  médico uma vez por ano, se muito.&lt;br /&gt;Hoje, um indivíduo faz até dez consultas  por ano. O consumo de exames, para nos fazer sentir "seguros", cresce  exponencialmente. Sintoma do hiperconsumismo: queremos comprar nossa  saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Como vê as campanhas contra o cigarro e a obesidade?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O  hiperconsumidor está preso num emaranhado de 
