sábado, 19 de setembro de 2009

As mulheres de Chico Buarque

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas

Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas
(Chico Buarque)


As figuras do feminino na canção de Chico Buarque


"O que quer a mulher?" A pergunta de Freud ressoa na poesia de Chico Buarque,

Já se falou muito que Chico Buarque conhece a alma feminina como nenhum outro homem.

Agora, todas as mulheres de sua obra são reveladas no livro "Figuras do Feminino na Canção de Chico Buarque", de Adélia Bezerra de Menezes (Ateliê Editorial e Boitempo Editorial).

A autora lecionou Literatura Brasileira na Technische Universitãt de Berlim e é professora de Teoria Literária na Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Essa é o segundo mergulho de Adélia na obra de Chico. No início dos anos 80 lançou "Desenho Mágico - Poesia e Política em Chico Buarque" (cuja reedição saiu recentemente pela editora Ateliê e que chegou a ganhar um Prêmio Jabuti em 1982). Ela não avalia a obra de Buarque como música, mas como "alta poesia", segundo afirma.

"Ele às vezes assume um ponto de vista espantosamente feminino", diz a autora.

Em qualquer show de Chico Buarque é possível ver o fascínio que o cantor e compositor de 55 anos, três filhas e dois netos causa na ala feminina do público.

Boa parte desse fascínio, segundo pondera a jornalista Regina Zappa, autora de livro sobre o compositor, vem mais de sua habilidade em descrever sentimentos do que nos olhos verdes do cantor.

"Eu acho que a chave disso tem muito a ver com a música dele, com o sentimento das suas canções, que são muito fortes e autênticas", diz Regina.

LIVRO - "Figuras do Feminino" perpassa todas as mulheres da obra do cantor, de "Carolina" e "Bárbara", do início da carreira a "Cecília" e "Você Você", do disco "As Cidades". E articula as canções com imagens que se relacionam com os temas, telas de Di Cavalcanti, Vicente do Rêgo Monteiro, Volpi e outros.

Em "Pedaço de Mim", por exemplo, Adélia de Menezes usa uma reprodução da tela "O Casal", de Ismael Neri. Em "Angélica", é uma ilustração de Portinari. E assim por diante.

"Não é um livro para qualquer leitor, no entanto. Tem uma abordagem acadêmica, já que foi concebido como tese. Mas a análise das letras do autor dá uma certa leveza à publicação, ajudando a transpor os entroncamentos teóricos. A autora revela artifícios do compositor, que às vezes usa sobreposição de imagens (a mulher e a cidade) para falar do tema do feminino e passa do afetivo ao social, do sexual ao político, sempre sob um prisma original - diferentemente do discurso habitual sobre a mulher."

Autora avalia obra do compositor como "alta poesia"


video

video

Nenhum comentário:

Postar um comentário