sexta-feira, 16 de julho de 2010

Falta de treino

Essa ideologia segundo a qual
não deve existir
frustração nem reprovação
não ajuda ninguém a ganhar



TRISTE. Fiquei com a boca amarga como quase todos quando o Brasil perdeu. O fato me levou a questionar uma certa ideologia educacional.

Será que ela tem a ver ou não com a derrota -ou melhor, com a dificuldade de reagir positivamente ao primeiro gol contra nós?

Dizem locutores, técnicos e sabichões que causas emocionais nos levaram à desorganização ocorrida no resto do jogo, depois do tal primeiro gol dos outros.

Resumindo o que escutei, concluí que nós nos atribuímos uma falta de treino para atuar em condições de adversidade: a frustração nos impediria de realizar ação ordenada com vistas ao objetivo.

Onde erramos pois, nós, educadores, pais e mestres, na educação dos nossos jovens compatriotas?

Em casa, cada um de nós é educado de acordo com a família. Em uma sociedade livre, não se pode intervir na complacência ou na excessiva tolerância. Fica por conta da escola apoiar, treinar e não apenas afagar para habilitar a continuidade do esforço e eficiência, mesmo em condições desagradáveis.

A escola pode e deve impor limites de nota mínima e máxima; pode advertir, aprovar e reprovar.

Se um aluno tem dificuldade num campo qualquer de conhecimento, ele deve esforçar-se mais nessa matéria, pedindo ajuda. Mesmo sabendo que pode não brilhar, não vir a ser o melhor, tem que desempenhar um certo tanto.

A ideia de promoção automática nos indica que a escola está abdicando da função de treinar para vencer as dificuldades impostas pela vida, incentivando a ultrapassar os obstáculos próprios ao cotidiano de todos nós.

A vida de ninguém é um mar de rosas. Caberia à família e com certeza à escola treinar o jovem para suportar acasos e tropeções e, apesar deles, terminar as tarefas.

Ao final do jogo da Copa, rostos desolados aceitavam como inevitável desanimar diante do primeiro gol do outro time. O jogo é apenas um modelo do que venho percebendo ao meu redor.

Talvez passe por essa dificuldade de superar os tropeções o que aconteceu lá na África do Sul, em 2 de julho de 2010, segundo os experts.

O primeiro gol do outro time acontece. E temos que continuar batalhando.

Dificuldade em matemática acontece. E cabe ao aluno estudar mais e não desistir. A ideologia que está por trás da promoção automática é que frustração não deve existir, reprovação não pode existir. Se assim for, não chegaremos ao hexa.


ANNA VERONICA MAUTNER

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