sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A política do vale tudo

Em 1994, quando Collor foi absolvido pelo STF,
LULA disse: “Como cidadão brasileiro que tanto lutou para fazer a ética prevalecer na política, estou frustrado, possivelmente como milhões de brasileiros. Só espero que não apareça um trambiqueiro querendo anistiar Collor da condenação imposta pelo Senado”. A condenação era a inelegibilidade por oito anos.





IMAGENS DO LODAÇAL


Primeira imagem: Luiz Inácio Lula da Silva abraça Fernando Collor de Mello.
Ajuda-memória: Fernando Collor de Mello vem a ser aquele cidadão que, além de ter sido o único presidente afastado do cargo por falta de decoro em um país em que o decoro é artigo raríssimo, pagou a uma mulher para dizer na televisão que seu adversário (justamente Lula, naquele momento) quis obrigá-la a abortar da filha que ambos tiveram (Lurian).
Esse tipo de atitude é tão indecente, indecorosa, delinquencial que desqualifica qualquer pessoa para a vida pública (a rigor, também para a vida privada).
Não é, portanto, passível de perdão. Lula até poderia aceitar o apoio de Collor para fazer parte da maioria governista. Aceitou o apoio de tantos outros desqualificados que, um a mais, um a menos, nem se notaria.
Daí, no entanto, a abraçá-lo publicamente e a elogiá-lo vai uma distância que, percorrida, desqualifica também a vítima de antes.
Segunda imagem, a de ontem: Fernando Collor de Mello cumprimenta José Sarney.
Ajuda-memória: Fernando Collor de Mello vem a ser aquele cidadão que com maior virulência atacou o governo Sarney, a ponto de chamá-lo de ladrão, pelo que jamais pediu desculpas.
Sarney nunca escondeu o profundo rancor que sentia pelo seu desafeto, que, aliás, só se elegeu porque era o mais vociferante crítico de um presidente que batia recordes de impopularidade.
Ao abraçar Collor e aceitá-lo na sua tropa de choque, Sarney implicitamente dá atestado de validade aos ataques do Collor de 1989 e, por extensão, junta-se a ele na lama.
Que Collor, o indecoroso com condenação tramitada em julgado, ressurja com os mesmos tiques e indecências de antes compõe à perfeição o lodaçal putrefato que é a política brasileira.

CLÓVIS ROSSI



O ONTEM E O HOJE

Os jornais mostraram a foto de um raivoso Fernando Collor, ex-presidente da República e atualmente senador pelo estado de Alagoas, com o dedo em riste contra o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Simon pedia, mais uma vez, a renúncia de Sarney. Collor, em defesa de Sarney, dizia o seguinte enquanto apontava seu dedo:

“Eu não aceito, com a responsabilidade de ex-presidente da República, que se trate desta forma um homem (Sarney) que governou o Brasil, que cumpriu a transição democrática com grandeza e maestria, e que hoje está sendo vitimado por acusações de toda a natureza. Eu sei o que é isso porque eu por isso passei. Em muito maior escala. Eu sei como tudo isso é forjado, sei como tudo isso nasce, como tudo isso desabrocha. E eu sei a quem interessa que o Senado retire daquela cadeira o presidente que todos nós elegemos e que vai cumprir seu mandato até o último dia que foi eleito”.

No mesmo dia, começou a circular um vídeo no YouTube. Trata-se de um discurso de Collor, do horário eleitoral de 1989. O tema é… José Sarney.





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