domingo, 3 de julho de 2011

O que querem as mulheres

A despeito do movimento feminista,
a imensa maioria delas
continua sonhando em se casar
e ter filhos


"O QUE, AFINAL, querem as mulheres?" A frase ficou célebre como a questão que Freud não soube responder. Os psicólogos evolucionistas (que usam teorias de Darwin para entender o comportamento humano) acham que resolveram o enigma: "Querem casamento, garantias e prestígio".

A primeira vez que li tal frase, achei-a de um machismo absurdo. Precisei me lembrar que os psicólogos falam do desejo genético, da força da natureza atuando em nós de maneira inconsciente.

Quais são seus argumentos? Dizem que tudo se resume à procriação. Se para um homem o procriar se reduz a segundos, para uma mulher pode se estender em uma trabalheira de anos e em uma necessidade de muita ajuda.

Esse processo foi gravado em nossos cérebros em milênios de vida dura na savana africana, onde a ajuda do homem era mais necessária para alimentação e proteção.

Mas... casamento na savana? Claro, não no conceito atual, mas no de um homem que privilegia uma mulher e suas crias, e daí a demanda por prestígio e a disputa por ele, daí o ciúme e a competitividade entre elas.

O quesito "garantias" viria da tendência de essa mulher olhar esse homem como sua propriedade e agir como se tal fosse, cercando-o, para garantir que o alimento e a proteção se mantivessem voltados para ela.

E hoje, podemos ver os vestígios desse desejo natural em operação? Eles abundam. Vejamos: a despeito do movimento feminista, a imensa maioria das mulheres continua sonhando em se casar e ter filhos. E logo, pois sabem que o relógio biológico não perdoa e que a juventude é seu bem mais precioso.

Tem peça de teatro chamada "Sou infeliz, mas tenho marido". Elas se queixam de que "os homens não querem compromisso". Elas pedem para que eles definam "a relação".

Elas buscam apresentá-lo às amigas, à família (consolidações externas do "casalzinho" são formas de garantias), pedem presentes ligados a datas (demonstrações de prestígio).

Elas gostam (mais que eles) de andar de mãos dadas, como a marcar território. Elas se interessam pelo poder e a condição financeira do homem em mira ""isso se liga à capacidade dele de ajudar e proteger. (Não é tão importante se ele é grisalho, são raros os que pintam os cabelos, ao contrário delas.)

Nos EUA, o "proposal" (pedido em casamento) é o clímax da vida da moça, quando ela recebe "the rock" (anel com diamante), símbolo máximo de garantia e prestígio.

É curioso ver que o principal ciúme das mulheres será de prestígio, e não sexual. Elas terão ciúmes da TV, do carro, do futebol, dos amigos, do computador, da filha do casamento anterior (e do dinheiro que gasta com ela).

Enfim, tudo indica que a savana africana permanece pouco alterada em nossas mentes.


FRANCISCO DAUDT, psicanalista e médico, é autor de "Onde Foi Que Eu Acertei?", entre outros livros

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